A vitória de Pirlo

Publicação: 2020-07-31 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Um dos mais talentosos jogadores que já passaram pelo futebol italiano, o maestro Andrea Pirlo, 41 anos e aposentado desde 2018 após uma brilhante carreira nos gramados da Europa, começará a trajetória que outros craques antes dele experimentaram. Pirlo vai tentar repetir ícones como Cruijff, Didi, Di Stefano, Beckenbauer, Zidane e Guardiola, assumindo a função de treinador, iniciando na equipe sub-23 da Juventus que disputa a série C do Calcio.

Em 2014, eu tentei estabelecer uma coerência com minha posição contra a organização da Copa do Mundo no Brasil me negando a assistir qualquer partida do evento FIFA na recém-construída Arena das Dunas. Mas não resisti quando a tabela foi divulgada e vi que aqui haveria o confronto Itália versus Uruguai. Convidado pelo então governador Robinson Faria, me preparei para contemplar tão somente o majestoso futebol de Pirlo em terras potiguares.

Assistir ao elegante e artístico estilo do italiano, que em 2014 com 35 anos seguia subvertendo o condicionamento físico, era como assistir um astro do cinema em final de carreira salvando roteiros e efeitos especiais de filme B.

Pirlo entre jovens jogadores, ditando o ritmo e definindo o desenho tático de uma partida, me fez lembrar os longevos craques que guardo em meu arquivo de raridades, um patrimônio material onde sempre revejo suas genialidades.

Lembro do inesquecível Nilton Santos num amistoso da seleção antes das Olimpíadas de 1956, diante da Inglaterra. Os colegas avisaram para ter cuidado com o ponta direita, figura endeusada pela torcida e mídia europeias.

Ao pisar no gramado de Wembley, o maior lateral esquerdo de todos os tempos observou Stanley Matthews, 41 anos, e comentou: “esse velhinho é o cara que vocês falaram?”. Na primeira tentativa de marcação, tomou um baile.

Nos seus últimos anos, Pirlo me lembrou a longevidade fenomenal de gênios como Matthews, a precisão nos passes do repertório de Didi, nosso líder de 1958-1962. O meia italiano foi como o solista que salva todo um concerto.

Pirlo permitiu glórias nacionais e intercontinentais para o Milan, devolveu o orgulho aos torcedores da Juventus e ainda fez a diferença na seleção italiana das Olimpíadas de 2004 (medalha de bronze) e da Copa de 2006 (campeã).

Foi a própria federação mundial do futebol que o elegeu o maior passador de bolas do planeta, numa prova inconteste da sua condição de maestro e garçom. Superou a cronologia como um titã ungido pelos deuses da bola.

Só atuou fora da Itália no fim (em Nova York, como Pelé), apesar dos convites que sempre apareciam a cada janela de negociação. Estreou no Brescia, passou pelo Reggina, depois Inter, até virar ícone do Milan e da Juventus.

Sua aventura doméstica é a antítese das suas origens, cujo avô era um cigano romeno que saiu do Leste para fazer a vida na Itália e foi chamado de “pirla”, que designa alguém sem cidadania. Dessa agressão foi gerada sua família.

Na fase em que sua espessa barba transmitiu experiência, foi chamado de Braddock, o personagem militar do ator Chuck Norris; ou de Falcon, o boneco que deu origem ao filme do brutamontes que distribui balas e sopapos na tela.

Mas foi no terceiro apelido dado pelos italianos que sua capacidade de iluminar os caminhos do jogo o espelhou melhor: Jesus. Como na canção “Homem velho”, de Caetano Veloso, Pirlo “brilha único, indivíduo, maravilha sem igual”.

Sua força física parecia ser a fonte da siderúrgica da família, liderada pelo pai Luigi Pirlo. Acho que tinha pernas de ligas de aço, poderosas sobre a relva no meio dos jovens. Um velho Pirlo, onde as coisas migram e ele serve de farol.

Créditos: Divulgação


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