Natal
“Queremos dar uma nova dinâmica à Câmara de Natal”
Publicado: 00:00:00 - 01/01/2017 Atualizado: 12:44:55 - 31/12/2016
Pedro Andrade
repórter

Eleito parlamentar do ano, pelos jornalistas que fazem a cobertura da Câmara Municipal de Natal, e reeleito para mais um mandato como o vereador mais votado na capital, Raniere Barbosa também tem as maiores chances de ser o novo presidente do Legislativo municipal. Na eleição para a nova mesa diretora, com mandato no biênio 2017/2018, logo mais a tarde, ele é o mais cotado. Tem 26 declarações de votos a favor. O outro único candidato, declarado até agora, o atual presidente da CMN, vereador Franklin Capistrano, vai para a disputar “apenas por direito constitucional”, como ele mesmo declarou. Se eleito, Raniere pretende dar mais transparência aos trabalhos, ao funcionamento e aos custos da Câmara. Promete levar as sessões para os bairros da capital e, se necessário, cortar custos no Legislativo. O discurso tem o tom de quem está em campanha, mas ele garante que não está fazendo planos para eleições futuras. “Acredito que a gente tem que pensar o hoje. O amanhã é consequência e  resultado do trabalho.” Confira,  a seguir, os detalhes do que pensa Raniere sobre a Câmara Municipal de Natal.
Raniere Barbosa é candidato à presidência da CMN
Quantos votos o senhor espera conseguir, nas eleições deste domingo, para a presidência da Câmara Municipal de Natal?
As articulações estão muito boas, com muitas adesões. Temos hoje 25 votos confirmados. Esses vereadores estão discutindo um plano de gestão para a Câmara, uma nova dinâmica, implementação do portal da transparência, colocar várias frentes de trabalho como a Escola do Legislativo, a Procuradoria Comunitária, o Procon da Câmara, estruturas funcionais melhores, protocolo eletrônico, a Câmara itinerante, a Câmara nos bairros será uma das grandes bandeiras nossas. Aproximar a população da Câmara e gerar credibilidade e transparência. Isso se conquista com trabalho. As adesões estão vindo de uma maneira natural e que estão creditando confiança ao nosso nome como hoje eu digo que praticamente só tem o atual presidente candidato. Eu vejo que a maioria está nos apoiando para buscar uma renovação da Casa.

O senhor falou em aproximar a população da Câmara. Que outras mudanças considera necessárias na condução do legislativo?
Primeiro, a Câmara nos bairros, você já desloca a Câmara para dentro dos bairros. A gente vai identificar os problemas dos bairros e da população in loco, como também o portal da transparência. Vamos abrir mais para que a sociedade acompanhe todos os atos do legislativo, os gastos individuais dos parlamentares, o custo hoje da Câmara, que a sociedade quer saber quanto ela paga para ser representada. Então acho que serão duas modificações importantes. Acho que o atual presidente fez um bom trabalho, porém até um pouco tímido, mas que ele fez com muito zelo, propriedade, e eu quero fazer justiça a isso. Porém vamos querer avançar mais e dar uma nova dinâmica à Câmara Municipal, uma transparência maior e aproximar a sociedade da Câmara.

O senhor nessa pré-campanha para a presidência da Câmara tem conseguido apoio de praticamente todos os vereadores, tanto da situação como da oposição. Como pretende conciliar esses interesses diversos?
Fazendo o papel de magistrado e republicano. A Câmara, quando digo que ela tem de ser independente do colegiado, tem muitos dos vereadores que estarão apoiando o governo e outros na oposição e é preciso equilíbrio e transparência para que a Câmara não venha a interferir em assuntos partidários nem momentos político-partidários. Então você precisa ter uma atitude de magistrado e republicana. Essa é a condição que vou buscar, esse equilíbrio na Casa para que possa dissociar respeitando o espaço que é da oposição e o espaço que é do governo.

Esse compromisso do senhor em adotar medidas administrativas para realizar alguns procedimentos e métodos, dar mais transparência... Isto pode implicar em rever contratos e contração de pessoal? Pode haver cortes?
Gestão é o que você precisa primeiro conhecer. Eu não tenho conhecimento, hoje, de quais contratos que temos. Vamos ter que, realmente, buscar enxugar a casa o quanto mais. O presidente [Franklin Capistrano] já iniciou esse processo. Se for necessário diminuir o número de cargos comissionados, mas essa já é uma proposta do Ministério Público, através de um TAC, Termo de Ajustamento de Conduta, para dar um equilíbrio, enxugar, para que possa responder melhor. Ou até remanejar! Não acho que tem um desperdício, mas de um determinado setor poder remanejar para outro, que tenha uma necessidade maior de melhorar o funcionamento para atender bem à população... Então tudo isso vai ser visto quando eu puder ter acesso à administração da Câmara.

