A roda viva dos técnicos

Publicação: 2014-09-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Everaldo Lopes [e_lopes@tribunadonorte.com.br]

Fundados em 1915, ABC FC e América FC, pode se dizer sem medo de errar que os dois primeiros clubes potiguares têm uma relação de técnicos de futebol das mais   numerosas  em comparação com o  total de jogadores que formavam seus elencos. Com exceção dos primeiros técnicos, todos eles apenas curiosos que pouco entendiam do chamado “esporte bretão” - todos amadores, trabalhavam sem remuneração alguma, pois quase sempre faziam parte das diretorias do clube. O “técnico” mais famoso do ABC – Vicente Farache, em várias ocasiões atuou como técnico e jogador (ponta direita), adotando o sobrenome Farache como marca. A família Farache era constituída de italianos que escolheram Natal como uma nova pátria. Vicente adorava futebol, seu irmão Tonho Farache era quem transportava os jogadores do ABC num velho Ford sem capota.

A roda viva (2)
“Doutor Vicente” - assim era conhecido chegou em Natal quando o ABC já havia sido fundado, como gostava de futebol passou a jogar na ponta direita e, logo cedo aceitou treinar a equipe principal. Apesar de ter seu nome ligadíssimo ao clube, jamais aceitou ser presidente. O ABC era sua paixão, não teve filhos com a sua mulher, a chilena Maria Lamas Farache. Na ânsia de ser mãe, d. Maria Lamas tentou um filho aos 40 anos, mesmo sendo advertida pelos médicos, de que haveria risco. Faleceu aos 40 anos, sem a alegria de ser mãe.

Os que vieram depois
Depois de Farache, os primeiros “técnicos” do Alvinegro  foram José Francisco Filho, José Paes Barreto, Potiguar Pinheiro, Cantídio Guerra, Carlos Freire, o eng.º Carqueja e Fuentes, o próprio Farache, Nezinho (jogava e treinava o time), até que o ABC foi buscar na Paraíba o técnico Edésio Leitão. Para ganhar mais uma grana, Edésio dividia suas atividades como propagandista de laboratórios, nas horas vagas treinava o time titular. Era pernambucano, destacava-se pelo prestígio que conquistou junto ao futebol pernambucano. Tinha fortes amizades em todo Nordeste.

TÉCNICOS REMUNERADOS
Já com elenco numeroso, o ABC teve que contratar técnicos remunerados, e aí chegaram acertou com Teixeira, Nezinho I e Nezinho II, o gaúcho Álvaro Barbosa, o uruguaio Luiz Comitante e  o argentino Dante Bianchi, enquanto os dirigentes americanos mandavam vir o uruguaio Emiliano Acosta, depois o gaúcho Álvaro Barbosa - este revezando ora no ABC, outras vezes no rival América. O clube rubro com o “oriundo” Walter Luck, ainda sem falar fluentemente o português, Walter destacava-se pela altura pouco comum (2m).

A VEZ DOS VETERANOS

Era mania, na época, jogador transformar-se em técnico, despontando Osiel Lago (meio-campista), Cezimar Borges (ponta esquerda) Herwin Hackradt (zagueiro), José Maria Pinto, (dublê de fisicultor e treinador), entre outros. O Alecrim FC teve seus famosos: Ivo Hoffmann, o surinamês Roberto Rack, Marinho Chagas (ao parar como jogador), também ex-jogador Scala, Charles Omeña, tenente Jorge Level e o mais badalado e pioneiro, o cabo pernambucano Alexandre Kruse, o primeiro a apresentar diploma de técnico, já naquela época.

Bom mesmo é a Série “B”

Assino embaixo a opinião do companheiro aqui da TN, Marcos Lopes, quando no seu blog ressalta a importância que é disputar a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste, mas que – apesar da premiação alta das duas, nem assim supera o “gosto” de participar da série “B” do Campeonato Brasileiro (partindo do princípio de que a série “A” é quase uma utopia  para 90% dos times postulantes). Disputar a série “B” é estar sempre na vitrine, embora tenha o lado negativo que é o sufoco de fugir da Z-4 nas últimas rodadas. Nos primeiros anos da série “B”  não havia cobertura das tevês como ocorre atualmente. ABC e América já passaram por vários vexames e o sobe/desce,  os rubros ainda sentiram o prazer de disputar a “A”, sempre muito difícil, quase impossível chegar lá. 

OS CAUSOS DO FUTSAL

Nesta terça-feira, a partir das 18h30, na AABB, o prof. Jamilson Martins autografa seu mais novo título, 170 páginas, orelhas de Albimar Furtado, sob título “Histórias e Causos do Futebol de Salão -RN”, organização de Rayane Cunha, impressão WP Gráfica.

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