A viagem da Botija

Publicação: 2010-08-20 00:00:00 | Comentários: 4
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Maria Betânia Monteiro - repórter

Um sonho que se esconde no cotidiano. Uma moça apaixonada, que salva um rapaz das águas e fará de tudo para ficar com ele - até mesmo desafiar a ira do pai, feiticeiro temido nos sertões de Pernambuco. Um jovem que viaja para outro país, enfrenta soldados e prisões, e conquista sua amada com a ajuda de um incrível pavão misterioso. A história contada é uma das contidas no livro “A Botija”, da escritora paraibana radicada em Natal, Clotilde Tavares. O livro foi um das duzentas e cinqüenta obras selecionadas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) 2010, que adquire e distribui os livros para as bibliotecas das escolas públicas em todo o país. “Como escritora, fico feliz de que um trabalho meu alcance distribuição nacional, com essa distribuição pelo PNBE nas escolas de todo o Brasil. Afinal, o maior desejo do escritor é ser lido”, disse Clotilde Tavares.

romance de Clotilde Tavares é uma das obras selecionadas pelo Programa Nacional Biblioteca da EscolaMergulhando fundo nas tradições orais de nosso país, A Botija - que recebeu o prêmio literário Câmara Cascudo da Prefeitura de Natal é um livro que encanta adultos e crianças e, se lê como uma espécie de Mil e uma noites do folclore brasileiro. Três histórias se entrelaçam para compor o enredo.

A primeira delas conta a aventura de Pedro Firmo, homem simples e solitário que vive numa fazenda no interior de Minas Gerais e há anos sonha, todas as noites, o mesmo sonho - enterrada no chão de uma casa no Recife, uma botija cheia de moedas de ouro estaria à sua espera. Um dia, finalmente, ele resolve descobrir se o sonho esconde uma parcela de verdade - e se põe a caminho.

 Durante a viagem, ouvirá fascinado duas narrativas que estão profundamente enraizadas no imaginário brasileiro e que têm, ao mesmo tempo, alcance universal. A história de Eulália, seu pai feiticeiro e seu noivo desmemoriado e a fábula de “O pavão misterioso”, talvez o mais célebre romance de cordel nordestino, agora recontado em prosa por Clotilde Tavares.

Em seu blog (umaseoutras.com.br), Clotilde revela que seu pai contava a história de um homem que vivia numa fazenda em Minas Gerais e sonhava com uma botija enterrada em uma casa na rua da Imperatriz, no Recife, cidade à qual ele jamais tinha ido. Um dia, esse homem resolveu sair de onde morava e empreender a busca do tesouro. Foram muitas peripécias e um final inusitado, e essa história lhe impressionou tanto, ecoou tanto dentro da sua cabeça durante tanto tempo que resolveu contá-la em livro. Ela misturou com outras histórias também da sua infância e daí resultou o livro, “A Botija”.

Editado pela Editora 34, em 2006, o livro é muito bem aceito e está sendo adotado como leitura obrigatória do vestibular de 2011 da Universidade Federal de Campina Grande. “Como escritora, não me considero pertencente à Paraíba, ao RN ou ao Nordeste. Escrevo minhas histórias para pessoas, que estão em todo lugar do país, e fora dele também”, disse.

Para Clotilde Tavares, o livro é “Um tesouro de histórias, arrancado do profundo solo da minha infância: é esta botija, brilhando como ouro nas noites da imaginação”.

Programa Nacional Biblioteca da Escola

O apoio à atualização e ao desenvolvimento profissional do professor são os principais objetivos do PNBE. Por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência e outros materiais relativos ao currículo nas áreas de conhecimento da educação básica, o Ministério da Educação apoia o cidadão no exercício da reflexão, da criatividade e da crítica.

Desde que foi criado, em 1997, o programa vem se modificando e se adequando à realidade e às necessidades educacionais. Sob a gestão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE tem recursos financeiros originários do Orçamento Geral da União.

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Comentários

  • Flaviana

    Olá!... Parabenizo a professora Clotilde Tavares! No entanto, gostaria de sugeri que fosse incentivadas nas escolas públicas e privadas da cidade do Natal, tanto a escritora Clotilde Tavares como os nossos escritores literários vivos (Deifilio Gurgel, Iaperi Araújo, Tarcísio Gurgel, Diógenes da Cunha, entre outros nomes) suas presenças constante nas escolas para apresentar suas obras e contar um pouco das nossas raízes Potiguares. Atenciosamente, Flaviana

  • fatimamignot

    A Educação está de parabéns! Eis aí um excelente livro, capaz de despertar em quem o lê a capacidade de liberar o pensamento para que faça o papel mais importante que lhe cabe: mergulhe fundo na criatividade, alce altos vôos nas asas da imaginação, crie e recrie memórias dignas de serem trazidas ao mundo real, mundo que pode sim ser melhor, muito melhor, para aqueles que descobrem O valor inestimável da LEITURA DE BOA QUALIDADE. PARABÉNS TAMBÉM PARA CLOTILDE TAVARES! EXCELENTE ESCRITORA, EXCELENTE PESSOA!

  • aldulopes

    Clotilde, você é bárbara. Eles não fizeram mais do que a obrigação deles. Seu livro já devia de há muito estar em todas as escolas desse Brasil. Estive no lançamento dele e comprei cinco exemplares, um para mim e o os outros para presente. Parabéns redobrado. Ela merece.

  • neto1976

    Nossa! Quanto tempo não via a professora Clotilde! Pelo que soube, ela teria se mudado para a Paraíba há algum tempo. Voltou? Tomara, pois sua presença faz muita falta aqui no circuito artístico. A julgar por sua criatividade e imaginação fantásticas, A BOTIJA deve ser uma \"viagem\". Com certeza será um sucesso!