A viagem espacial de Galactic Gulag

Publicação: 2018-02-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Sílvio Santiago *
Colaboração para o Viver

No momento em que várias nações e empresas do mundo anunciam seus progressos para o início da colonização de Marte, surge uma trilha sonora para essa nova odisseia humana. E ela é a contribuição do Brasil. Mais precisamente composta por músicos potiguares. É o que afirma várias publicações eletrônicas americanas e europeias – além de brasileiras, especificamente do Sudeste.

Assim é Galactic Gulag, cujo álbum de estreia, lançado em dezembro, é considerado um dos melhores do ano
Assim é Galactic Gulag, cujo álbum de estreia, lançado em dezembro, é considerado um dos melhores do ano

Lançado nas plataformas digitais em novembro de 2017, o álbum “To The Stars By Hard Ways”, da banda natalense Galactic Gulag, rapidamente ganhou grande repercussão internacional e passou a receber elogios de sites em vários países. Editado pelo selo fluminense Abraxas Records, dos irmãos Felipe e Rodrigo Toscano, a obra – que também será lançada ainda neste semestre no formato digipack, cuja capa foi criada pelo designer e ilustrador Will Silva – traz cinco faixas instrumentais com duração que varia entre oito e 15 minutos.

Eleito pelo espanhol El Habitación 235 entre os dez melhores discos instrumentais e o primeiro entre os 20 sul-americanos lançados no ano passado, “To The Stars By Hard Ways” é uma imersão pela ficção científica, pelo progressivo, psicodélico, trippy, doom e stoner rock.

Para o seu editor e crítico, Ruben Herrera, o debut do quarteto que tem como baterista César Silva, baixista Gabriel Dunke e guitarristas Breno Xavier e Pablo Dias é um dos álbuns “mais importantes de 2017”. O jornalista ibérico afirma ainda que “do Nordeste do Brasil começa um grande tsunami, que acreditamos não demorará alcançar a  Europa”.

Um experimento instrumental novo e visual arrojado
Um experimento instrumental novo e visual arrojado

Outro entusiasta da banda é o americano Kris Wilson. Ele publicou em sua coluna no Head-Banger Reviews que “sempre há uma parte de mim que deseja ouvir uma música rock saborosa”. E continuou: “além da psicodelia, Galactic Gulag também consegue trazer à mesa um monte de elementos progressivos que eleva seu álbum de estreia a uma viagem verdadeiramente interestelar de proporções incríveis”. Ele conclui afirmando que “definitivamente, a banda ganhou um devotado seguidor”.

Apesar da aclamação internacional, o público de Natal ainda não assistiu à uma apresentação da Galactic Gulag após o lançamento de “To The Stars By Hard Ways”. Isso se dará nesta sexta-feira 2 no show que fará no El Rock (rua Raimundo Chaves, 1892, Candelária), evento que contará ainda com a participação da também local Son of a Witch.

Em seguida, no dia 4 de março, participará do Hocus Pocus Festival, que acontece no Cais da Imperatriz, no Rio de Janeiro, antecedendo a banda alemã Kadavar. Já no dia 11 do mesmo mês, será uma das atrações do festival Garage Sounds, o qual será realizado em Natal na Arena das Dunas – no mesmo período, também ocorrerá edições em Fortaleza e no Recife. É o começo de uma caminhada que transcenderá o tempo e o espaço – interestelar.

A reportagem conversou com os integrantes da banda Galactic Gulag por e-mail. Os músicos falam sobre seu disco de estreia.

Como se deu a criação e gravação do álbum “To The Stars By Hard Ways”?
O disco é um trabalho conceitual, que narra histórias sobre emancipação, resiliência e quebra de paradigmas. Cada faixa é um capítulo. Todos nós curtimos muito essa temática de ficção científica espacial, e isso serviu de pano de fundo para o enredo. As músicas se complementam com os textos do encarte e o nome da banda, que é uma alegoria na qual os habitantes de um planeta são escravizados pelos de outro. Ele foi gravado no Black Hole Studio, daqui de Natal, entre julho e setembro de 2017 por Flávio França, Patrick Schafstein e Adriano Sabino, que também mixou o material.

Apesar de ser um disco instrumental, as ilustrações parecem narrar a sonoridade dele.
De fato. Apesar de ser um disco instrumental, ele conta histórias. E as artes de Will Silva são parte essencial da elaboração do álbum, complementando o clima das músicas. Também fazemos algumas referências a filmes ao longo do disco. O próprio título dele é uma referência cinematográfica [a “Per Aspera Ad Astra”, do russo Richard Viktorov, lançado em 1981].

Como se deu essa repercussão internacional do disco?
Após a divulgação do material pelo Bandcamp, firmamos uma parceria com o selo Abraxas Records, do Rio de Janeiro, para lançá-lo em formato digital. Como é um seguimento muito específico, mas com milhões de admiradores ao redor do mundo, ele se espalhou rapidamente. Mas a repercussão não é só estrangeira. Ela também está sendo muito boa aqui no Brasil. Tanto que está rendendo vários contatos para futuras gigs pelo país.

Quando o disco será lançado em formato físico?
Estamos nos articulando com o pessoal do selo para lançá-lo até o início de março. Enquanto isso, queremos tocar no máximo de lugares possíveis.

Nesta sexta-feira, será a primeira vez que vocês irão apresentá-lo em Natal. Como isso se dará?
O executaremos na íntegra, faixa a faixa. Mas também vamos testar algumas músicas inéditas. Vale lembrar que a experiência do disco fica mais evidente ao vivo.

(*) Silvio Santiago é jornalista cultural e pesquisador


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