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Alex Medeiros
A Revolta dos Anjos
Publicado: 00:00:00 - 20/03/2022 Atualizado: 11:49:15 - 19/03/2022
Alex Medeiros
[ alexmedeiros1959@gmail.com ]

Reprodução


Das boas coisas feitas no Brasil há cinquenta anos, em 1972, há uma dezena delas inserida na produção da dramaturgia televisiva, como as novelas Selva de Pedra, Uma Rosa com Amor (Globo); A Fábrica, O Preço de um Homem, Na Idade do Lobo, Vitória Bonelli e A Revolta dos Anjos (Tupi); O Príncipe e o Mendigo, O Tempo não Apaga, O Leopardo, Eu e a Moto (Record).

Hoje vou destacar a novela A Revolta dos Anjos, lançada pela Tupi no dia 8 de novembro de 1972 no horário das 20 horas, de segunda a sexta. Foi numa noite de quarta-feira e com boa repercussão nos jornais do dia seguinte. A notícia da estreia dividiu espaço de algumas capas com a vitória de Richard Nixon na eleição presidencial dos EUA, com 60,7% dos votos e 286 delegados.

A novela foi escrita pela socióloga e psicóloga Carmem da Silva, sendo a sua primeira incursão na dramaturgia televisiva, após se destacar no jornalismo com a coluna intitulada “A Arte de ser Mulher” nas páginas da revista Claudia.

Carmem inovou no roteiro dando um protagonismo múltiplo para as mulheres, impondo uma abordagem inteligente e humana. Tudo girava em torno das personagens de Eva Wilma, Beth Mendes, Geórgia Gomide e Elaine Cristina.

Os anúncios publicitários da novela, veiculados nos jornais e revistas, diziam “Os tempos estão mudando. E você?”. E arrematavam “Acompanhe de perto a novela que arranca a máscara dos preconceitos com a força da verdade”.

A imprensa deu grande espaço antes e depois da estreia, porque a TV Tupi havia prometido uma nova imagem com a primeira novela brasileira em cores. Mas o atraso de equipamentos deixou o pioneirismo para a rival Rede Globo.

Em menos de oitenta dias, em janeiro de 1973, a emissora de Roberto Marinho colocou nos lares do Brasil a novela O Bem Amado, sucesso com a marca de Dias Gomes e que entrou para história como a primeira em cores.

Mas Revolta dos Anjos manteve o nível das boas produções da TV de Assis Chateaubriand e segurou a audiência, com a direção de Henrique Martins num diferencial no ritmo acelerado que ele inseriu nas gravações com três equipes.

Eva Wilma (Sílvia) e Oswaldo Loureiro (Ricardo) eram o casal central com um trio de filhos nas peles de Beth Mendes (Stella), Ewerton de Castro (Raul) e Nádia Lippi (Norma). A primogênita jornalista e os outros dois adolescentes.

Silvia era bem casada e com uma vida confortável em família, embora maquiasse a frustração de uma carreira profissional como pianista. E sua promissora aventura musical fora interrompida exatamente pelo casamento.

A filha Stella começou a ter o mesmo problema, pois na condição de noiva de um jovem e rico economista, Bruno (Fausto Rocha Jr.), é provocada por ele a desistir do jornalismo, coisa que não bate bem com sua forte personalidade.

Aos 23 anos, Beth Mendes teve ali o grande impulso da carreira, iniciada 4 anos antes, em 1966, aos 16 anos, na série Águias de Fogo e nas novelas Beto Rockfeller (1968), Super Plá (1969) e Simplesmente Maria (1970).

Elaine Cristina (Diana) tinha 22 anos e vinha de três importantes trabalhos em 1971 nas novelas Hospital, O Preço de um Homem e Bel-Ami. Iniciou na TV aos 15 anos em 1965 na TV Excelsior com duas novelas. Já era uma estrela.

Geórgia Gomide aos 35 era um nome de ponta nos férteis anos da Tupi. Interpreta a experiente jornalista Laura, amiga de Sílvia é referência para Stella que se entusiasma com a sua liberdade e altivez de uma mulher divorciada.

Seu papel foi um estímulo à luta pelo divórcio, que só foi aprovado no país cinco anos depois, em 1977, através de uma emenda do senador Nelson Carneiro. A luta pelo divórcio no Brasil vinha desde 1893.

Ewerton de Castro, o Raul, filho do meio do casal protagonista, estava com 27 anos e foi rejuvenescido em dez anos no papel de um garoto de 17 inquieto e complicado como muitos adolescentes de ontem e de hoje.

A caçula Nádia Lippi, que com apenas 16 anos já denunciava a beleza de uma anatomia que estouraria pouco tempo depois em capas e pôsteres de revistas e nas capas de discos, era Norma, o brotinho pra frentex, como se dizia então.

Namorada de James (o ator Jacques Lagoa), o melhor amigo do seu irmão, Norma era avançada para aqueles tempos. Aliás, a jovem atriz tinha um namorado caído de ciúme quando a via na TV contracenando com o seu par.

No final de novembro, um ponto alto da novela: uma cena de incêndio numa favela foi gravada no bairro de Interlagos, diante de uma multidão que soube da presença dos artistas. Repórteres e fotógrafos acompanharam também.

A participação de soldados do Corpo de Bombeiros e da ROTA deu realismo às cenas com os atores Beth Mendes, Dennis Carvalho (Décio) e Antônio Fagundes (Vitor), o trio de jornalistas que atuavam numa revista semanal.

A notícia do fato saiu nos jornais juntamente com o nascimento de uma criança chamada Soraia Ribeiro, que veio ao mundo no Hospital 9 de Julho se tornando o centésimo milionésimo brasileiro. O Brasil dos 90 milhões de 1970 passava a ser dos 100 milhões em ação.

Oposição
De tanto urubuservar a cena política local em tempos eleitorais, desconfio que não é difícil o caminho para derrotar Fátima Bezerra. Passa por Álvaro Dias e Ezequiel Ferreira, mas tem em Styvenson Valentim uma misteriosa incógnita.

Chuchu
Em curta mensagem, Geraldo Alckmin decretou que “o tempo de mudanças chegou” e mudou de partido, saindo do bico tucano para a asa da pomba. Que no PSB, consiga explicar nas andanças paulistas os atalhos das tais Ecovias.

Brasil
 Poeta, escritor, jornalista, romancista, ensaísta, cronista e advogado, o também político paulista e modernista Menotti Del Picchia nasceu num dia como hoje em 1892. Em 1927, ele bradou no Parlamento, “não, o Brasil não está perdido”.

Mulher
Uma boa parte dos imortais da Academia Norte-rio-grandense de Letras converge na opinião de que uma mulher deve ser a próxima eleita. Daqui distante, vejo duas que já deveriam estar lá: Nivaldete Xavier e Marize Castro.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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