A rejeição ao governo

Publicação: 2018-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Woden Madruga
woden@tribunadonorte.com.br

No final de semana o assunto que mais dominou as conversas das feiras do interior, esticando pelos tamboretes dos alpendres, foi a pesquisa da Consult rastreando as eleições para presidente da República, Governo do Estado e Senado. Não há quem goste mais de política do que gente do mato, principalmente viventes de pequenas e médias cidades, dependentes de seus prefeitos, ouvintes de rádio e, hoje em dia -  no avanço do “modernismo”-, ligados também na televisão e nas ditas redes sociais, trocadores de mensagens. Sabem de tudo.

A desaprovação do governo Robinson Faria por 85,18% dos entrevistados dominou o miolo das conversas, mais até de que a amostragem da disputa para o governo do Estado (pesquisa estimulada), é liderada pela senadora Fátima Bezerra, do PT, com 27% das intenções de votos, 21 por cento a menos do total das intenções de votos que Lula obteve para presidente da República. Isso quer dizer que quase a metade dos eleitores de Lula não vota em Fátima.

A rejeição ao governo Robinson está chegando no mesmo terreiro da desaprovação do governo do presidente Temer, ao redor dos 90%. A desaprovação a Robinson é a mais alta da história política do Rio Grande do Norte, derna dos tempos de Manoel de Mascarenhas Homem. A pesquisa revela ainda que uma possível candidatura de Robinson a reeleição teria apenas 5,35% das intenções de votos (pesquisa estimulada). Logo em seguida, num quinto lugar, aparece o nome do vice-governador Fábio Dantas, parceiros, com minguados 1,82%. Um governo, realmente, altamente desaprovado.

Outro dado revelado pela pesquisa da Consult que tem provocado os mais variados comentários do eleitor espantado, da capital e do interior, é a elevada porcentagem de eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos listados para governador: 31%. Maior que o total de eleitores que votariam em Fátima Bezerra (27,12%). A esse contingente soma-se o eleitor que diz “que sabe em quem votar”: 12,29%. Temos aí um total de 43,29%, quase a metade de todo o eleitorado do Rio Grade do Norte, fato jamais constado em outras campanhas eleitorais por estas bandas de descrentes e indecisos.

Esses números estão causando, sim, espanto no eleitorado, pelo menos é o que pude constatar nas minhas conversas deste final de semanas com amigos das ribeiras de São Paulo do Potengi, Lagoa de Velhos, São Pedro, Barcelona, Sitio Novo, Eloy de Souza, São Tomé.

“Isso é o Rio Grande do Norte”. Assim como está estampado na exuberante e fantasiosa propaganda televisiva do governo Robinson.

Uma bagunça
E a eleição presidencial, como está o cenário?  A resposta pode ser dada pela analista política Eliane Cantanhêde, já sintetizada no título de seu artigo de domingo no jornal Estado de S. Paulo: “Uma bagunça”.  Transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- Tem alguma coisa errada quando o líder das pesquisas é um condenado e está com o pé na cadeia, o segundo colocado se empolga (e empolga) com uma “bancada da metralhadora”, o presidente mais impopular da história recente quer entrar na campanha e um ex-presidente que é réu e caiu por impeachment se lança candidato como se fosse a coisa mais natural do mundo. A sucessão tem nomes demais e candidatos viáveis de menos. Seria cômico, não fosse trágico.

- Está difícil decorar os nomes dos quase 15 candidatos e é impossível que todos eles vão em frente. No tão falado “centro”, o presidente Michel Temer dificilmente enfrentará uma campanha, o ministro Henrique Meireles não encantará nenhum partido e o deputado Rodrigo Maia tem resistências do próprio pai, o ex-prefeito César Maia. Logo, o mais provável é que Temer, Meireles e Maia acabem desistindo e afunilando para Geraldo Alckmin, do PSDB. E não é impossível que o MDB, com Mendonça Filho ou o próprio Maia, venham até a disputar a vice do tucano.

Adiante, a cronista vai citando outros prováveis candidatos, passando pelas várias categorias “ideológicas”:

- Pelas esquerdas, há os “nanicos” Manuela d’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), enquanto o nome real do PT não vem. À direita, concorrem o deputado Jair Bolsonaro (PSL), com ares azarão e pronto a colher dissidentes do MDB e DEM, o banqueiro João Amoêdo (Novo), esquecendo-se que o eleitor nem entende, mas não gosta do liberalismo puro, e o empresário Flávio Rocha, de que partido mesmo?

Chuva
Ontem, não foi divulgado o boletim da Emparn com as chuvas ou não do final de semana no Rio Grande do Norte. O último boletim foi de sexta-feira, 9. E aí já somavam dois dias sem ocorrência de chuvas em nosso Estado. Pelo que se vê pelos céus e pelo silêncio dos blogueiros, a carência de chuva já somaria quatro dias seguidos.

Mas no Ceará as chuvas continuam caindo. O boletim de ontem da Funceme dá conta de ocorrências em 45 municípios. A maior chuva foi em Ocará, região do Baturité, 45 milímetros.

De sábado para domingo em Fortaleza choveu 115 milímetros.

De Sanderson 
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras marcou para o dia 20, terça-feira (17h30) da outra semana, a sessão do necrológio de Sanderson Negreiros, que ocupava a cadeira 40. A oração de louvor será proferida pelo acadêmico Armando Negreiros.

Bibi Ferreira 
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:

- A Editora Cesgranrio vai lançar o livro “Abigail Isquierdo, vulgo Bibi Ferreira”. Trata-se de uma biografia da grande diva do teatro nacional, de 95 anos, escrito pela atriz e jornalista Jalusa Barcellos.

Praça 
Ouvi na calçada do Cova da Onça, uma boa notícia: a praça Capitão José da Penha, diante da Igreja do Bom Jesus das Dores, na Ribeira, será restaurada.

Que seja logo. Amém.


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