A retomada do inverno no semiárido

Publicação: 2018-12-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Antoir Mendes Santos
Economista

As chuvas que já começam a cair no mês de dezembro, em alguns estados nordestinos, reacendem as esperanças de um bom “inverno”, notadamente no coração do nordestino. Por se tratar de um período de baixa previsibilidade, não é possível antever com segurança o volume de precipitações nos meses que antecedem à estação chuvosa.

No Ceará, um dos estados nordestinos mais secos e com 95% de sua área encravada no Semiárido, a grande preocupação dos órgãos que administram os recursos hídricos é que a chegada da quadra chuvosa, que naquele estado se verifica de fevereiro a maio, encontre as bacias hidrográficas com baixa capacidade de acumulação, em decorrência da seca prolongada.

Dados do Portal Hidrológico do Ceará, indicam que as bacias do Coreaú e Litoral são as que apresentam um melhor cenário com, respectivamente, 64,7% e 60% de acumulação, com chances de atravessarem o ano de 2019, oferecendo água para o consumo humano e para as atividades econômicas. As bacias do Sertão de Crateús, Médio Jaguaribe e Banabuiú estão em situação crítica com, respectivamente, 6,1%, 4,9% e 7,3% de água acumulada, enquanto que as bacias da Ibiapaba com 32%, Acaraú com 26,1%, Curu com 11,1% e Baixo Jaguaribe com 32,2% de acumulação apresentam uma situação mediana.

No caso do sistema metropolitano que atende Fortaleza e seu entorno, mesmo estando interligado aos açudes Castanhão e Orós, sua situação se configura como preocupante, não só por estar com 27% de sua capacidade, mas, também, por ser responsável por atender ao consumo de uma região densamente povoada. A esperança pela regularização da oferta d’água nessa região, reside na chegada das águas da transposição do “Velho Chico”, prevista para o início de 2019.

Na Paraíba, os principais reservatórios do estado também estão abaixo de sua capacidade de acumulação. Integrantes da bacia do Piancó, os açudes Curemas e Mãe D’água estão em estado crítico com suas capacidades reduzidas para, respectivamente, 10,8% e 6,72%. Na bacia do alto curso do rio Piranhas, destacam-se os açudes São Gonçalo com 32,3% e Eng. Ávidos com 20,0%,ao passo que as barragens localizadas na bacia do alto curso do rio Paraíba, Sumé com 4,19%, São Domingos 9,14% e Epitácio Pessoa com 23,0% estão em situação crítica. No estado paraibano, de acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas(AESA), apenas os reservatórios Gramame com 77,0%, localizado na bacia de mesmo nome, e Marés com 62,3%, integrante da bacia do baixo curso do rio Paraíba, apresentam uma situação confortável.

No RN, às principais bacias do estado apresentam um comportamento semelhante. O monitoramento realizado pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos(SEMARH) mostra que a bacia do rio Apodi/Mossoró, com 44 reservatórios, está com uma capacidade média de acumulação de 28,54%, sendo que os quatro principais açudes, Santa Cruz com 23,4%, Umari com 36,8%, Pau dos Ferros com 3,7% e Lucrécia com 14,5% configuram um quadro de mediano para preocupante.

Por outro lado, a bacia do rio Piranhas/Assu, com 18 reservatórios e uma capacidade média de acumulação de 22,3%, apresenta uma situação preocupante, com a barragem Armando Ribeiro com 22,2% de acumulação, o açude Itans com 3,3%, Mendubim com 71,7%, Sabugi com 24% e Boqueirão de Parelhas com 30,7%. 

É importante ressaltar que as águas da transposição que chegariam ao RN, através do Piranhas/Assu, e que poderiam complementar a necessidade desse insumo para o consumo e atividades produtivas, ainda não têm data para ocorrer, enquanto que o projeto que permitiria a entrada das águas do São Francisco pelo rio Apodi/Mossoró, não saiu do papel.



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