‘Serão 2 mil vagas no concurso da PM’

Publicação: 2016-01-31 00:00:00 | Comentários: 0
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» ENTREVISTA » Dancleiton Pereira Leite - comandante-geral da PMRN

Ricardo Araújo
Repórter


Há menos de 15 dias à frente do Comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o coronel Dancleiton Pereira Leite anuncia: “Não tenho pretensão de ficar muito tempo. Eu quero ficar só o tempo necessário. Há tempo de chegar e há tempo de sair”. Invocando a sabedoria divina através da leitura diária da Bíblia, item indispensável em seu birô, o coronel com experiência de quase 30 anos na Corporação avalia problemas, aponta soluções e promete devolver a sensação de segurança ao cidadão comum. Ele, enquanto cidadão, se diz seguro no estado potiguar. Sobre a saída do Cel. Ângelo do Comando Geral, ele afirma que é uma situação passada e que houve certo “exagero”. Conheça, a partir da leitura da entrevista ou do vídeo publicado logo abaixo, um pouco mais do novo comandante-geral da PMRN.
Júnior SantosNovo comandante da PM, Cel Dancleiton Pereira, anuncia que concurso deve ofertar 2 mil vagasNovo comandante da PM, Cel Dancleiton Pereira, anuncia que concurso deve ofertar 2 mil vagas

Qual é, nos dias atuais, o principal problema da Segurança Pública potiguar?
É a falta de harmonia, de integração geral de todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão ligados ao sistema de Segurança Pública. A Policia Militar, a Policia Civil e o Corpo de Bombeiros já andam bastante integrados, mas falta os outros órgãos que se relacionam com a questão da Segurança Pública andarem juntos. A gente acredita que esse é o caminho: de união e de unidade para a gente combater esse mal.

Há uma disputa de poder entre Polícia Civil e Militar no RN?

Eu não digo que haja uma disputa. Mas falta uma maior integração e harmonia entre esses órgãos. A solução para isso é estar mais junto, ouvir a sociedade, o que a população tem a dizer para que nos aliemos nessa luta, nesse combate.

O senhor poderia listar as deficiências mais evidentes da PM nos dias de hoje?

A principal deficiência hoje na PM é o completamento do efetivo. Isso não quer dizer que, o efetivo por si só, resolva todo o problema. São duas coisas que a gente tem e que é muito importante: o número de policiais, mas também a qualificação deles. Um policial bem preparado, bem treinado e também suprida as suas necessidades básicas como salário em dia, promoções, fardamento, armamento e o equipamento que ele usa. São essas coisas: assistência religiosa, de saúde, hospital. Tudo isso trabalha a motivação do policial militar e sua segurança jurídica na sua ação policial.

Qual será seu papel enquanto comandante-geral?
Nós somos o principal representante dos policiais militares. Dos soldados mais novos aos policiais mais antigos. Então, a função do comandante é representar a PM junto ao Governo do Estado para que as suas garantias, a promoção, o  salário, a ascensão funcional aconteça normalmente. Para que eles tenham uma segurança na sua profissão, no seu dia a dia.

O novo comandante-geral terá voz ativa junto ao governador Robinson Faria?
Desde o primeiro dia, quando eu fui convidado para ser o comandante, eu disse ao governador que o comandante da PM só pode ser comandante se tiver, junto ao Governo do Estado, total acesso e legitimidade com relação às demandas da Policia Militar. E, de pronto, o governador se comprometeu, disse que iria dar total apoio e que tinha livre acesso a ele, à Secretaria de Segurança. Sem esse apoio, nenhum comandante tem condições de comandar a PM.

Em relação à devolução dos policiais pelos órgãos, como está esse processo?

