A psicosociologia retroativa

Publicação: 2019-11-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Winston Churchill dizia que “fanático é aquele que não muda de ideia nem de assunto”. Mais de meio século depois da chamada “revolução redentora”, da tomada do poder pelos militares brasileiros, toda a narrativa do discurso de esquerda no Brasil cisca no terreno do passado. Isso se repete de maneira caricata desde a redemocratização, desde a eleição direta para governador em 1982, a primeira após os cinco generais-presidentes entre 1964 e 1985.

Nesses mais de cinquenta anos, as palavras de ordem vomitadas na cantilena do vitimismo são todas galgadas naquele passado que ficou para os anais da história. Dos primeiros candidatos pós-anistia até agora, pouca coisa mudou no meio e na mensagem da esquerda jeca, cospe uma ira retroativa como se o País do terceiro milênio estivesse com as ruas tomadas de milicos, de urutus e caminhões, dividido entre baionetas e megafones, cassetetes e molotovs.

É risível a disenteria mental de alguns ungindo um corrupto compulsivo, larápio do erário, ao patamar de pai da Pátria. Incrível como na América Latina a esquerda ergue em pedestais de mentira os proto-heróis da sua falácia.

Nas redes sociais, nas ruas, nas faculdades dos “manos de umanas”, há um coletivo de imbecis, vivendo matutos delírios em drogas sociológicas de metrópoles. Nas hostes do PT, então, habitam centenas de um novo bicho.

É o militante zé mané, aquele que repete um mantra de apoio incondicional a Lula et caterva, de uma maneira similar aos fanáticos religiosos em suas pregações de papagaio, dando ressonância a teses fabricadas pelos líderes.

Lembram aqueles garotos de prédios históricos (lembram de Olinda?) que decoravam texto e que quando interrompidos precisavam voltar ao início pois o decoreba só funciona num fôlego só, numa tagarelada de ponta a ponta.

Dias desses, numa sequência de três ou quatro observações, ouvi um zé mané da horda petista cuspir a oferenda verbal ao deus preso em Curitiba. É o remake dos anos sessenta, vociferando com o capitalismo e a burguesia.

O zé mané é a versão ideológica dos doidelos dos antigos filmes de bang bang, defendendo o seu mocinho como um cão treinado, sem a menor preocupação de passar ridículo por sua estatura moral de marionete.

Quando defende as teses socialistas, para endeusar falsos heróis dessa contemporaneidade de fantasia, se torna um misto de “Chance”, do filme Muito Além do Jardim, de 1979, e “Forrest Gump”, do filme homônimo, de 1994.

Um outro zé mané, noutra vez, disse que o socialismo vai governar os EUA e que o mercado financeiro será reduzido na revolução operária internacional, que ele crê que já começou. Seus ícones são Lula, Che Guevara e Marielle.

Versão amalucada de Policarpo Quaresma, o patriótico personagem de Lima Barreto, o zé mané preenche o vazio do intelecto lendo sobre a revolução cubana e navegando nos sites Carta Maior, DCM, Carta Capital e 247.

Afeito a identificar a psicopatia dessa gente, descobri uma espécie de bullying para torturar suas convicções políticas. Quando começa a cagar regras e conceitos canhotos, baforo um charuto e digo: Olavo é maior do que Gramsci.

Livre opinião
Eu vivi para ver a união de partidos de esquerda, imprensa e autoridades pregar a censura ao direito de opinião e pensamento. Só faltou um editorial da Globo dizendo “ninguém pode sair por aí dizendo e pensando o que quer”.

Toca, Raul
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O cerco à Fátima
A governadora Fátima Bezerra não terá sossego na questão do aumento de 16,38% dado aos procuradores e reivindicado pelos sindicalistas. A ironia nisso é que enquanto ela vem do sindicalismo, o vice-governador é da outra banda.

Protestos
Um grupo de manifestantes ocupou quinta-feira a portaria da Inter TV com carro de som e panelas. Durante mais de uma hora os protestantes gritaram palavras de ordem contra a afiliada da Globo e tiveram apoio de buzinas.

O fundão
O jornalista Hildo Oliveira publicou no seu blog que a guerra interna no PSL esconde o real motivo do conflito. O presidente Jair Bolsonaro quer desmanchar o fundo partidário, mas o partido é o segundo mais aquinhoado.

Recuperação
Por quais motivos os que bradam pelo tombamento das ruínas do hotel Reis Magos silenciam sobre o abandono do Presépio de Natal, obra de Oscar Niemeyer ao lado do Papódromo? A miopia ideológica só vê o que quer.

Manchas no mar
Juntem o petróleo da Venezuela com um navio da Grécia e temos uma mistura corrosiva com direito a licenciamento poético para uma ilustração geopolítica em dois tempos históricos: um presente de grego num ataque bolivariano.

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COLUNA

A mãe do craque
Dolores Aveiro é mãe do jogador Cristiano Ronaldo e uma celebridade em Portugal, sendo a segunda mulher com mais seguidores no Instagram, atrás apenas de Sara Sampaio, a supermodelo da Victoria’s Secret. Em fevereiro, Dolores lançou uma marca vinhos e azeite em parceria com a Queijaria Nacional, de Lisboa, onde atua a potiguar Rochelle Medeiros.





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