A vitória aparente do SBT

Publicação: 2020-07-19 00:00:00
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Alex Medeiros
[ alexmedeiros1959@gmail.com ]

Flamengo e Fluminense fizeram na final do campeonato carioca, na quarta-feira, um dos jogos mais fracos do ano no aspecto de bola rolando. Foi uma pelada sofrível, que não escapou sequer da observação de muitos fanáticos rubro-negros. Nas redes sociais, o jornalista e escritor Marcos Eduardo Neves, conhecido por escrever algumas biografias de craques e de ser um ilustre flamenguista amigo do ídolo Zico, fez um texto repleto do adjetivo “ridículo”.

Seguem alguns trechos do artigo internético do Neves: “Foi ridículo ter lutado tanto para jogar um torneiozinho ridículo que há tempos não merece mais existir. Foi ridículo não ter vencido os dois turnos, já que fez tanta questão de disputar. Foi ridículo ver um reserva tentar menosprezar o o clube adversário quando o placar estava a seu favor. Seria ridículo na Globo, mas foi mais ridículo ainda no SBT...”. Pronto, é esse detalhe das TVs que me interessa.

Porque, em verdade, a melhor parte da decisão do insosso Fla-Flu foi o clima de acompanhamento da disputa de audiência entre o SBT, que transmitia o jogo, e a Globo, que abandonara a velha tradição de exibir o futebol do Rio.

As redes sociais foram dominadas por torcedores de todas as torcidas postando parciais da audiência pelo Brasil afora, preferencialmente atentos aos índices dos grandes centros, principalmente no estado das duas equipes.

O resultado, tanto durante a partida quanto ao final dela, é que o SBT conseguiu equilibrar – até ultrapassar – a audiência da Globo no Rio e no Distrito Federal, cabendo à emissora carioca o predomínio no resto do País.

O grande momento para o SBT foi igualar e chegar a superar o horário do Jornal Nacional, a joia da coroa global, e depois se manter pescoço a pescoço até o final do jogo. Houve um momento, às 21h46, com o placar 27.9 x 27.6.

Quando a partida terminou e a festa dos flamenguistas começou no Rio e em todo o Brasil, os executivos e funcionários do SBT – além das tropas de Jair Bolsonaro e de Lula – iniciaram também uma comemoração dita histórica.

Exageros emocionais e sentimentos políticos à parte, a real questão é que a suposta grande virada do SBT foi apenas uma vitória localizada e, claro, um espetacular faturamento numa noite com seis cotas de mais de R$ 7 milhões.

Mas, na audiência nacional, a Globo venceu em todas as faixas e mesmo no horário do Jornal Nacional (tão falado pelos antiglobais) o canal carioca teve média de 27 pontos contra 13 do rival paulistano; e na novela foi 29 contra 16.

No maior centro financeiro e industrial do País, São Paulo, a menina dos olhos do mercado publicitário, a Globo praticamente esmagou o SBT e mesmo durante o jogo a disputa esteve sempre desproporcional em favor da “vênus”.

Se houve vitória real para o SBT, e seus dirigentes devem comemorar, é que o tempo inteiro, em todo o Brasil, houve um afastamento considerável da Record, que ficou bem distante nos números do Kantar Ibope e do Bastidores da TV.

A Globo disparou em todas as praças em pleno Fla-Flu, com diferenças enormes, como 31 x 11 em São Paulo, 31 x 11 em Porto Alegre, 34 x 17 em Belém e 24 x 12 em Belo Horizonte. Após o jogo, o SBT juntou-se às outras.

Portanto, não há como pensar em competição tendo como parâmetro um período de uma hora e meia numa quarta ou num domingo (dias de futebol no Brasil), quando no geral não há uma grade capaz de beliscar o Ibope da Globo.

O jogo da audiência é muito mais duro do que a pelada carioca, sofrível e ridícula como disse com autoridade o flamenguista Marcos Eduardo Neves.

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Cada vez que um juiz sentencia em favor do comércio, indeferindo a sanha dos que querem fechá-lo, é impossível não remeter ao caso do pobre moleiro nas cercanias do rei, que ao ter sua casa aberta disse: “ainda há juízes em Berlim”.

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A Companhia das Letras está reunindo seus dois selos infantis num só lugar. As editoras Companhia das Letrinhas e Pequena Zahar ganharão o Canal LetrinhaZ, no YouTube, para concentrar material audiovisual para os kids.

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