A sorte está lançada

Publicação: 2020-09-17 00:00:00
A+ A-
Garibaldi Filho
Ex-senador da República 

A partir de agora temos as candidaturas homologadas para prefeito e vereador dos municípios. As convenções, na sua grande maioria, não permitem que se faça uma melhor avaliação de como se desenvolverá cada campanha. Devemos esperar que o decorrer das próximas semanas venha a desenhar um melhor perfil de cada candidato. Recorramos, nessa matéria, ao que diz o nosso conterrâneo e cientista político Gaudêncio Torquato: “A campanha será uma parede de mosaico de cores diferentes, com os candidatos prevalecendo sobre os partidos”.

Essa foi sempre a nossa expectativa, até que se possa fazer uma verdadeira reforma política no nosso país. Além disso, as convenções, neste ano, foram muito enxutas da presença popular, ou até mesmo cartoriais, e inibiram os candidatos nas suas proclamações. Aqueles que foram mais ousados em termos de mobilização, e provocaram grandes aglomerações, mereceram advertências de que estariam contribuindo para fomento da pandemia. 

Nos municípios menores, não se pode desprezar que as paixões políticas, como geralmente ocorre principalmente nas campanhas locais, venham a exacerbar o cenário eleitoral. Mas nada de cobrança de plataformas sobre os problemas de cada comunidade. Vale a pena recordar o cenário das eleições das capitais de 1985, quando disputei a Prefeitura de Natal e fui eleito. Naquele momento de retomada das eleições diretas para prefeito, tivemos um grande número de debates e, como gosto de lembrar, um comitê favorável à minha candidatura, integrado por alunos da Universidade Federal. 

O que mais se verá na atual campanha será a afirmação do pagamento dos servidores em dia, como o grande feito dos candidatos à reeleição e também dos salários como um compromisso dos novos aspirantes ao mandato de prefeito. Os mais dispostos fisicamente terão diante deles maratonas como aquelas que cumpri, na campanha de 85, subindo um morro em Felipe Camarão, diante do desafio “machista” que alguns fizeram após verem que Vilma de Faria teria subido e, por isso, afirmaram que eu não poderia deixar de ter a mesma atitude. 
Voltando aos debates, em Natal, um dos principais deles deveria ser em torno do Plano Diretor. Mas, neste cenário no qual estamos, uma discussão equilibrada e racional sobre o assunto seria uma exigência excessiva, mesmo que um tema como esse fosse natural que se debatesse ao longo de uma campanha em eleições para prefeito e para a Câmara Municipal? 

A sorte está lançada. E não só para os candidatos. Para todos nós, afinal o Executivo e o Legislativo dos municípios são fundamentais para a melhoria das condições de vida em nossas cidades.






Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.