Área de TI é a 4ª que mais envia alunos para Ciência Sem Fronteiras

Publicação: 2015-08-16 00:00:00 | Comentários: 0
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A área de Tecnologia da Informação é a quarta que mais envia estudantes para universidades do exterior dentro do programa Ciência sem Fronteiras.  Entre o ano passado e março deste ano foram 125 alunos de graduação que saíram da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para outros países.
DivulgaçãoTharles SilvaTharles Silva

Entre as instituições, o total de bolsas implementadas neste período no Rio Grande do Norte foi de 1.695, sendo 1.430 da UFRN. A área que mais envias alunos no CsF é a de Engenharias e Áreas Tecnológicas, com 814 bolsas. Mas mesmo áreas mais abrangentes, como Biologia e Ciências da Saúde, que tem a segunda colocação, enviou 237 alunos, seguida de Indústria Criativa, com 197 bolsas.

“Como temos, no total, cerca de mil alunos no exterior hoje, a proporção é bastante reduzida, o que não significa que a qualidade dos resultados seja desprezível”, avalia o secretário de Relações Internacionais da UFRN, Márcio Venício Barbosa.

O programa Ciência sem Fronteiras contempla prioritariamente os cursos de graduação, com 87% das bolsas concedidas. As bolsas de doutorado sanduíche (com uma parte do curso realizada em outras instituição), de doutorado pleno (todo o doutorado realizado em uma instituição estrangeiras) e de pós-doutorado, representam 11%. No sentido inverso, existe a possibilidade de vinda de pesquisadores para o Brasil, com  bolsas oferecidas a jovens doutores e a pesquisadores sêniores.

Os Estados Unidos lideram como destino mais procurado entre os estudantes, de todas as áreas e em TI. Mas a UFRN também enviou estudantes para  Canadá, Reino Unido, França e Austrália, seguindo esta ordem.

A avaliação que a Secretaria de Relações Internacionais faz da posição da UFRN no cenário do programa envolve aspectos, como   qualificação dos alunos de graduação para uma concorrência em nível nacional, entre os pontos mais importantes. “Nesse aspecto, não estamos muito distantes, em termos proporcionais, de grandes universidades”, avalia. Mas o grande empecilho ainda é a fluência em outras línguas como inglês. O programa Idiomas sem Fronteiras, iniciativa do Ministério da Educação, é oferecido nas universidades de origem para incentivar a participação.

Outro problema que reflete no número de bolsistas, é que nem todos os alunos desejam ou estão dispostos a uma temporada longa distantes de suas famílias. Muitos alunos, já prevendo problemas dessa ordem, nem chegam a se candidatar.

“Em geral, os alunos brasileiros são vistos como alunos criativos, bem-humorados, sociáveis e capazes de reagir com rapidez e acerto em situações adversas. Essa análise tem chegado às universidades brasileiras vindas das mais diversas culturas, o que mostra que temos uma predisposição ao convívio com as diferenças. No que diz respeito ao conteúdo, especificamente, não há relatos de grandes dificuldades. Ao contrário, os alunos costumam dizer que as universidades brasileiras cobram muito mais, avalia Márcio Venício, o desempenho com relação a conteúdos.

A UFRN tem se destacado no programa no quesito inclusão social. Todos os programas de mobilidade internacional oferecem bolsas, algumas delas excelentes e que cobrem toda a vida do estudante no exterior. “Entretanto, eles apenas recebem essas bolsas após informar o número do passaporte e apresentar o visto e o comprovante de proficiência em língua estrangeira”, afirma. Muitos alunos não poderiam participar sequer da seleção por não disporem de recursos para a documentação necessária. Para resolver esse problema, a UFRN, numa iniciativa inédita entre as universidade federais, utiliza parte dos recursos recebidos pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis para esse fim

PERSONAGENS

Tiago Dantas, 21 anos (Irlanda)

Filho da cidade de Jardim de Piranhas, terra do Padre João Maria, como gosta de frisar, Tiago estudou o ensino médio no Colégio Diocesano Seridoense, em Caicó, região Seridó do estado. Ingressou na primeira turma do bacharelado em TI da UFRN em 2013 e termina o curso a primeira turma concluinte no fim deste ano, com ênfase em Engenharia de Software. Entre agosto de 2013 e julho de 2014 teve a oportunidade de participar do programa Ciência sem Fronteiras na cidade de Limerick, na Irlanda. Estudou no Limerick Institute of Technology - LIT (Instituto de Tecnologia de Limerick), eleito o instituto de tecnologia do ano em 2013. “Me inscrevi no programa no último dia do prazo e a felicidade não cabia no peito quando recebi minha carta de aceite no dia 12 de julho”, lembra. “A ficha de que eu iria andar de avião pela primeira vez para ir estudar na Europa só caiu quando recebi a primeira parcela da bolsa na minha humilde conta bancária”, brinca. A experiência que obteve nesse período foi considerada fantástica por ele, não somente pela questão acadêmica, mas pelas pessoas e lugares que conheceu. Tiago pretende começar a carreira profissional através da bolsa de  empregos em pesquisa, desenvolvimento e inovação criada pelo Govenro para ex-participantes do programa. Atualmente é  estagiário na Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, onde trabalha como desenvolvedor de software colaborando com a informatização da empresa. “Atividade que contribui fortemente para o meu crescimento profissional e pessoal”, avalia.

