Açudes dependem das chuvas de maio

Publicação: 2019-04-19 00:00:00 | Comentários: 0
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A 40 dias para o fim do inverno na região do semiárido do Rio Grande do Norte, a expectativa se volta ao mês de maio para fins de recarga dos açudes e barragens de maior porte — até essa semana acumulando 30,16% da capacidade de reserva.

A Emparn diz que as condições climáticas são boas e apontam para continuidade das chuvas, mas reconhece que o ideal seria um acumulado entre 300mm e 400mm, somente no mês de maio, para elevar essa reserva hídrica a 45%. O mais recente registro de chuvas com essa média, para um mês de maio no RN, foi em 1995.

O serviço de meteorologia da Emparn avalia três aspectos para “medir” o inverno na região: se há seca “pluviométrica”, “agrícola” e “hídrica”. O gerente de meteorologia Gilmar Bristot disse, ontem, que de uma forma geral já não há condição de seca sob os aspectos quantitativo e distribuição das chuvas [pluviométrico], e agrícola porque em alguns municípios está havendo colheita de algumas culturas. “Mas temos, ainda, uma seca hídrica, com boa parte dos nossos principais reservatórios secos ou em volume morto”.

Segundo o meteorologista, a seca hídrica no Estado tem bastante influência dos consecutivos anos de estiagem, aliada ao aspecto de parte dos nossos reservatórios dependerem de bom inverno também em bacias de estados vizinhos, como a Paraíba. “As condições da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) estão muito boas. Tivemos boas chuvas ontem (quarta-feira, 17) em municípios das regiões Central e Seridó, e devem continuar pelos próximos dias”, disse.

A preocupação maior é quanto aos açudes e barragens localizados  nessas regiões, com baixa ou nenhuma recarga, caso do Dourado, em Currais Novos e Marechal Dutra (Gargalheiras), em  Acari, que dependem de bom inverno na Paraíba, onde o inverno não tem sido suficiente nas bacias que trazem água ao Rio Grande do Norte. “Precisamos de chuvas para elevar em ao menos 10% a 15% o volume médio dos reservatórios, hoje com pouco mais de 30%”, diz o meteorologista.

A média de 30,16% da capacidade das reservas do Rio Grande do Norte sofre influência da recarga porque passa a barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, acumulava 743.288.000m³, percentualmente, 30,97% da sua capacidade até o dia 15 deste mês. Para efeitos comparativos, no mesmo dia, em abril de 2018, acumulava 373.459.133m³, ou 15,56% do seu volume total. Ultrapassa sua melhor situação em 2018, quando atingiu 29,57% da sua capacidade.

O levantamento feito pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn) aponta que, até o último dia 15, oito reservatórios permaneciam em volume morto (17,02%), outros seis estavam (12,76%). O Igarn monitora 47 reservatórios com capacidade acima de cinco milhões de metros cúbicos de água. Na medição feita no mesmo dia, em 2018, os reservatórios em volume morto eram 10, correspondentes a 21,27% do total de monitorados. Já os secos eram 4, percentualmente, 8,51%.

A barragem Santa Cruz do Apodi, segundo maior reservatório do RN, acumula 153.482.705m³, percentualmente, 25,59% da sua capacidade (599,712 milhões de metros cúbicos). Em 2018 ela estava com 144.561.910 m³, ou 24,11% do seu volume total. O açude Umarí que possui capacidade para 292,813 milhões de metros cúbicos, está com 120.858.921 m³, percentualmente, 41,28% do seu volume total. Já no mesmo período do ano passado o manancial estava com 48.507.691 m³, ou 16,57% da sua capacidade total.

Entre os reservatórios monitorados, cinco já atingiram 100% das suas capacidades, ou seja, “sangraram”, são eles: Beldroega, em Paraú; Mendubim, em Assú; Pataxó, em Ipanguaçu; Encanto, localizado em Encanto; e Riacho da Cruz II, em Riacho da Cruz. Outros mananciais já estão com volumes acima dos 70% de suas capacidades, casos de: Marcelino Vieira, com 91,69%; Rodeador, em Umarizal, com 83% e Apanha Peixe, em Caraúbas, com 75%.

Entre os reservatórios que estão em volume morto, estão: Itans, em Caicó; Pau dos Ferros; Cruzeta; Zangalheiras, em Jardim do Seridó; Esguicho, em Ouro Branco e Santa Cruz do Trairi, em Santa Cruz. Já os secos são: Santana, em Rafael Fernandes; Marechal Dutra (Gargalheiras), em Acari; Dourado, em Currais Novos; Inharé, em Santa Cruz; Trairi, em Tangará e Japi II, São José do Campestre.








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