A violência e o futebol

Publicação: 2020-02-20 00:00:00
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Garibaldi Filho
Ex-senador da República

Estamos diante de um fato lamentável no futebol praticado em nosso Estado. E não se trata de nada que esteja ocorrendo dentro do campo, mas sim nas arquibancadas dos estádios e fora deles. Tudo isso culminou na necessidade de verdadeiros "muros" para separar as torcidas, quando se enfrentaram ABC e América no Frasqueirão.

A polícia precisou, ontem, de todo um planejamento preventivo de segurança. Um cuidado e um rigor ainda maior. Esse ambiente deixa, os momentos que antecedem as partidas, regidos pela tensão e  intranquilidade.

Fica na nossa memória o tempo no qual tínhamos os "artistas" do futebol potiguar disputando tranquilamente os jogos no velho estádio Juvenal Lamartine, na avenida Hermes da Fonseca. Conduzido pela memória das saudosas vozes de Aluízio Menezes e Hélio Câmara, posso dar este depoimento, verdadeiramente nostálgico, de quando assistia aos craques do futebol local, narrados por esses radialistas.

Não temos como deixar de lamentar a diferença entre esses tempos e a situação atual. Ainda mais com relação aos episódios recentes que implicaram em incidentes com a presença de equipes de futebol de outros estados.

Até quando vamos ter que aturar esses espetáculos  deploráveis, que comprometem até mesmo o nome do nosso Estado?

E os clubes futebolístico, que deveriam ter na presença do público um incentivo aos jogadores e uma fonte de receita, acabam por ser prejudicados, uma vez que os verdadeiros torcedores devem se sentir intimidados e, com isso, ficam distantes das arenas e dos estádios.

Para superar essa circunstância e nos reconciliarmos com o melhor que o futebol pode proporcionar, é preciso fazer uma campanha e incentivar esse esporte como entretenimento saudável, uma paixão ligada à nossa cultura.

É oportuno, assim, estimular uma retomada da vinculação do torcedor com seu time preferido,  sem excessos ou agressões inexplicáveis e inadmissíveis, que devem ser punidas exemplarmente.

Estou fazendo este apelo porque converso com aqueles que têm o mesmo sentimento com relação  ao nosso futebol. Há também da parte de dirigentes dos clubes o desejo de investir. Mas, se persistir o clima atual, há um temor de que não possam fazê-lo.

Desculpem os jornalistas e radialistas que são especialistas neste segmento, se estou invadindo suas searas, porém não podemos deixar de fazer esta advertência  sob pena de amanhã sermos responsabilizados pelo pecado da omissão. Ainda mais por se tratar de uma assunto que desperta o interesse de tantos.

Se há uma fonte que pode ser inspiradora de paz e da grandeza do nosso povo, o futebol, com as conquistas memoráveis da nossa Seleção Brasileira, é uma delas.

Já basta a violência que enfrentamos no nosso cotidiano para sucumbirmos agora aos fatos ocorridos dentro e fora dos estádios.

Vamos torcer pelos nossos times, sem que tenhamos depois de deplorar ocorrências lamentáveis como as já narradas.

Por tudo isso, deve prevalecer a paz para assistirmos aos dribles, às grandes jogadas e aos belos gols.

Assim, os jogos — no templo do nosso futebol, a Arena das Dunas, e nos demais palcos deste esporte — serão momentos de diversão e inspiração para o público que se entusiasma com o talento e a arte dos jogadores em campo.





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