Economia
‘Tempo fechado’ para o emprego
Publicado: 00:00:00 - 06/03/2016 Atualizado: 23:28:45 - 05/03/2016
Renata Moura e Sara Vasconcelos
Editora e repórter de economia

Os empresários da indústria projetam, para 2016, queda no número de empregados - após um 2015 já marcado por recorde de demissões. O cenário de retração se prolonga por, pelo menos, o primeiro semestre e não deverá ficar restrito à geração de emprego.
Com duas fábricas no Brasil, instaladas no RN e no Ceará, a Guararapes reduziu em 15,6% o quadro de colaboradores na indústria
Segundo dados da Sondagem Industrial divulgada pela Federação das Indústrias (Fiern) na semana passada, a produção, a demanda e o consumo de matéria-prima devem recuar neste período. A Sondagem mede as perspectivas dos empresários para o setor.

“O pior ainda está por vir. As incertezas do cenário político e econômico devem repercutir no setor - sem previsão de recuperação - até o terceiro quadrimestre”, afirma a gerente da Unidade de Economia e Estatística da Federação das Indústrias, Sandra Lúcia Barbosa Cavalcanti.

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Só no ano passado, 4.197 vagas com carteira assinada foram eliminadas na atividade, mais que o dobro do registrado em 2014, quando o saldo também foi negativo. O levantamento da Fiern não mostra em quais empresas houve demissões, mas ao menos uma grande, com operações no estado, confirmou ter chegado ao final do ano com o quadro menor: a Guararapes.

O Grupo registrou  queda de 15,6% no número global de empregados na indústria, na comparação com 2014, segundo o balanço apresentado a investidores em fevereiro e publicado na última sexta-feira (4) na TRIBUNA DO NORTE.  A quantidade – somando as fábricas no RN e no Ceará - caiu de 15.776 para 13.319. Em relação a 2013, o tombo foi de  17,23%. Quase 70% dos empregados na área industrial atuam no Rio Grande do Norte.

Retração

Em janeiro, 2.944 vagas com carteira assinada foram fechadas no estado, considerando todas as atividades econômicas. Comércio, agropecuária e indústria de transformação, nesta ordem, foram os que mais dispensaram. Segundo o Ministério do Trabalho, no caso da indústria, a maior retração persiste na  construção civil, com 415 vagas a menos, seguido pela cadeia de Têxteis e Confecções, que perdeu 356 vagas. Costureiros a máquina na confecção em série foram os mais atingidos. Mesmo cenário de 2015.

Entre janeiro e dezembro do ano passado, foram contratados 710 empregados para a função e demitidos 1.792 – o que significou a perda de 1.082 postos com carteira assinada. Na lista das seis áreas com maior índice de “desligamentos” há ainda operadores polivalentes da Industria Têxtil, operadores de máquina de lavar fios e tecidos e operadores de máquina de Costura de Acabamento.

As demissões  e o aumento na ociosidade da capacidade instalada das empresas, que conforme a sondagem está em 62%, são consequências diretas da baixa produção.

Em janeiro, a produção industrial potiguar manteve-se em queda, apesar de menor intensidade. Entre as grandes, a produção subiu 1,06%. Mesmo com um “suspiro” desde abril de 2015,  o índice de janeiro já é considerado  o menor para o mês nos últimos seis anos.

“O resultado foi menos desfavorável, com queda menor do que vinha ocorrendo nos meses anteriores. Mas não dá para falar em recuperação. Não há impacto suficiente para arrastar o conjunto das grandes ou mesmo o conjunto da indústrias. Algo isolado”, analisa a economista.

Se nas grandes e médias empresas existe uma reserva de estoque, menor recuo no nível de produção e no número de empregados, além do otimismo com a possibilidade do crescimento de exportações puxados pela variação cambial, junto as pequenas o quadro é mais grave.

O segmento, com a queda na produção, a ociosidade da capacidade instalada das empresas chega a 64%. Maquinário que por falta de demanda acaba não sendo usado. “A consequência disso é que pode haver fechamento. Muitas destas pequenas empresas estão se mantendo com recursos próprios, devido a dificuldade de crédito”, avalia Sandra Cavalcanti.

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