Tharles Silva, 21 (EUA)
Integrante da primeira turma do bacharelado em Tecnologia da Informação da UFRN,  se inscreveu no programa quando ainda estava no segundo semestre. Como cursava antes Ciência e Tecnologia, já tinha os 20% do curso, como exige o programa.  Apesar de não ter sido direcionado para nenhuma das três universidades que desejava, foi locado na WIU ( Western Illinois University) na cidade de Macomb-IL. “Um dos principais objetivos do programa é o de evoluir o quadro de ciências no país e por isso o programa nos limita a estudar por no máximo um ano e meio e então temos que voltar, a ideia é ir lá fora evoluir e crescer academicamente e aplicar esse conhecimento aqui no Brasil”, afirma. Após o termino das aulas ele ainda fez um estágio na San Diego State University, trabalhando por dois meses no desenvolvimento de um website. Os EUA é referencia mundial no quesito tecnológico, e é lá que se encontram as melhores universidades da área, em sua avaliação, por ter o maior polo tecnológico do mundo, o Vale do Silício. O Vale do Silício é berço das maiores empresas de tecnologia do mundo, tais como: Google, Facebook, Intel, Yahoo. “Minha  experiência internacional foi sensacional e agregou muito. Ainda não sei se seguirei na área acadêmica, logo mestrado e doutorado é algo ainda a se pensar”, diz. Além de estudar e trabalhar, ele também participou de atividades esportivas como mountain bike, handball e futebol.

Herick Melo , 21 (EUA)
Herick estava finalizando o segundo semestre na UFRN quando um amigo surgiu com a ideia de se inscrever para o programa. Ainda no curso técnico em Informática no IFRN, ele e o amigo já falavam sobre essa possibilidade. A escolha pela  Loyla University Chicago, localizada na cidade de Chicago, no estado de Illinois, foi através de pesquisa em lista de aceitação em programa anterior “Foi então que comecei a pesquisar mais sobre a universidade, achei a cidade de Chicago interessante no geral e foi então que resolvi”, afirma.  Há um ano e cinco meses nos Estados Unidos, seu intercâmbio acaba agora em agosto. Ele participa de um projeto de um website para a universidade onde estuda,o que os americanos chamam de projeto de verão. A ideia é construir um portal web para conectar professores e alunos através de seus projetos e interesses, respectivamente. “Acredito que os Estados Unidos são o destino mais procurado para TI justamente pela força da região da California”, avalia. Ele pretende continuar a formação em TI, concluíndo sua graduação no Instituto Metrópole Digital e ingressar mais adiante em um mestrado e, futuramente, um doutorado. “Gostaria de fazer meu mestrado na França e meu doutorado na Espanha, focando meu estudo na área de websites e desenvolvimento mobile, mas isso são apenas ideias para o futuro”, planeja.

Anderson Santana, SAP Labs France 
Profissionais da área de Tecnologia da Informação são solicitados em várias partes do mundo. A área na UFRN abrange outros cursos além do recém-criado bacharelado em TI, e já tem um histórico de profissionais que saíram do país para ingressar em grandes corporações de tecnologia pelo mundo. Anderson Santana, pesquisador Senior Researcher, ilustra bem esse perfil de profissional. Trabalha na SAP Labs France, uma das maiores empresas de TI do mundo com mais de 290 mil clientes e mais de 70 mil empregados. A SAP tem um arrecadação anual de mais de 17 bilhões de Euros. Ele cursou Ciências da Computação entre 1996 e 2001 na UFRN, em seguida obteve o mestrado em Sistemas e Computação também na UFRN, e antes de seguir para doutorado na França, foi professor substituto na UFRN. Se estabeleceu na França e hoje, sua principal atividade é participar  de pesquisa e desenvolvimento em consórcios Europeus como o projeto A4Cloud, onde investiga como aumentar confiança na computação em nuvem. O projeto tem orçamento total de mais de 10 milhões de Euros. “Quando eu escolhi esta área eu não tinha ideia alguma de onde ia chegar”, avalia. Os programas de incentivo à iniciação científica, contribuíram bastante para isso também, segundo Anderson, apesar das dificuldades da época. “Os jovens potiguares precisam desenvolver o senso empreendedor num ambiente apropriado”, afirma, frisando que as ferramentas mais modernas de tecnologia estão disponíveis para qualquer pessoa.
 
Ciência sem Fronteiras
Dados sobre alunos dos cursos de Computação e Tecnologias da Informação na UFRN
- 125 bolsas na área de Computação e Tecnologias da Informação foram implementadas até março deste ano.
- Com esse número, a área tem a quarta colocação de envio de estudantes para o exterior dentro do programa:

Total RN – 1.695
UFRN – 1.443
Engenharia e Áreas Tecnológicas - 814
Biologia e Ciências da Saúde – 237
Indústria Criativa – 197
Computação e Tecnologias da Informação – 125

87% das bolsas implementadas pelo programa são para área da graduação

Os Estados Unidos são o destino mais procurados pelos alunos de TI, mas já foram enviados também para França, Canadá, Reino Unido e Austrália.

O aluno da UFRN que deseja participar de um programa de mobilidade, não apenas o Ciência sem Fronteiras, mas qualquer um dos doze programas disponíveis, deve atender tanto às exigências específicas de cada programa quanto as exigências internas da UFRN.

Para a UFRN, o aluno deve, basicamente:
- apresentar no mínimo 500 pontos no Índice de Eficiência Acadêmica Normalizado (IEAN);
- comprovar, através de uma carta de apresentação de um de seus professores, que seu curso sabe da sua intenção de participar da mobilidade acadêmica e que se considera que ele está preparado para isso;
- apresentar, quando necessário, comprovação de proficiência em línguas estrangeiras.

As demais exigências são próprias de cada programa, podendo ser diferentes em cada caso.


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