No ano passado, foi feita uma devolução por todos os órgãos onde havia policiais militares. Ou reduziram. O mínimo ficou. Não poderia retirar 100%. Uma boa parte retornou à instituição. Claro que nós vamos continuar ainda nessa demanda, para que cada vez mais os policiais militares que estejam em outras funções, retornem. Algumas funções são necessárias sim que haja policiais militares, porque estão ligadas diretamente à função policial.  Como dar segurança nas audiências das varas criminais. Dar segurança ao judiciário nas audiências, porque também está promovendo a Justiça. Então, nesses lugares, é realmente necessária a Polícia Militar, para que haja colaboração aos outros órgãos. Quando a gente dá segurança à Justiça, a Justiça também vai funcionar melhor.

Quanto ao anunciado e aguardado concurso, quantas vagas serão oferecidas?
Foi feito um levantamento. Serão duas mil vagas para concurso na Policia Militar. Para todos os quadros: soldado, oficial e também na área de saúde, que é muito importante ter o hospital funcionando para dar suporte ao policial militar.

Quando será aberto?

O Governo tem anunciado que sim, está se esforçando para que esse ano, ainda, seja aberto esse concurso. E a gente está ansioso esperando.

Desde que o senhor entrou na PMRN, há quase 30 anos, o que evoluiu na instituição?

A PM evoluiu primeiro em tamanho. Quando eu entrei, a PM tinha três batalhões. Hoje ela tem 14 batalhões (12 BPMs, o Bope, o Choque, ) e mais cinco companhias independentes. Eu entrei numa Policia de 3.200 homens e hoje são 8,5 mil, mas com previsão de ter 13 mil. A PM cresceu em número e também em qualificação. Hoje, o policial militar, pela exigência mesmo da sociedade, é muito mais qualificado. No passado, o policial dava conta, mas o estado era outro, a população do estado era outra, hoje nos temos 3,4 milhões de pessoas em 167 municípios. A questão das mídias sociais hoje, a proximidade da comunicação, tudo hoje é mais rápido. A PM teve que se adaptar e houve-se uma melhora do policial militar.

E quais são os retrocessos?
Eu, sinceramente, não vejo retrocessos. Apenas avanços. A PM só avançou. Não retrocedemos. É até difícil fazer uma comparação entre hoje e 30 anos atrás. Até mesmo a nossa cidade mudou muito. Em 30 anos, Natal cresceu. Então, não vejo comparação considerando que hoje o policial é muito mais exigido. Eu não vejo retrocesso.

Quais foram suas exigências para aceitar o Comando Geral da PM?

A primeira coisa foi a garantia das promoções dos policiais militares, trazer de volta a motivação da tropa. Isso foi concedido. Na minha primeira segunda-feira eu fui assinar as promoções dos militares para trazer de novo a motivação. O policial motivado rende muito mais. É o que esta acontecendo. É o mesmo efetivo, são os mesmos policiais que estão nas ruas. Mas, um pouquinho só de motivação a mais, já trouxe mais produção e trabalho.

Haverá modificação ou unificação de batalhões?
Sim, com certeza. Esse é o ideal. A gente tem que avançar nisso. Vai voltar o que tinha no passado, o chamado COPI (Comando de Policiamento Integrado). São cinco, seis viaturas – viatura da PM e PC – que vão ficar itinerantes. Tático itinerante no interior do estado devido aos problemas do interior, a distância, questão territorial. As divisas com os outros estados, a questão do estouro de caixa eletrônico, então, a gente vai voltar isso aí. É um trabalho integrado e isso vai começar em breve.

Sobre as fugas no Sistema Prisional, com foco em Alcaçuz, como o senhor avalia? Há facilitação?

Há um questionamento antigo sobre a localização do presídio, que foi construído num solo não propício. Desde muitos anos se fala nisso. É o primeiro ponto. Há também a questão interna da superlotação. Esse é o maior problema. O sistema prisional, o objetivo primeiro dele, é fazer cumprir a pena e também a questão da ressocialização do apenado. Quando isso não acontece, gera-se uma crise interna. Uma crise interna nos presídios, essa pressão causa todos esses problemas. Se o sistema não funciona lá dentro, se ele não vai cumprir a pena, se não há um trabalho em cima daqueles apenados que desejam mudar de vida, isso vira uma panela de pressão e, uma hora ou outra, ela vai arrebentar.

