“Ultimato” ao Brasil

Publicação: 2019-11-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Alcyr Veras
Economista e professor universitário

O Brasil poderá ficar fora da OCDE se não atender as condições exigidas que lhes assegurem credibilidade econômica-institucional no cenário mundial. Quais são os países que fazem parte da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico? Qual o objetivo e como funciona essa Organização? São esses os temas, cujas respostas trataremos a seguir.

Inicialmente chamada de “O Clube dos Ricos”, essa Organização nasceu em 1948, em decorrência das ações do Plano Marshall, criado naquela época pelos Estados Unidos, e que tinha como principal finalidade reconstruir os países derrotados e destruídos durante a Segunda Guerra Mundial. Porém, vale ressaltar que sob essa aparente ajuda humanitária norte-americana de reconstrução, na verdade os Estados Unidos estavam mais interessados em abrir novos mercados de consumo na Europa, para escoar os produtos de suas fábricas instaladas no período pós-guerra. Nesse sentido, aquele Plano foi reconhecidamente mais estratégico e menos altruístico.

O principal objetivo da OCDE, por meio de seus países-membros, é mobilizar meios que possibilitem a obtenção de padrões internacionais para resolver problemas ou propor soluções nos setores: econômico, financeiro, comercial, social e ambiental. Hoje, são os seguintes os países integrantes: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia, Suíça e Turquia.

Objetivamente, a expectativa da comunidade econômica internacional é que o Brasil seja capaz de inspirar confiança e garantir segurança aos investidores. Hoje, o país tem baixo crescimento econômico e elevadas despesas públicas. Gasta mal todas as suas receitas arrecadadas com pagamentos de funcionários, aposentados, e sustenta uma perdulária e obsoleta máquina pública, não sobrando dinheiro para investimentos em infraestrutura — item essencial para atrair investidores que, por sua vez, são os grandes geradores de novos empregos.

O Brasil percorreu uma trajetória decadente quando foi desclassificado e perdeu o Investment Grade (selo de bom pagador) em 2015, pelas Agências Internacionais de classificação de riscos.

Para ingressar na elite formada pelos países da OCDE, o Brasil precisa superar, entre outros, os seguintes pontos vulneráveis: imediata redução do deficit público; leis rígidas e medidas ostensivas para o permanente combate à corrupção e ao crime organizado; problemas de segurança pública, principalmente nas periferias dos centros urbanos; frequentes assaltos, explosões de carros-fortes e terminais de aeroportos; divergências e conflitos entre os Poderes da República ameaçando enfraquecer a estabilidade das instituições democráticas; reduzir o tamanho do Estado brasileiro através de ampla Reforma Administrativa, eliminando entraves burocráticos e privilégios.

A abertura para o mercado exterior é prioritária. Em seu recente périplo pela Ásia e Oriente Médio, o governo brasileiro assinou expressivo acordo comercial, através do qual a Arábia Saudita vai investir 10 bilhões de dólares na economia brasileira, além de outras importantes parcerias com a China e o Japão (oportunamente comentarei sobre essas mencionadas parcerias).





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