A sombra japonesa do gênio

Publicação: 2019-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Há quem diga que o futebol surgiu no Japão no ano 4.500 a.C., ou dois mil anos antes de aparecer na China, tida como origem. Na terra do sushi, o jogo tinha o nome de Kemani, criado na época dos imperadores Engi e Menrei. Jogava-se próximo às cerejeiras.

Já na terra do arroz, tinha o nome de tsu-chu e significava golpear a bola com o pé. Diferente dos japoneses, a atividade chinesa não tinha ares lúdicos, era um treinamento que o imperador Huang Tse dava aos seus bravos guerreiros.

Registros orientais à parte, a verdade é que o bom futebol, como assistimos há mais de cem anos, é este mesmo inventado pelos ingleses e trazido para o Brasil por Charles Miller, em São Paulo, e Oscar Cox, no Rio de Janeiro.

Em tempos modernos, o Japão só aprendeu a jogar bola depois da chegada de Zico na terra do Sol levante. O galinho está para a bola assim como o herói nacional Myamoto Musashi está para a arte das espadas.

Zico não fala japonês, e quando treinava a seleção local só dois jogadores falavam com ele, o brasileiro Alessandro e o craque do time, Nakata, que arranha no italiano que ele, Zico, aprendeu um pouco ao tempo do Udinese.

Todos os obstáculos da língua nipônica eram superados pela presença constante de Kunishiro Suzuki, amigo e tradutor que transmitia não apenas as palavras, mas também gestos e sentimentos expressados por ele e os atletas.

Muitos anos antes do Japão aprender futebol, Kunishiro já era um profundo admirador da arte brasileira, louco por Pelé e alucinado pelas histórias da seleção tricampeã de 1970.

Tal paixão levou-o a fugir para o Brasil, com apenas 16 anos, escondido num contêiner de um navio. Era o começo dos anos 1980, a era de Zico. E enquanto Pelé se mantinha na memória, Zico era a história diante dos seus olhos.

Kunishiro aprendeu português rápido, graças a um emprego de guia turístico no Rio de Janeiro, que também lhe aproximou do ídolo. Depois da amizade feita, conseguiu convencer o craque a contratá-lo como tradutor no Kashima Antlers.

Lá chegando, virou uma sombra, um grilo falante a emitir o pensamento do ídolo e amigo. Quando a seleção do Japão foi encarar a do Brasil, Zico disse que não passou quase nada para o elenco, todos já acostumados com o toque brasileiro. In loco.

No futebol feminino, o Japão já papou uma taça; e no masculino tem boas passagens por vários torneios, com um belo desempenho na Copa América diante do Uruguai. O toque de bola tem o DNA do gênio do Flamengo.

A bola japonesa foi costurada no alinhave do galinho.  Transmitido ao país inteiro pelas palavras e gestos de Kunishiro Suzuki, o amigo, tiete e funcionário que foi a própria sombra de Zico nos dias de glória do outro lado da Terra.

Acusou o golpe
Enorme a repercussão do discurso emocionado de Rodrigo Maia na votação do texto-base da Reforma da Previdência. Diante da derrota acachapante da oposição, restou à extrema imprensa ‘aboiar’ o protagonismo do deputado.

Urge a reforma
Na fala do presidente da Câmara, o dado cruel da máquina pública que aniquila o País: no nirvana das castas dos servidores, há salários 67% mais altos que as funções similares do setor privado. A maioria sustentando a minoria.

Consagração
Imaginei as fuças de muxoxo daqueles que insistem em não reconhecer o grande quadro político do RN no cenário amorfo da nossa bancada. Rogério Marinho ovacionado pelo plenário ao ser citado por Rodrigo Maia.

Intercept
O promotor público potiguar Giovani Rosado rebateu bem a uma chamada do Estadão no Twitter sobre o Coaf não ter informado ao TCU se havia ou não investigação sobre o jornalista e hacker americano Glenn Greenwald.

Intercept II
“E se houver indício de infração penal contra o jornalista, é proibida a investigação? E se a apuração for sigilosa, por tratar de operações bancárias atípicas, o sigilo seria suspenso sem decisão judicial?”, postou Rosado.

Mais piada
Quando apareceu no BBB, em 2005, Jean Wyllys já se mostrava uma piada pronta num país infeccionado culturalmente por celebridades ocas. Agora, seus advogados querem processar quem replicar no Twitter o Pavão Misterioso.

Boicote
Os telefones do departamento de assinaturas da revista Veja não param de tocar. São centenas de pedidos de cancelamento, consequência de uma campanha de protesto nas redes sociais por admiradores de Sergio Moro.

Mama África
Tenho acompanhado os jogos da Copa das Nações, que reúne 24 seleções africanas. E na percepção do que tenho visto arrisco-me a dizer que Egito, Marrocos e Argélia ganhariam fácil dos homólogos da Copa América.

Luto na Inglaterra
Annabel Goldsmith
O casal Bem Goldsmith e Kate Rothschild, representante de duas das maiores fortunas da Europa, vive momento de devastação emocional após perder a filha Annabel Goldsmith, de apenas 15 anos, num acidente envolvendo um quadriciclo guiado pela garota durante as férias no condado de Somerset. Ela teve morte instantânea. O trágico episódio comoveu todo o Reino Unido.





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