“Trilheiros” da UFRN resgatam cultura popular do interior potiguar

Publicação: 2017-08-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Manoel Adalberto
Agência Comtrilhas/UFRN / Especial para a TN

Manter as manifestações populares em meio à globalização do século 21 tem se tornado cada vez mais difícil para produtores de cultura popular no Brasil como um todo. Apesar disso, iniciativas como o Programa Trilhas Potiguares, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), buscam estimular o resgate de memórias culturais em atividades com a população de diversos municípios do interior.

O Trilhas Potiguares leva ações de saúde, educação, cultura e cidadania há 21 anos pelos municípios do Rio Grande do Norte. Em 2017, são 25 municípios que receberam equipes entre os dia 29 de julho e 4 de agosto. São mais de 500 alunos, professores e funcionários da UFRN que desenvolvem, junto à população local, oficinas e ações de valorização cultural. Neste ano, o tema desenvolvido é Diversidade.
Em Jardim de Angicos, a equipe de trilheiros promove, através da dança e do esporte, o resgate da cultura
Em Jardim de Angicos, a equipe de trilheiros promove, através da dança e do esporte, o resgate da cultura

Em Jardim de Angicos, município com menos de 3 mil habitantes da região central do estado, a equipe de trilheiros promove, através da dança e do esporte, o resgate da cultura popular e tradicional. Cerca de 15 idosas participam do grupo de Pastoril. Elas se reúnem no Centro Pastoral da cidade, todas as tardes até a sexta-feira (4), quando farão apresentação para o público do município da dança que é tradicional no nordeste. Nela, as participantes se dividem em dois grupos, um de cor vermelha e outro de azul, motivados por cânticos e declamações, acompanhados de instrumentos musicais populares.

Para Maieça Mendes (29), estudante do curso de dança da UFRN que está desenvolvendo a atividade, o pastoril faz parte da memória de muitas delas, o que torna mais acessível para trabalhar com a terceira idade. “É uma dança popular, então pra elas é muito fácil de reconhecer porque muitas já dançaram. A partir disso, a gente procura trabalhar também a identificação com o meio em que vivem, e a valorização da autoestima, fazendo com que elas acreditem no próprio potencial”, explica.

Dona Carmelita de Lima (74), está revivendo o que praticava há 60 anos. Aos 14 anos, ela foi provocada por uma professora a participar do grupo de pastoril, que naquele momento tentava angariar recursos para compra de uma via sacra para a igreja matriz do município. “Naquele momento, aprendi várias músicas, vários passos, mas o tempo passou e o grupo parou”, conta animada com a retomada.

Além da dança com idosas, Maieça também está dando aulas de ciranda e carimbó aos jovens do município, a partir de 12 anos. O objetivo é apresentar aos mais novos os costumes culturais dos seus antepassados.

Uma mistura de esporte, arte marcial, música e cultura popular, a capoeira é legitimamente brasileira e criada por influência da comunidade afrodescendente já no século XVI. No Trilhas, ela também tem seu espaço como forma de resgate cultural.

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