Então o senhor considera reduzir custos?
Isso é fundamental. Redução de custos em toda gestão é fundamental. É como nós na nossa vida pessoal, você tem que ter um equilíbrio de receita e de despesas, não pode gastar mais do que você ganha e a Câmara tem que ter esse equilíbrio também.

Como o senhor espera que seja o relacionamento com o prefeito?
O melhor possível. Sempre respeitando os poderes, Executivo, Legislativo, ambos têm que trabalhar em sintonia, harmonia, de forma respeitosa e independente, sempre. É inegável, todo mundo sabe que eu sou do partido do prefeito, sou amigo do prefeito e não penso em nenhum momento buscar que a Câmara venha exercer um confronto. Ela tem que exercer a sua função parlamentar, apoiar o governo no que for importante para a cidade, importante para o cidadão e é esse equilíbrio que teremos.

E como devem ser conduzidas as propostas que forem enviadas pelo Executivo à Câmara?
Da melhor maneira possível. Sempre vendo a importância e o alcance social que ela terá para o equilíbrio, seja social, financeiro, econômico da cidade. Sempre vamos ter cuidado e ter uma parceria, eu diria, entre o poder Legislativo e Executivo, com muito otimismo.

A presidência da Câmara significa o início de um projeto político eleitoral para 2018 ou mais para a frente?
Não! Acredito que a gente tem que pensar o hoje. O amanhã é consequência e  resultado do trabalho. Se você está hoje pleiteando um cargo e pensando em outro, acho que isso é o que a população não aceita. A população quer que os políticos pensem hoje e tentem resolver os problemas de ontem, é isso que nós temos que fazer. O amanhã é um futuro que está muito longe, não é momento nem de estar discutindo nem pensando nele.

Durante a última campanha surgiu a informação de que o senhor teria planos de se candidatar a prefeito ou, uma outra alternativa,a tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. Essa possibilidade é realmente considerada?
Veja bem, durante a campanha, no calor da emoção, até para fazer uma motivação à militância, você se coloca em situações... eu comentei que se fosse o mais votado, estaria habilitado no futuro para buscar uma ascensão política, como também fiz um comentário em relação ao próprio prefeito, se ele fosse eleito logo no primeiro turno. Mas isso foi no calor da emoção, o que posso dizer, com pé no chão, hoje o que eu tenho que pensar é a Câmara fazer realmente um bom trabalho e ter uma resposta de aprovação da sociedade. As consequências de uma ascensão política me soa muito resultado de um trabalho, está muito longe e por isso não se deve pensar agora.

Agora queria fazer uma pergunta sobre supostos patrimônios do senhor que seriam incompatíveis com os ganhos...
Eu acho que você não deveria nem fazer essa pergunta porque, primeiro, quem fez essa reportagem foi uma única pessoa que não gera credibilidade na cidade, que nem jornalista é e fez uma perseguição política. Mas a minha declaração do imposto de renda eu abro para vocês, qualquer sigilo para verificar. O valor do patrimônio, não tem incompatibilidade... Antes de ser vereador, ele cita um imóvel que eu tenho há mais de 12 anos, no condomínio Porto Brasil, quando eu não era nem secretário, nem vereador. Se vocês quiserem eu apresento minha declaração de imposto de renda, com meu patrimônio. Estão em questão dois imóveis, que foram citados por essa pessoa. O primeiro, eu adquiri há mais de 12 anos, até por uma venda de outro imóvel e não a troca, como foi dito e declarado no imposto de renda. O outro, que foi adquirido recentemente há dois anos, também foi na venda de um outro imóvel e que está na declaração do imposto de renda o valor total do imóvel, como também o saldo devedor e o que foi pago. Um jornalista anunciou apenas o que eu teria pago e não o valor total nem seu saldo devedor, ele considerou o valor de R$ 50 mil, que foi o que eu paguei no ano, como se fosse o valor total do imóvel. Mas, está à disposição, querendo ver eu apresento minha declaração de imposto de renda, também a que está na Receita Federal.

Então esses bens estão realmente especificados em nome do senhor?
Totalmente e na minha declaração.

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