“Viabilizamos boa parte da agenda”

Publicação: 2016-12-17 00:00:00 | Comentários: 0
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A palavra escrita e cantada se encontram em grande estilo na última noite do Festival Literário de Natal (FLIN). Reunindo grandes nomes da literatura e da música potiguar e nacional, como o cantor e compositor Zeca Baleiro  e o escritor Ignácio Loyola Brandão, o evento encerra sua quarta edição neste sábado (17), com muitas outras atividades ao longo do dia.
DivulgaçãoFLIN encerra edição 2016 com papo e show de Zeca Baleiro, performance de Loyola Brandão e seminário da Academia de LetrasFLIN encerra edição 2016 com papo e show de Zeca Baleiro, performance de Loyola Brandão e seminário da Academia de Letras

Realizado pela Prefeitura do Natal, através de patrocínio da Cosern, via Lei Rouanet e Ministério da Cultura, o FLIN 2016 recebe o maranhense Zeca Baleiro para uma participação em dose dupla na programação: às 19h o artista participa da mesa “Poesia, Crônicas e Canções”, mediada pelo diretor da Fundação Capitania das Artes, Dácio Galvão. Compositor, intérprete e garimpador de letras, poemas e canções, Baleiro já musicou poetas como Alice Ruiz, Paulo Leminski, Murilo Mendes e Hilda Hilst – sua preferida.

No papo, ele falará da sua relação com a poesia e sobre sua experiência como cronista no livro "Bala na Agulha - reflexões de boteco, pastéis da memória e outras frituras". Em seu segundo momento, às 22h, Baleiro faz show no palco montado na Praça Augusto Severo. Toda a programação é gratuita.

Com o tema “A Literatura Nordestinada”, Diógenes da Cunha Lima e convidados conversam com Marcus Accioly, importante poeta e escritor pernambucano, integrante da Geração 65 e do Movimento Armorial. Na sequência, Ignácio de Loyola Brandão e Rita Gullo, pai e filha, se juntam no show “Solidão no fundo da agulha”. A apresentação é a versão ao vivo do livro que leva o mesmo nome e que traz imagens do fotógrafo Paulo Melo Jr. e um CD com canções interpretadas por Rita. No palco, Loyola Brandão mergulha em suas memórias pontuadas pela filha cantora.

O prefeito Carlos Eduardo concedeu entrevista exclusiva ao VIVER, onde comenta a importância do FLIN para a cena literária local, a continuidade da política de editais e a crise econômica que acabou por reduzir a programação do Natal em Natal:
Ana SilvaCarlos Eduardo garante continuidade da política de editaisCarlos Eduardo garante continuidade da política de editais

O FLIN já está integrado ao calendário nacional, mas não dá para deixar de notar que este ano o festival parece "menor". As dificuldades financeiras na gestão atrapalharam?
As dificuldades foram grandes, mas conseguimos viabilizar o projeto através da Lei Federal Rouanet de Incentivo à Cultura com patrocínio da Cosern. Pelas dificuldades e demoras naturais em captar os recursos na iniciativa privada, e todo o trâmite burocrático para sua aprovação, fomos obrigados a fazer o Festival agora em dezembro. Ainda assim conseguimos reunir nomes importantes da literatura e da arte, nacionais, potiguares e regionais. Condensamos a literatura com a música, sem abrir mão da qualidade e do conceito. Tivemos a presença de grandes nomes da música nesta edição como Moraes Moreira, Zeca Baleiro, Virgínia Rodrigues e Raimundo Fagner. No campo literário: Nei Lopes, um dos maiores compositores do samba e estudioso da cultura afro-brasileira; Ignácio de Loyola Brandão, vencedor do Prêmio Machado de Assis; a escritora Beatriz Bracher, romancista vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura. De Pernambuco vem o Marcus Accioly, um dos mais importantes poetas brasileiros, nome da geração 65 e movimento Armorial. Sem falar de Marina Colasanti, Marcius Cortez, Alex Nascimento, Antônio Stélio, Vicente Serejo, Woden Madruga, Mario Ivo, todos reunidos para debater a literatura.

Quanto a Prefeitura está investindo, de recursos próprios, e quanto vem de patrocinadores para o FLIN?
O investimento da Prefeitura se restringiu à infra-estrutura. O projeto foi viabilizado a partir do patrocínio da Cosern via Lei Rouanet, com aporte de R$ 500 mil para suprir todas as demais despesas.

