Política
‘Tenho recebido apelos para me candidatar ao Governo', afirma Álvaro Dias
Publicado: 00:00:00 - 09/01/2022 Atualizado: 10:02:35 - 10/01/2022
O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), tem até o dia 2 de abril para deixar o mandato, se decidir concorrer ao Governo do Estado. São quase três meses para tomar a decisão: Ficar na Prefeitura até primeiro de janeiro de 2025 ou sair para ser candidato a governador. O prefeito afirma que tem recebido apelos para se candidatar. Mas diz que, por enquanto, tem resistido, porque há obras que pretende concluir até o fim do período do mandato. Entre essas obras, cita o Hospital Municipal, o Complexo Turístico da Redinha, a urbanização da Pedra do Rosário, a  revitalização da Ribeira e a engorda da praia de Ponta Negra.

Mesmo assim, não descarta a candidatura. “É uma possibilidade que existe”, admite. Nesta entrevista, o prefeito também analisa as implicações do novo Plano Diretor de Natal, que pretende sancionar assim que a Câmara Municipal enviar o projeto aprovado. 

Ele informa que vai reunir o Comitê Científico para tomar uma decisão sobre o Carnaval de Natal. O prefeito diz que provavelmente haverá o cancelamento do carnaval de rua. “Vamos reunir o Comitê Científico para discutir essa questão e existe uma possibilidade real e concreta de que possamos vir a cancelar pelo menos o Carnaval de rua na nossa cidade”, afirma. 

ALEX REGIS


O que vai ser prioritário neste ano em sua gestão?
Nós temos um ano muito promissor, principalmente porque agora foi aprovado o novo Plano Diretor de Natal (PDN), que vai permitir o desenvolvimento e o progresso da cidade. O Plano Diretor anterior era arcaico e ultrapassado. Dificultava as construções e colocava empecilhos para novos edifícios, moradias, encarecendo as construções e dificultando o progresso da cidade. Para ter uma ideia, quando se passa nos principais corredores e avenidas das cidades modernas e projetadas como Curitiba (PR), por exemplo, vemos edifícios de um lado e outro. Aqui o Plano Diretor não permitia. Agora vai permitir. Isso é salutar, porque, nos principais corredores e avenidas, estão localizados os empregos, o comércio, hospitais, segurança e saneamento, toda a infraestrutura necessária para a população. Quando se impede a construção de novas moradias, praticamente expulsa a população para lugares mais afastados. Foi o que aconteceu aqui em Natal, onde perdemos em torno de 300 mil habitantes para municípios vizinhos – Extremoz, Macaíba, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, que ganharam novos habitantes com essas dificuldades que Natal criou através do Plano Diretor. Agora isso vai mudar.

Na votação da revisão do PDN, foram aprovadas emendas na Câmara. O projeto de lei vai ser sancionado na íntegra?
Vamos analisar as emendas, que, imagino, não foram tantas pelo acompanhamento que fizemos. Foram aprovadas emendas que não deverão mudar a essência do novo Plano Diretor de Natal. A essência dessa mudança é no sentido de destravar as dificuldades  que não permitiam o desenvolvimento de Natal. Estamos esperando o projeto de lei do Plano Diretor, que ainda está na Câmara Municipal, tendo os últimos detalhes de redação concluídos para ser enviado ao Executivo. Assim que chegar, urgentemente vamos sancionar para que passe a vigorar e facilitar essas questões que já falamos.

O adensamento populacional de áreas da cidade não demanda mais serviços e circulação de veículos nos principais corredores? A última grande obra de infraestrutura viária foi em 2014 para a Copa do Mundo. Tem algum planejamento para isso?
Pelo contrário, o trânsito de Natal está muito prejudicado pelo fato de que as pessoas moram fora da cidade e trabalham em Natal. Isso transforma o tráfego de veículos da cidade em um trânsito pendular, pela manhã as pessoas vêm e, então, tem um grande congestionamento de veículos se dirigindo de Parnamirim, Macaíba e outros municípios para Natal. No fim do dia, o contrário, os veículos saindo de Natal e retornando para onde as pessoas moram. Na hora em que essas pessoas estiverem morando em Natal... E perguntamos isso em uma pesquisa que foi feita, se elas pretendem voltar para Natal, caso existam facilidades como vamos proporcionar com o novo Plano Diretor. Então, 50% dessas pessoas  disseram que pretendem retornar a Natal. Isso vai facilitar o trânsito, desafogar o tráfego de veículos, porque acabará com esse movimento pendular. As pessoas morando perto de onde trabalham, irão de Uber, a pé e de transporte coletivo, porque o emprego estará perto de onde moram. O ruim é quando moram fora da cidade e vão trabalhar na cidade, como aconteceu nesses últimos 14 anos em que o Plano Diretor antigo vigorou, impondo uma série de restrições e impedindo construções de imóveis que agora serão feitas com novos edifícios. Natal é uma cidade horizontalizada. Nas principais vias de Natal, não há prédios nem de um lado, nem do outro, diferentemente de Recife (PE), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Curitiba (PR). Curitiba é uma cidade modelo, projetada pelo grande urbanista Jaime Lerner, onde se vê avenidas com edifícios de um lado e outro, e isso vai passar a existir em Natal, trazendo de volta essas pessoas que foram expulsas daqui pelas dificuldades criadas pelo Plano Diretor ultrapassado.

