A sublime essência do beijo

Publicação: 2020-09-25 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Todos nós passamos pela experiência do primeiro beijo e a carregamos pela vida afora inserida nos beijos que fomos dando ou recebendo, ou compartilhando, com uma ou mais caras-metades que entraram e saíram dos nossos braços. Mas o assunto aqui não é estimular lembranças do primeiro ou de algum beijo. É coisa por demais íntima para um jornalista sugerir ou provocar como pauta, ou mesmo expor como depoimento de qualquer pessoa.

O motivo da crônica é a curiosidade sobre o beijo de cinema, ou de novela, ou de teatro, que mais nos chamou a atenção e exerceu alguma reação neural. Quem lembra do primeiro beijo que viu na TV ou na grande tela do cinema? Tenho dúvidas se o meu foi o dos cachorrinhos de A Dama e o Vagabundo, no desenho clássico de Disney, produzido em 1955, e que eu vi no começo dos anos 1960, menino de 4 ou 5 anos, numa sessão vesperal do velho Cine Poti.

A cena é fantástica para olhos infantis; o espaguete como fio condutor da paixão canina, cada focinho com uma ponta, os olhares trocados enquanto o fio diminui, o toque das bocas. Toda criança naquele tempo adorou o “cãosal”.

Cada geração tem seus beijos para sublimar, como o de Rick e Ilsa em Casablanca, o de Scarlett e Butler em E o Vento Levou, o de Romeu e Julieta no épico de Franco Zefirelli e até o de Taylor e Zira em Planeta dos Macacos.

A turma mais jovem se arrepiou no beijo de Jack e Rose em Titanic, no de Peter Parker e Mary Jane em Homem-Aranha, no de Han Solo e Princesa Leia em Star Wars, e não há como esquecer Edward e Vivian em Um Linda Mulher.

Das novelas de TV do passado, ainda lembro dos beijos ardentes de Francisco Cuoco e Regina Duarte em Legião dos Esquecidos, Tarcisio e Glória em Irmãos Coragem, Antonio Fagundes e Maria Isabel de Lisandra em O Machão.

No cinema, o beijo de Burt Lancaster e Deborah Kerr em A Um Passo da Eternidade, o de George Peppard e Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, e os big kiss de Marlon Brando e Maria Schneider em O Último Tango e Paris.

E há um beijo, quase nunca considerado pelos críticos, jamais destacado em listas dos beijos inesquecíveis das telas, praticamente invisível nas pautas de matérias sobre romantismo no cinema. Um beijo num filme de muita porrada.

É em Rocky, um Lutador, de 1976, o primeiro da série estrelada por Sylvester Stallone e que o catapultou a um dos grandes astros nas bilheterias das últimas três décadas do século passado. Além do primeiro, é também o melhor.

O roteiro tem conteúdo de ação e drama sem os excessos fúteis de outras tramas protagonizadas pelos músculos e socos do ator. É uma história singela e ao mesmo tempo épica de um migrante italiano, um boxer em fim de carreira.

O filme tem todos os componentes de um romance de força literária, ou aquela essência narrativa de uma balada de Bob Dylan. O herói é um sobrevivente social, um personagem de bairro popular e um brutamontes cheio de afetos.

E se apaixona pela tímida Adrian, na pele da atriz Talia Shire, e irmã do seu melhor amigo, um trabalhador biscateiro cuja família é só a irmã e que ele estimula a namorar com Rocky. A timidez e a força na atração dos contrários.

Poucas vezes vi uma cena de beijo com tanta beleza e paixão imprevista, a imagem paradoxal de um homem bruto desnudo de machismo na busca por um beijo de uma garota acanhada e sem defesa no caso de uma deselegância.

Mas o que temos são duas almas assustadas, dois corpos carentes, se deixando envolver um no outro, os movimentos lentos a derramar um carinho amedrontado e de repente o amor caindo ao chão na sua própria descoberta.

O filme todinho do saudoso diretor John Guilbert Avildsen, o mesmo de Karatê Kid, vale por aquele beijo. Um beijo que certamente teve sua força na conquista do Oscar de melhor filme e melhor diretor. Assistam de novo.

Licitação
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Na quarta-feira, a comissão técnica julgou em tempo recorde as mais de 100 páginas das propostas da agência, e a comissão permanente deu prosseguimento ao processo sem conceder o direito de recurso da Armação.

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Cresce assustadoramente o índice de desaparecimento de crianças e adolescentes no mundo, numa taxa de 10% ao ano. Só no Brasil, somem 50 mil menores todo ano. Há uma rede de tráfico envolvendo gente poderosa.

Terrorismo
É preciso redobrar cuidados com a estátua do mestre Cascudo, já ameaçada pela bandidagem ideológica. No centro do Recife, os baderneiros simpatizantes do “Black Lives Matter” derrubaram a estátua do escritor Ariano Suassuna.

Reclamar
Um aplicativo criado em Natal, o Reclama RN, está conectando num só lugar todos os tipos de reclamação dos cidadãos, principalmente os relativos aos maus serviços públicos. É só baixar o aplicativo e segui-lo nas redes sociais.

Normalizando
O Ministério da Saúde deu sinal verde para o retorno de público nos estádios de futebol, limitado a 30% das arquibancadas. O contágio diminuiu em todas as regiões e atingiremos no fim de semana a marca de 4 milhões de curados.






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