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Fim de Semana
A Ribeira floresce
Publicado: 00:00:00 - 10/09/2010 Atualizado: 20:16:29 - 09/09/2010
Segundo bairro mais antigo de Natal, palco histórico importante por natureza, a Ribeira vive de eternas “revitalizações”. Enquanto a definitiva não chega, iniciativas particulares têm contribuído para que a ‘cidade baixa’ mantenha um pouco do glamour e importância que possuía em épocas passadas. Pelas ruas pouco conservadas destacam-se antiquários, uma recente loja de paisagismo, além dos bares, boate e projetos que trazem música de boa qualidade para ouvidos mais antenados. Apesar da paisagem um tanto embotada pelo tempo e pela falta de atenção pública, a Ribeira ainda guarda seus charmes. Basta procurar.

Roberto Luiz: O bairro ainda não perdeu o charmeA rua Dr. Barata recebeu há três meses a colorida presença da Florescer Paisagismo. A arborizada loja foi instalada num prédio de 160 anos, e que desde os anos 40 do século passado está na família de Marcelo Cabral Fagundes, o atual proprietário da casa. A Florescer existe há 13 anos. Começou em Nova Parnamirim, foi para a rua Mipibu e agora se instalou na Ribeira. “Aqui foi uma das primeiras farmácias de manipulação da cidade. O prédio estava fechado há anos. Até que resolvi apostar no bairro. Acredito que haverá uma revitalização natural devidos aos empreendimentos residenciais que estão surgindo no bairro”, explica.

O prédio da Florescer foi reformado e adaptado. “Ele já estava muito descaracterizado, mas procuramos integrá-lo com a proposta da casa atual”, explica Marcelo. Há uma parte aberta, onde estão as plantas, aproveitando a areação e iluminação naturais. Na parte interna ficam os vasos de cerâmica rústica ou esmaltada. Destaque para o balcão centenário de cedro, original do prédio. A Florescer projeta, executa e faz manutenção de jardins. Os destaques são as plantas ornamentais, como orquídeas, bromélias, palmeiras, entre várias outras. Segundo Marcelo, a clientela para isso vai muito além da Ribeira. Tel.: 3201-4743.

Em um bairro antigo, um antiquário está à vontade. Foi assim que pensou Roberto Luiz quando abriu, há oito anos, o Galpão 223. “Pensei num lugar com o perfil do bairro. Sempre gostei de história e antiguidades, portanto, a Ribeira pra mim sempre foi o lugar perfeito”, diz. O Galpão é um estreito e comprido prédio de dois andares, repleto de móveis, adornos, luminárias, porcelanas, quadros, bibelôs, e uma série de quinquilharias que dão um clima especial ao ambiente. A sensação é de estar num museu de arrumação caótica. Há peças que não são exatamente antigas, mas feitas de “madeira de demolição”, ou seja, de madeira antiga reciclada para virar novos móveis. Há de tudo um pouco, entre baús, cristaleira Maria Antonieta, penteadeiras, cômodas, até máquinas de fotografar e datilografar antigas. “Tenho um público de ‘A a E’. Arquitetos e decoradores de hoje são ecléticos, misturam estilos, e se inspiram aqui”, afirma Roberto. Ele afirma que a revitalização “faz-de-conta” atribuída à Ribeira não chega a tirar o charme da casa, mas “poderia ser séria, para variar”.  Tel.: 3211-8091.

O antiquário Ribeira Antiga tem 10 anos de mercado, e encontrou o espaço ideal no velho bairro. “Consigo boa parte do meu acervo com gente que não tem mais onde deixar suas relíquias, que os filhos ou netos não querem, ou os apartamentos minúsculos não deixam”, conta o proprietário Manoel Felipe Neto. A loja apresenta, de forma organizada, um bom acervo de peças que foram modernas...há 60 anos. Há rádios valvulados, jukeboxes, e móveis que reuniam vitrola, rádio (e até televisão) numa só peça. Tudo funcionando perfeitamente.

Há ainda relógios de parede “oito” ou cuco, bustos, cristaleiras, mesas, cadeiras, baús centenários, um piano (de jacarandá),   incluindo os móveis de madeira de demolição – alguns por encomenda. Os antiquários também locam suas peças para decoração de vitrines, espetáculos teatrais, comerciais, e até filmes, como “As pelejas de Ojuara”.  Para Felipe, a Ribeira é o lugar certo. “O cliente não tem problema com o bairro, apesar de estarmos longe do circuito badalado”. A antiguidade é o charme da Ribeira. Tel.: 9956-5775.

Noite da Ribeira resiste aos problemas de segurança

À noite, a Ribeira canta e dança. Pelo menos nos fins de semana, por iniciativa de empresários que acreditam no ancestral espírito boêmio do bairro. Há 16 anos a cabeleireira Nalva Melo se instalou na Ribeira, e desde 98 passou a investir numa programação cultural. Já realizou shows de rock e MPB, peças, bazares, festas e exibições de filmes. “Não posso ter uma programação fixa, já que não temos nenhum incentivo fiscal. Mas eu continuo porque amo o bairro. Precisa ter coragem mesmo”, diz. O Nalva Melo Café mantém fixa só a programação com o Cineclube, exibindo filmes na primeira sexta do mês.

O Buraco da Catita é o atual carro-chefe da Ribeira noturna. O projeto teve que se reformular, e desde julho voltou de cara nova. O bar foi reformado, a travessa recebeu luz e calçamento, e a programação foi ampliada. Às quartas tem dança, poesia, teatro e bailes; às quintas, música de câmara e jazz; e na sexta, o tradicional chorinho, que atrai centenas de pessoas. No sábado, virá futuramente uma feijoada. Para o músico e idealizador Camilo Lemos, o que falta na Ribeira são acertos não tão difíceis de se fazer.  “O estacionamento e maior segurança. Aqui na Ribeira só não tem padaria e farmácia. O resto pode ser resolvido”, afirma.

O bar  e espaço cultural DoSol abriu em 2004 como um território roqueiro para shows. Abriga regularmente uma programação aos fins de semana com bandas locais (80%), nordestinas e demais regiões. De lá também nasceu um festival, que terá sua 7ª edição em novembro. O produtor e músico Anderson Foca lamenta a sensação de abandono que sempre ronda a Ribeira. “É uma sensação falsa, já que temos muita vida e movimento por aqui. Os empresários e o público sabem disso, mas o poder público parece ignorar”.

A cantora e DJ Karol Posadzki resolveu levar à frente o seu Galpão 29 (antigo Blackout), há cinco anos, e foi aos poucos solidificando o público da casa. “É uma casa de proposta contemporânea. Procurei não fazer nada igual ao que já havia antes, para diferenciar”. Atualmente abre só aos sábados, com foco em festas temáticas com DJs. Mas novos planos estão à vista: estou planejando uma sexta só com bandas de trabalho autoral, de qualidade. No local, ouve-se de pop FM a funk carioca, passando por indie rock e música eletrônica. Para Karol, não adianta esperar pelo poder público. “Só acredito no investimento particular. A Ribeira não entra mais em roteiro de modismo. Só vai quem se sente em casa”, diz.

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