O senhor acha que essa vai ser uma das principais marcas de sua gestão?
Isso vai ser, sim, uma marca da nossa gestão. Uma marca desenvolvimentista e progressista, de um gestor que pensa e tem visão de futuro, como a gente procura ter nesse período no qual estamos administrando a cidade de Natal. Mas também pretendo construir obras marcantes na cidade, que no futuro vão passar a ser referências do tempo em que administramos, como o Hospital Municipal, o Complexo Turístico da Redinha e outras que são importantes e estão em andamento, fazendo dentro da estrutura que montamos para pensar a cidade, sendo projetadas e planejadas e que vamos executar.

O turismo é um indutor de desenvolvimento da cidade. A Prefeitura planeja mudança de infraestrutura nessa área?
Vamos fazer várias intervenções. Sabemos que Natal tem um binômio bastante interessante para o turismo, que é sol e mar. Natal é conhecida como a “Cidade do Sol”. E temos belezas naturais indescritíveis e incomparáveis. Isso nos favorece muito. O que queremos agora é investimentos em obras de infraestrutura turística, que, ao longo do tempo, não foram feitas, começando pelo complexo turístico da Redinha, que é uma bela praia, tem uma vista maravilhosa do encontro do rio Potengi com o Oceano Atlântico, da Ponte Newton Navarro... É um lugar agradável e belíssimo, mas pouco explorado pela reduzida infraestrutura que tem lá. Vamos fazer outros investimentos importantes como a revitalização da Ribeira, criando novas oportunidades de comércio, geração de emprego e renda, fazendo com que aquele bairro, um lugar bonito e onde Natal começou, com prédios históricos, possa ser reutilizado e repovoado. Assim, as pessoas voltarão a frequentar, viver e morar na Ribeira. Também vamos investir na Pedra do Rosário, que está precisando de reparos e, além disso, construir uma infraestrutura turística para transformá-la em um local ainda mais agradável, bonito e acolhedor para visitação. Quem teve a oportunidade de ver o pôr do sol naquele local, sabe do que estou falando. Faremos ali, realmente, um lugar com infraestrutura para que passe a ser visitado, não só pelos turistas, mas também pelos natalenses que aqui moram e poderão apreciar as belezas do lugar. Temos outras obras como a “engorda” da praia de Ponta Negra, onde se concentra 80% dos investimentos turísticos da cidade, que geram emprego e renda. O mar vai deixar de agredir, danificar e derrubar o calçadão, como acontece frequentemente. Derruba e reconstrói. Destrói e refaz. Isso vai parar, porque com o aumento da faixa de areia, proporcionada com a engorda, teremos 50 metros de areia a mais na maré cheia e 100 metros na maré seca. Vai ficar, então, um lugar bastante agradável para ser visitado, freqüentado e utilizado pelas pessoas, porque ao redor do calçadão vamos executar um projeto de urbanização e melhorias, como já começamos a fazer em outros locais, como na avenida Praia de Ponta Negra, que era um local sombrio e esquecido e hoje é bastante freqüentado. Transformou-se em “point” turístico com bares e restaurantes e outras atividades de negócios que foram atraídas para o local. Vamos fazer investimento semelhante na avenida que passa por trás da feira de artesanato e vai até encontrar a saída para o litoral sul. 

Qual o local de construção do complexo turístico da Redinha? 
O Complexo será construído onde fica o mercado velho. Será derrubado e erguido um novo, com investimento de R$ 28 milhões. Nós estamos conseguindo o apoio da bancada federal, inclusive essa emenda do Complexo da Redinha é de recursos advindos de emendas impositivas e também buscamos verbas de outras fontes no Orçamento Geral da União (OGU) que se destinassem a Natal, tanto para infraestrutura turística como na melhoria da qualidade de vida do povo, já que vamos construir um Hospital Municipal no prolongamento da avenida Prudente de Morais. Natal é uma das capitais do Nordeste que ainda não possui Hospital Municipal e temos um projeto aprovado, inclusive já com emendas impositivas e coletivas da bancada federal para construir um hospital novo, moderno e bem equipado. 

Algumas dessas obras ainda nem começaram...
Começaram timidamente. A obra do Complexo da Redinha já foi iniciada pelo Redinha Clube. Derrubamos algumas partes do local que não serão mais utilizadas de acordo com o projeto e, proximamente, com a licitação das obras do mercado estará a “pleno vapor”. A burocracia é muito grande e a licitação demora para que aconteça dentro de todas as exigências legais determinadas pela Constituição e pelas leis que temos de respeitar. Mas imagino que dentro de 60 a 90 dias, o complexo estará sendo iniciado.

O senhor acha que algumas dessas obras serão concluídas na sua gestão?
Com certeza. Esse Complexo da Redinha não vai demorar dois anos. No projeto feito para o Hospital Municipal, a previsão de início e conclusão é de 24 meses. Esperamos que esse prazo seja cumprido depois de licitada e iniciada a obra. Mas vamos colocar aí um atraso que sempre acontece de seis meses ou alguns meses, Mesmo assim, espero concluir ainda dentro de nossa gestão. 

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