Como o senhor avalia as Audiências de Custódia e atuação do Poder Judiciário potiguar?

Essa discussão é em outra esfera. A questão da Audiência de Custodia é muito recente e está sendo amplamente discutida. Eu não fico à vontade para falar sobre esse assunto. eu sou do Executivo e meu papel é motivar os militares, colocá-los nas ruas, executar o policiamento ostensivo. É essa minha competência e é isso o que iremos fazer.

Há possibilidade de mudança da escala de trabalho dos soldados com vistas à ampliação destes nas ruas?
Isso está previsto na nossa nova Lei de Organização Básica, a LOB. É um trabalho que foi feito em 2015, aonde restrutura a PM. Nessa restruturação, que foi um trabalho amplamente discutido com as representações da PM, ela divide todo o estado em cinco regiões e cada região tem sua unidade. Com a nova LOB, o comando regional vai agregar  forças policiais e vai planejar e aplicar estrategicamente. Na Região Metropolitana será criado o Comando Especial que vai aglutinar BPChoque, Patamo e Rocam que será transformado num batalhão que será a ROTAM, que vai ser a unificação do Patamo e Rocam, deixando livre o BPChoque para cumprir sua missão, que é controlar o distúrbio civil, controlar o sistema prisional e praças desportivas. Hoje, o Choque faz isso e o patrulhamento tático móvel. Fazendo essa divisão, ficarei com uma tropa de pronto emprego, pronta para embarcar. Isso está na LOB e depende de uma aprovação do Governo do Estado, pois é uma lei. Vai melhorar muito a atuação da PM.

A Ronda Cidadã é viável?
A Ronda Cidadã ainda é muito nova, muito recente. Mas o que a gente pode dizer é que 80% da população aprova. Precisa melhorar? Precisa. Como é uma novidade, precisa ser aperfeiçoada.   A Polícia tem que se tornar parceira da comunidade para que possa atuar mais próxima da população. Nós acreditamos nesse projeto. Um projeto desse, se não for mantido na sua doutrina, não irá funcionar. Tem que ter o efetivo, viatura, equipamento, uma atenção especial. Está dando muitos bons resultados nas áreas em que foi instalada e nós vamos continuar.

Do que depende para expandir?
Depende de aumento de efetivo, que é o básico. Sem efetivo, não conseguimos avançar nesse projeto.

Sobre as declarações de que o Cel. Ângelo foi “bode expiatório”, o que o senhor diria?
Eu vejo como exagero. Houve um exagero, uma interpretação equivocada. Todos nós, como policiais militares, sentimos. Mas eu entendo isso como uma situação superada. Algumas pessoas se aproveitaram da situação para gerar uma polêmica em cima disso.

Sua pretensão era ser comandante-geral?

Eu não queria ser comandante-geral. Tanto é que eu solicitei a minha licença especial e em seguida eu ia embora para a reserva. Foi aí que eu fui convidado para ser o subcomandante e, em 30 dias e para minha surpresa, fui chamado para ser comandante-geral. Eu encarei isso como uma missão e eu, enquanto eu vir que estou nessa missão, irei cumprir. É muito difícil ser comandante-geral e eu fui colocado num momento muito difícil. Estou aqui pela fé e renovando as minhas forças diante de Deus todos os dias. Eu não tenho pretensão de ficar muito tempo. Eu quero ficar só o tempo necessário. Há tempo de chegar e há tempo de sair. O homem sábio é aquele que sabe a hora de entrar e a hora de sair.

O senhor se sente seguro no RN?

Não é utopia o que eu vou falar, mas eu me sinto seguro. A questão da segurança é muito individual. Eu moro num  lugar de pessoas simples, frequento padaria, ando na praça. Meus filhos fazem a mesma coisa. Quando a população recua, sai das ruas e se tranca dentro de casa, favorece também a marginalidade. O momento é de restabelecer a moral da tropa, que ela reaja e mostre que está pronta para dar resposta. A população tem que dizer que quer mais Polícia.



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