A terapia de Antônio Fagundes

Publicação: 2018-06-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Há dez anos procurando uma comédia boa para encenar nos palcos, o ator e produtor Antônio Fagundes foi encontrar o que queria somente na Argentina. As gargalhadas provocadas pela peça “Bajo Terapia”, do jovem dramaturgo Matias Del Federico, somada as tiradas reflexivas e ao final surpreendente do texto, levaram Fagundes a montar o trabalho em São Paulo. A estreia foi em março de 2017, com o título de “Baixa Terapia”. Um ano depois e com mais de 100 mil espectadores de público, o produtor resolveu sair em turnê pelo Brasil.

“Em modo divertidíssimo”, Antônio Fagundes e grande elenco contam a história de três casais que vão ao consultório e, na ausência do analista, resolvem eles mesmos conduzir a terapia em grupo
“Em modo divertidíssimo”, Antônio Fagundes e grande elenco contam a história de três casais que vão ao consultório e, na ausência do analista, resolvem eles mesmos conduzir a terapia em grupo

Neste fim de semana o espetáculo chega a Natal para duas apresentações no Teatro Riachuelo. No sábado (23), a peça começa às 21h, e no domingo (24), às 18h.

Em cena estão três casais que chegam no consultório para uma sessão de terapia. Quando se encontram, descobrem não apenas que a psicóloga não aparecerá, como que terão que conduzir a sessão em grupo sozinhos. A sala está preparada com café, água e whisky, além de uma mesa com envelopes numerados, repleto de instruções de como deve ser conduzida a terapia. O objetivo é que todas as questões sejam resolvidas em grupo, mas é a partir daí que vem à tona verdades e mentiras, bem como uma série de queixas, confissões, suspeitas e revelações.

Segundo Antônio Fagundes, tudo é levado de modo divertidíssimo. “Vi essa peça na Argentina e adorei. Ri muito. Tem uma dramaturgia moderna, com final surpreendente”, diz o ator em entrevista por telefone ao VIVER. Ele interpreta o personagem Ariel, cuja esposa é Paula (Mara Carvalho). Os outros casais são Estevão (Bruno Fagundes) e Tamara (Alexandra Martins), e Roberto (Fábio Espósito) e Andrea (Ilana Kaplan). Cada um dos personagens tem diferentes problemas e conflitos, mas nem todos estão dispostos a se abrir para falar dos assuntos que os afligem. Com tantos perfis distintos, era natural que a sessão de terapia tomasse rumos caóticos. No entanto, na parte final a trama se converte numa armadilha inesperada.

A produção de “Baixa Terapia” oferece ao público potiguar a oportunidade de conhecer os bastidores do espetáculo por meio de uma tour no teatro guiada pelo ator Antônio Fagundes. A tour será realizada somente no domingo, às 16h30, e terá duração média de 30 minutos. Na ocasião é possível conversar e tirar fotos com o elenco. O ingresso da tour tem o valor único de R$ 100 e para ser adquirido é preciso ter comprado antes o ingresso do espetáculo.

Na entrevista com Fagundes, ele conversou sobre esse assunto e outros, como a montagem do espetáculo, a turnê nacional da peça e o trabalho em família, já que o ator contracena no palco com o filho Bruno, a esposa Alexandra Martins e a ex-esposa Mara Carvalho.

Como é essa história de terapia de grupo sem psicólogo? Só poderia dar em gargalhada mesmo.
A psicóloga não aparece, mas deixa instruções para os casais conduzirem a análise em grupo. Acaba que um vai metendo o bedelho na vida do outro. O espetáculo fala das relações interpessoais. Aborda pelo menos uns 25 temas sobre relações. E nas mais diversas faixas de idade. A plateia vai se identificar. É uma peça extraordinariamente engraçada, com piadas pontuais.

Como é para você fazer comédia? É um gênero que você gosta?
Adoro comédia. Fiz algumas no teatro, mas gostaria de fazer mais na TV e no cinema. Eu estava há dez anos procurando um texto bom, que fizesse as pessoas pensarem um pouco além de rir, até que encontrei o “Baixa Terapia” na Argentina.