A programação do Natal em Natal também está menor. Dentro dessas dificuldades em custear e obter patrocínios, porque a escolha em manter o FLIN e não os shows gratuitos, com astros da MPB, em várias áreas da cidade?
Os shows gratuitos foram mantidos: Moraes Moreira, Fagner, Virgínia Rodrigues, Plutão Já foi Planeta e Zeca Baleiro representam essa parte do Natal em Natal. Além dos shows, alguns artistas convidados também participam de debates contribuindo com o tema deste ano que une música e literatura. Também teremos shows em outras regiões da cidade no período do Natal e Ano Novo. A crise nos obrigou, sim, a recortar o tamanho do Natal em Natal, mas graças aos patrocínios conseguimos viabilizar boa parte do calendário.

O senhor tem dito, e até escreveu em artigo, que o FLIN se insere dentro de "uma política perene e bem planejada de incentivo à leitura". Como essa política se traduz em ações da Prefeitura, após o festival?
Já estamos nestas ações antes, durante e depois de cada Festival. O Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas de Natal é uma realidade que está nos seus últimos passos para ser enviado à Câmara Municipal. Um trabalho desenvolvido durante meses pelas secretarias de Cultura e Educação com participação da sociedade. Durante o Flin, alunos da rede municipal de educação participam de uma programação que visa incentivar o hábito da leitura. Desde o ano passado, a Biblioteca “Virgílio Urbano de Araújo”, passou a funcionar nas Rocas sob responsabilidade da Secretaria de Educação. Temos também a biblioteca do Parque da Cidade, e investimos fortemente na instalação de pequenas bibliotecas nas escolas municipais. Fizemos também a biblioteca que funciona no CEU de Nordelândia, e estamos concluindo a do CEU de Felipe Camarão.

Em 2017 a Prefeitura pretende retomar a políticas de editais, mesmo que de forma mais acanhada que a vista em anos anteriores?
A política de editais é uma realidade. É uma exigência da sociedade a clareza e democratização do acesso aos recursos. Ela é uma política continuada. Vamos mantê-la, claro que dentro das possibilidades da nossa receita.

Na opinião do senhor, mesmo em tempos de crise econômica, o que não pode deixar de acontecer em termos de iniciativas culturais?
A política de editais que lançamos, de forma inédita, é uma realidade que não pode ser descontinuada. O Natal em Natal e o Carnaval Multicultural de Natal são projetos consolidados que geram emprego e renda.

Como incentivar a chamada economia criativa e como ela pode colaborar com a arrecadação municipal?
Segundo dados de pesquisa da Fecomércio, durante 58 dias de Natal em Natal no ano passado circularam R$ 80 milhões. No Carnaval Multicultural outros R$ 40 milhões. Todo este valor que circula na cidade se reverte em impostos, e é papel do poder público incentivar essa produção porque também é uma forma de gerar empregos e renda.

Grande parte da produção artística e cultural da cidade está concentrada em bairros da periferia, realizados de forma colaborativa e com custo baixo: como a Prefeitura poderia potencializar essas realizações que demandam poucos recursos e têm capacidade de grande retorno social e institucional?
Ficamos impressionados com a adesão aos projetos colaborativos que lançamos, oferecendo infra-estrutura e a cidade conhecendo várias gerações de artistas em diversas linguagens. Temos, através da Secretaria de Cultura, buscado criar uma sequência dos projetos como política continuada para segmentos como o Hip Hop e Rap na Zona Norte.

O edital Natal em Cena, que teve duas edições, foi suspenso: há possibilidade do edital retornar? Ou a Prefeitura cogita retomar a realização do Auto do Natal?
O Auto do Natal marcou fortemente a história da cultura da cidade. O edital Natal em Cena foi construído em diálogo com a classe teatral e teve investimento histórico de R$ 2 milhões. A crise nos obrigou a fazer cortes, mas ainda assim fizemos todos os esforços junto ao MinC para retomar o projeto com contrapartidas federais. Não desistiremos dessa idéia. Queremos continuar o Natal em Cena ou retomar o Auto do Natal, e vamos nos unir a classe teatral na busca dos recursos federais com contrapartida do município.

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