Débora Bloch: "A vida como ela é"

Publicação: 2018-08-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Um casal sem “nada de extraordinário” conhece outro nas mesmas condições, seus novos vizinhos. Além disso, eles também têm o mesmo sobrenome, Silva. Mas, infelizmente para os casais, as semelhanças não vão parar por aí. Comédia e drama se alternam em “Os Realistas”, elogiado espetáculo que será apresentado em Natal sábado e domingo, no Teatro Riachuelo. A peça é uma adaptação do texto do dramaturgo norte-americano Will Eno, com direção de Guilherme Weber – que também atua ao lado de Débora Bloch, Emílio de Mello e Isabel Teixeira.

Debora Bloch, atriz e produtora
Debora Bloch, atriz e produtora

“Os Realistas” tem momentos para rir e para chorar – assim como a vida. Os casais de vizinhos – João e Júlia, José e Pônei – circulam entre cenas ora hilárias, ora densas, descobrindo que possuem o amor e a morte em comum. “A peça começa engraçada, mas depois caminha para uma direção mais densa. O texto é divertido, mas não se trata de uma comédia ligeira”, explica Débora Bloch, em entrevista por telefone ao caderno FDS.

A apresentação em Natal terá sabor de estreia: é o retorno da peça ao circuito após um ano de pausa nas temporadas. “A última vez que atuei em Natal foi na peça 'Fica Comigo Esta Noite', há uns 20 anos. Depois voltei só para passear. Estou animada para reencontrar a cidade e curiosa para ver a reação da plateia”, diz. A atriz, que ainda está em sintonia nordestina graças à série “Onde Nascem os Fortes” (gravada na Paraíba), falou mais sobre o espetáculo e as recentes experiências artísticas.

A sinopse do espetáculo passa uma ideia densa, meio mórbida. “Os Realistas” é para rir ou chorar?
Bom, a peça começa engraçada e a plateia ri muito. Depois ela vai se tornando mais densa, séria, e a plateia sente isso. É a história de dois casais de vizinhos e suas relações. Um dos homens está seriamente doente, e ao longo da peça descobre-se que o outro homem também tem a mesma doença. O texto tem muito humor, mas não é uma comédia ligeira.

O texto original é norte-americano. Foi colocado algum “tempero” brasileiro na adaptação?
O Will Eno é um dramaturgo jovem. A primeira vez que vi uma peça dele, já era uma adaptação no Brasil. Depois vi em Nova York, circuito off-Broadway. A gente quis aproximar o texto do Brasil – a começar pelo sobrenome Silva. São pessoas simples, que moram numa cidade pequena, sem “nada de extraordinário”. Sempre que você monta um texto há a interpretação de quem está trabalhando nele. Fizemos a nossa leitura, que na verdade tem pouco a ver com a americana. Mas ela apresenta situações que são comuns a qualquer ser humano.

O que te chamou a atenção no texto de “Os Realistas”?
Comecei rindo muito e terminei a leitura comovida com os rumos da história. É o tipo de texto que depende totalmente da entrega do ator, algo cada vez mais raro de se ver por aí. Esse texto é como se fosse uma partitura no qual os atores tocam os instrumentos. E ainda tem o cenário lindo de Daniela Thomas. E quando a gente viaja leva tudo junto, com o mesmo rigor e capricho em todo lugar.

A peça também pode ser lida como uma crítica ao casamento enquanto instituição tradicional?
Não sei. Vejo o texto mais como “revelador” das relações entre os casais, e como cada um pode lidar com seus problemas. A minha personagem não quer saber da doença do marido. Já no outro casal, o homem é quem cuida da mulher. Há várias maneiras dos casais se relacionarem, e eles se espelham uns nos outros para se completarem.

A sua personagem na série “Onde Nascem os Fortes” também era uma mulher com sérios conflitos conjugais. Elas têm algo em comum?
Não, nada a ver! (risos) A esposa da peça é uma mulher bem mais divertida, mesmo que frágil e desestruturada. Já a da série era bem mais dura e dramática.

Serviço:
Os Realistas. Sábado (20h) e domingo (19h) no Teatro Riachuelo.

Entrada: R$25.




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