Ótimos lançamentos da Unesp

Publicação: 2016-06-08 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O Dao De Jing (ou Tao Te Ching), de Laozi, tradução de Giorgio Sinedino, 579 páginas, R$128,00, tradicionalíssima coletânea de provérbios chineses, é a raiz de tradições religiosas e filosóficas milenares como o Taoísmo e o Zen. Nos últimos séculos, após inúmeras traduções, despertou o interesse do público ocidental. A Editora Unesp lança agora tradução inédita com um enfoque particular: tornar mais compreensível a complexa tradição cultural da China possibilitando uma visão de como seu povo percebe o mundo.
Laozi, o possível autor do Dao De Jing, é um dos três principais entre os primeiros pensadores chineses. Ele, ao lado de Confúcio e Mozi, criou as visões de mundo e atitudes que influenciarem a cultura chinesa por milênios. Há relatos de que teria sido mestre de Confúcio, mas enquanto o primeiro se tornou o paradigma do homem de ação, o tradicionalista apegado aos ritos, o segundo simboliza o homem contemplativo, o quietista voltado para os arcanos da natureza. Nesta edição, seu texto de apenas 5 mil palavras (caracteres) é acompanhado dos comentários de Heshang Gong, o Senhor às Margens do Rio, personagem dono de uma biografia tão mistificada quanto à do próprio Laozi. Trata-se de uma versão integral de um dos três textos-base para a interpretação do Dao De Jing. Foram também traduzidos os trechos mais relevantes do prefácio de Ge Xuan (164 –244) e breves notas biográficas escritas por Sima Qian (145 a.C. – 90 ou 85 a.C.), o primeiro grande historiador chinês.
Italianos

Se você tiver a disponibilidade para fazer uma viagem pelo interior de São Paulo, vai notar uma forte influência da imigração italiana nessas cidades encantadoras. Mas, você também pode ver tudo isso em Italianidade no Interior Paulista – Percursos e Descaminhos de Uma Identidade Étnica (1880-1950), de Oswaldo Truzzi, 137 páginas, R$38,00 que chega ao público como importante referência no campo dos estudos migratórios. Resultado de longa pesquisa, investiga não apenas a chegada de imigrantes italianos às lavouras cafeeiras, mas também o processo de constituição do sentimento de “italianidade” que se completou em terras brasileiras.

Antiguidade
Esqueça essa onda de preconceito contra o marxismo que envenena nossa sociedade atual e abra sua mente para o conhecimento. Minha dica é ler este Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, de Perry Anderson, 359m páginas, R$74,00 em que ele se debruça sobre o processo de transformação das sociedades antigas, baseadas em um sistema escravista, em uma sociedade cujo sustentáculo era o modo de produção feudal. O leitor é guiado pela ótica marxista de Anderson ao cerne de questões sociais e políticas originadas no período clássico e que se mantiveram atuantes até o nascimento dos Estados modernos e suas monarquias absolutistas. Em uma argumentação alicerçada no materialismo histórico, o autor lança luz sobre um período da história europeia pouco estudado por essa corrente historiográfica – atenta, mais comumente, ao desenvolvimento do capitalismo.

Crianças
Tema atualíssimo neste O Olho do Poder – Análise Crítica da Proposta Educativa do Estatuto da Criança e do Adolescente, de Maurício Gonçalves Saliba, 160 páginas, R$36,00, uma obra que faz a crítica à execução da medida socioeducativa em meio aberto liberdade assistida, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo argumentação teórica, lastreada em pesquisa empírica nos processos de ato infracional, "a intervenção judicial não garante o acesso dos adolescentes à plena cidadania, uma vez que não visa à superação da exclusão social e das condições precárias de cidadania - o que, de acordo com o documento legal, deveria ser a finalidade da medida". Trata-se de processo de normalização em que a intervenção estatal se resume à vigilância dos indivíduos e das famílias, até que o adolescente seja reinserido nos aparelhos disciplinares da escola, da empresa e da família normalizada. "Se isso não correr, o resultado da medida acaba por ser o registro da história de vida do delinquente juvenil, à disposição dos aparelhos de repressão criminal."

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários