A saga dos Trapalhões ganha documentário ‘não autorizado’

Publicação: 2019-12-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Por décadas, Os Trapalhões foram representantes de um humor que alcançava todas as idades. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias apostavam na comédia inocente, inspirada na forma circense, mas também em esquetes que podem parecer politicamente incorretos para os dias de hoje. Essa trajetória, que não foi tão harmoniosa como se via na telas da TV e dos cinemas, será contada por Rafael Spaca no documentário Trapalhadas Sem Fim.

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Spaca, que já fez dois livros sobre o grupo, As HQs dos Trapalhões e O Cinema dos Trapalhões, é fã do quarteto desde a infância. O diretor falou com 64 pessoas para o filme, financiado por ele e pelo produtor Atilio Bari, que apresenta o programa Persona em Foco, da TV Cultura. A última entrevista ocorreu no mês passado, com Pelé, que participou do longa  Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986). O documentário tornou-se motivo de polêmica, já que Renato Aragão e Dedé Santana, os dois Trapalhões  ainda vivos, não apoiam a produção.

Mesmo assim, vários exibidores já procuraram Spaca para comprar os direitos de Trapalhadas Sem Fim. Assim que um acordo for fechado, o diretor começa o trabalho de pós-produção e montagem do documentário. Estão previstos dois cortes, um para o cinema e outro para a televisão, em cinco episódios.

O diretor conheceu Aragão em 2016, durante entrevista para O Cinema dos Trapalhões. "Ele elogiou minha pesquisa e meus dois livros são fonte bibliográfica do livro dele", conta Spaca. Ele afirma que mandou o projeto completo do documentário para o humorista e não recebeu resposta.

Ao reenviar o projeto, recebeu uma mensagem de Aragão dizendo que ele não estava autorizado a fazer o filme. "Você não pode me proibir de fazer, você pode não me dar entrevista", respondeu Spaca. "Ele viu que a pesquisa estava avançando quando me aproximei da Xuxa e do Roberto Guilherme (intérprete do Sargento Pincel). Mandei um pedido de entrevista para a Xuxa, via assessoria de imprensa, e quem responde é a Lilian Aragão, dizendo que eu estava proibido de fazer o filme", diz o diretor.

Para Spaca, Aragão é contra outras visões sobre ele e Os Trapalhões. "Ele tem noção que não vai ser só confete. As pessoas falaram dele espontaneamente, coisas que estavam entaladas." O diretor entrevistou pessoas que trabalharam diretamente com o quarteto nos bastidores, incluindo o ex-empresário Élcio Spanier, a camareira e até o gerente da agência bancária em que eles tinham conta.

O ator Ferrugem, que participou de programas dos Trapalhões ainda criança, lembra que reclamou com o roteirista Wilson Vaz que sua participação estava ruim. Segundo Ferrugem, Vaz o levou até uma sala, mostrou um monte de folhas de papel e falou: "Isso aqui é o texto que eu faço pra você e o Renato não deixa passar". Já o ex-empresário Spanier dá uma declaração ponderada sobre Aragão. "Se eu não cuidei de mim, o erro não é do Renato. Se o Dedé não cuidou dele, não pode botar a culpa no Renato."  No trailer de Trapalhadas Sem Fim, disponível no YouTube, outros entrevistados fazem elogios ao grupo. "Essa própria falta de responsabilidade, ou de respeito pela visão adulta, enriquecia o humor deles", afirma Caetano Veloso, que citou nominalmente os quatro integrantes na música Jeito de Corpo. "Foi um marco dentro do humor brasileiro", fala Ney Matogrosso, que não se sentia desrespeitado pelas imitações que Aragão fazia dele.

Spaca contratou uma advogada para lidar com questões sensíveis do filme. Uma delas é como utilizar a imagem dos humoristas. O diretor afirma que, com a negativa de Aragão em participar, não deve conseguir trechos de programas que pertencem à TV Globo.




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