Viver
'Abandono' retrata as reações ante a destruição
Publicado: 00:00:00 - 15/09/2021 Atualizado: 22:41:43 - 14/09/2021
Um cenário praieiro, em meio a um acidente ambiental, é capaz de provocar as mais diversas reflexões. Assim surgiu o curta-metragem “Abandono”, um filme experimental por Marcos Bulhões e Seo Cruz, que será lançado oficialmente nesta quarta-feira, às 21h, no canal da produtora Mudernage no Youtube. Na ocasião terá um bate-papo online com integrantes do elenco, diretores  e equipe técnica. O filme teve pré-estreia no mês passado, dentro da programação do Festival Goiamum Audiovisual. 

Divulgação
As imagens são 2013, quando parte do calçadão da praia de Ponta Negra foi destruído pelo mar

As imagens são 2013, quando parte do calçadão da praia de Ponta Negra foi destruído pelo mar


As imagens que deram origem a “Abandono” existem desde 2013, ocasião em que parte do calçadão da praia de Ponta Negra foi destruído pelo mar. O cenário era desolador e despertou o interesse num grupo de artistas em fazer uma ação performativa no local. O coletivo de teatro Maribondo Caboclo entrou em cena, junto com o diretor Marcos Bulhões, que dirigiu as atuações, sob o registro de Seo Cruz. “Foi um belo trabalho coletivo, e desde então a gente queria transformar aquilo num curta-metragem”, conta. 

Em cena, os atores de “Abandono” performam suas reações diante da destruição. Seo Cruz explica que o roteiro é aberto, o filme não tem diálogos, e a trilha sonora foi encaixada como mais um personagem. A sinopse do filme diz o seguinte: “Na travessia do campo minado da peste que nos ameaça, agravada pelo despreparo e descaso do sistema, o que restará de nossa humanidade?”. O elenco é formado por Elcimar Macedo, Maria Di Lia Oliveira, Manoel Gomes, Nara Salles, Riccardo San Martini, e Vânia Maria. 

Ao longo dos quase dez anos em que levou para ser feito, “Abandono” foi ganhando mais significados. “O abandono, naquele momento de 2013, era apenas sobre o meio ambiente, os artistas que estavam sem apoio”, diz. Então veio a pandemia, em 2020. “Vimos que o termo era ainda mais abrangente do que pensávamos. Vimos o abandono das pessoas pela saúde, pelo estado, pela humanidade”, diz. 

Em sintonia com as peculiaridades dos dias atuais, a narrativa e os personagens de “Abandono” ganham sentidos que são bem individuais no imaginário de cada espectador, principalmente pelo fato que o filme não conta com diálogos. “O imaginário de quem assiste é muito importante, pois sem as falas, as imagens e a trilha sonora ganham mais significados”, conclui. 

“Abandono” foi iniciada de forma independente (produção/filmagem) e contou na finalização (edição de imagem, trilha sonora e edição de som) com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, e governo do Estado. 

Serviço:
Curta “Abandono”, de Marcos Bulhões e Seo Cruz. Lançamento na quarta, às 21h, no Youtube da Mudernage. 








Leia também