Êxtase

Publicação: 2019-09-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Alma em êxtase já foi superior à antiguidade ou ao merecimento. O futebol era a síntese da vida em suas manhas, manias, contradições, alegrias e decepções, sinônimos dele, do amor. Hoje o mundo o engoliu jogando-o no redemoinho dos lucros acima das lágrimas.

Danem-se todos, do primeiro ao quinto, se vos escreve um emocional, um nostálgico, algumas vezes melancólico. É a falta de amor gerado em chuteiras, tal o ciclo da vida em útero.

É o futebol, responsável pelas maiores explosões de felicidade e desespero em 42 anos de bunda esquentando em arquibancada de cimento. Em estádio e não em casa de elite milionária e disfarçada de teatro de futebol.

Teste uma rotina mecanizada, apática, opaca e viverás o futebol brasileiro de hoje distante do que vi e vivi. Agora mesmo, exercício obsoleto, fecho os olhos e passa um lance a me manter no respiradouro das recordações.

Em 1983, Campo Santo Machadão, Baltasar do América persegue Marinho Apolônio do ABC que conduz a bola até a bandeirinha de escanteio. Baltasar fumaça pelas narinas deslizando em carrinho assassino.

Marinho ginga e volta, aplica-lhe a caneta, Baltasar desaba fora de campo e Marinho, com uma olhadinha sarcástica, prossegue até fazer o gol. Um instante, na soleira cansada do tempo e o futebol volta a fazer gargalhar de alegria e amor, extirpados a dinheiro dos tapetes pátrios.
Marcelo O novo consultor  do ABC, Marcelo Santana, pode ser tudo. Só não é milagreiro. Oxalás o ajudem.

Mão na massa
Marcelo e seu companheiro de epopeia deixaram claro: Vão prestar consultoria. Quem fará o papel de ressuscitar o ABC serão os mesmos que atolaram o clube até o último dos subterrâneos.

Marcelo
O novo consultor  do ABC, Marcelo Santana, pode ser tudo. Só não é milagreiro. Oxalás o ajudem.

Mão na massa 
Marcelo e seu companheiro de epopeia deixaram claro: Vão prestar consultoria. Quem fará o papel de ressuscitar o ABC serão os mesmos que atolaram o clube até o último dos subterrâneos.

Poder
Marcelo deveria ter autonomia para mexer no time, que provou ser uma retaguarda franca, pobre de ideias e desunida. O ABC deixou de ser um clube para virar uma casa de marocas, onde prevalecem as fofocas trairagens.

Fagundes
Não sei vocês, mas a última foto do presidente do ABC é a de um sósia de Antônio Fagundes nessa última novela.  O poder envelhece. Passividade enterra boas intenções, que superlotam cemitérios por aí. 

Quadrado
É redondíssima a bola do colombiano da Juventus de Turim. Quando parte assumindo a força de um raio a partir do meio-campo, é um espetáculo de velocidade e técnica. Individualidade. Liberdade. Quadrado joga como se estivesse batendo pelada em Bogotá ou Medellin. Nem  Pablo Escobar o marcaria.

É redondíssima a bola do colombiano da Juventus de Turim. Quando parte assumindo a força de um raio a partir do meio-campo, é um espetáculo de velocidade e técnica. Individualidade. Liberdade. Quadrado joga como se estivesse batendo pelada em Bogotá ou Medellin. Nem  Pablo Escobar o marcaria.

Paulinho Kobayashi
Resolveria no América e no ABC. Técnico novo, estudioso. Pequeno detalhe: hoje é treinador de Série B. Quando estava começando, faltou aquela mão amiga para a chance.

Mágoa
Kobayashi repete a quem lhe pergunta ou não que esperava mais do América quando estava precisando de uma força. E ele não esqueceu o desprezo. Kobayashi foi fundamental na Copa do Nordeste e no acesso do América para a Série A. Na festa de domingo, inauguração da arena, não virá. Mandará representante.

Claudinho
Com Paulinho Kobayashi, ocorre a mesma coisa que aconteceu com Claudinho, um dos maiores atacantes da história do ABC. Foi auxiliar, louco por uma vez, agora é efetivo, lembram dele, alguns.

Sangue puro
Cristiano Ronaldo não usa tatuagem por ser doador de sangue. Qualidade a mais para o matador. Quem pinta o corpo inteiro deixa-o horroroso e jogador todo rabiscado se acha o máximo. Presidiário cobre a pele como se pudesse secar o sangue inocente que derrama.

Simples sim
A festa de inauguração da Arena do América tem de ser simples mesmo. Ainda não é um estádio. São cinco mil lugares e investimento de R$ 8 milhões. É parte de um projeto maior. É uma oportunidade para a alegria pintar em vermelho.

Ideal
A Arena será ideal para 2020 quando cinco mil pessoas será considerado um público de luxo. Quatro times na Série D fora o Super Matutão.

Velha Guarda
Serão homenageados 40 ex-jogadores. Nenhum, nenhum mesmo, representa em amor, raça, gols históricos do que João de Deus Gondim Teodósio, o mitológico Bagadão. Muito antes da Idade da Pedra, Bagadão surgiu de algum rochedo com a camisa do América.

Amigos
Amigos de Souza contra Amigos de Moura, a pelada inaugural, garante o óbvio: um americano fará a rede balançar primeiro, se alguém marcar. Em 2006, o ABC abriu o Frasqueirão levando o gol inicial de Da Cunha, do Alecrim.

Taça Médici
No dia 20 de setembro de 1970, o ABC venceu o América por 2x0 pela Taça Presidente Médici com 4 mil pagantes no Estádio JuvenalLamartine. Marinho Chagas e Petinha fizeram os gols.

Times
ABC : Erivan; Otávio, Edson, Josemar e Marinho Chagas; William, Gonzaga e Alberi; Edvaldo Araújo, Petinha e Burunga. Técnico: Osiel Lago. América: Franz; Nino, Cláudio, Fernando e Duda; Gobat, Soares e Canhoto; Geraldo, Arnaldo e Agenor. Técnico: Caiçara, que mudou de time após ser campeão pelo ABC.






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