“Baixa Terapia” faturou um prêmio Shell de melhor atriz para Ilana Kaplan. Como foi pra vocês esse reconhecimento? Prêmios para comédia são raros.
Realmente não é comum comédias conquistarem esse tipo de reconhecimento. Até mesmo em outras linguagens, como no cinema, a gente não vê comédias sendo indicadas. No Oscar também é raríssimo. Pra gente, o prêmio Shell foi uma surpresa feliz.

Antônio, esse espetáculo tem uma curiosidade. No elenco estão você, seu filho Bruno, sua esposa Alexandra e sua ex-esposa Mara. Como é isso? Vocês se dão todos tão bem?
As pessoas normalmente ficam surpresas. Mas acho que é porque muitas pessoas não conseguem ter um bom contato com seus ex-relacionamentos. Com a gente não. Nos damos muito bem. Caso contrário, não seria possível ficarmos mais de um ano em cartaz em São Paulo com esse espetáculo, muito menos sair nessa turnê pelo país. Temos uma ótima convivência.

Outro detalhe legal do espetáculo é a tour pelos bastidores e os bate papos que vocês realizam com a plateia depois de cada apresentação. O quanto esse contato com o público é importante pra vocês?
Esse passeio pelos bastidores foi sucesso em São Paulo. Resolvemos fazer em outras cidades. Dá a oportunidade das pessoas que não têm tradição de assistir peças e acompanhar produções artísticas conhecer a estrutura do espetáculo e do teatro. Assim como o bate papo no fim das apresentações, é um momento descontraído e bacana de conversar com o público. É enriquecedor para a plateia e pra gente.

Vocês estão desde o final de abril numa maratona de apresentações pelo Brasil. Cada fim de semana numa cidade diferente. Como é pegar a estrada com uma turnê de teatro?
É muito difícil fazer uma turnê nacional. Além do custo, que é cinco vezes maior que quando se está fixo, tem o cansaço das viagens, os imprevistos com os espaços de apresentação que nos leva a adaptar a estrutura. Mas vale muito a pena. Cada lugar a gente se depara com reações diferentes da plateia.

E o que você tem aproveitado dessa experiência? Há bons teatros pelo país?
Já passamos por lugares bem estruturados e espaços sucateados.  Algumas praças realmente mostraram que a cultura não é algo importante.

É a sua primeira vez em Natal?
Em Natal vai ser a primeira vez que chego com um espetáculo. Mas já estive na cidade em outra oportunidade por ocasião de um festival de cinema onde eu estava com um filme. Não sei o que esperar nesta nova visita a cidade.

Você chegou a dizer numa entrevista que “o teatro está morrendo”. Também fez críticas a quem se acomoda a produzir só com as leis de incentivo cultural, como a Lei Rouanet (federal). Como foi produzir “Baixa Terapia”, ela só tem patrocínios privados?
Esse espetáculo não tem nenhuma espécie de patrocínio, nem estatal nem de empresas. Foi feita na forma de parceria. Somos dez parceiros e dependemos unicamente da bilheteria. Esse foi um dos motivos que nos levou a ficar mais de um ano em cartaz. A gente precisava da bilheteria, diferente de outros espetáculos que são viabilizados pela lei. Quem está acostumado com as leis foca muito na produção do espetáculo e esquece da manutenção da peça, de fazer ela chegar no público.

Antônio, que outros projetos você está envolvido? Sei que tem uma série pra TV (“Se eu fechar os olhos agora”) e um filme que você produziu. Poderia falar um pouco sobre eles?
O filme se chama “Contra a parede”. Vai ser lançado esse ano. A produção é minha. Assim como “Baixa Terapia”, o projeto não contou com nenhuma lei de incentivo. Quanto ao seriado, ele já foi gravado. Deve ir ao ar na Globo no início do ano que vem.


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