Natal
Abate de gado no Rio Grande do Norte tem o menor número desde 2005
Publicado: 00:00:00 - 23/09/2021 Atualizado: 23:00:18 - 22/09/2021
O abate de gado no Rio Grande do Norte, incluindo bois, vacas, novilhos, novilhas, vitelos e vitelas, registrou, no primeiro semestre de 2021 , o menor índice desde 2005. Os dois primeiros trimestres deste ano, juntos, somaram 29.833 animais abatidos no Estado. Os dados fazem parte da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Adriano Abreu
Além dos problemas estruturais do Estado, há queda no consumo de carne por conta da inflação

Além dos problemas estruturais do Estado, há queda no consumo de carne por conta da inflação


De acordo com os dados do IBGE, o trimestre atual apresentou um crescimento de 9,6% no abate de bovinos no RN em relação ao anterior, saltando de 14.230 no 1º trimestre para 15.603 no 2º, Quando se compara com o 2º trimestre de 2020, há uma redução de 16,9%. 

Com esses números, o RN permanece sendo o penúltimo estado da região Nordeste em termos de abates de bovinos, ficando à frente apenas da Paraíba (13.303 cabeças). Em primeiro lugar, está o estado da Bahia, tendo abatido mais de 224 mil bovinos.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte, Guilherme Saldanha, reconhece a situação e explica que o Estado precisa de abatedouros regularizados para voltar a melhorar os índices. A expectativa é entregar quatro até o fim do ano, em Angicos, Florânia, Santa Cruz, e Acari e outros 14 para os próximos anos.

“A expectativa nossa é que no ano que vem comece a voltar à normalidade. Caiu tanto porque não tem onde abater. Esse é o problema. Além disso, temos outro problema que essa seca que atravessamos de sete anos, perdemos um rebanho de 30%, então ainda estamos recuperando esses animais. Esses últimos dois anos não foram de abate, mas de recuperação de rebanho”, disse Saldanha. 

Na avaliação do diretor da Associação Norteriograndense de Criadores (Anorc), Eduardo de Paula Melo, a queda específica no ano de 2021 pode estar associada ao período de seca e estiagem de chuvas no Estado neste ano. 

“Um dos fenômenos é essa estiagem deste ano, que diminuiu a oferta de animais”, explica. Além disso, a Anorc argumenta que a política de benefícios fiscais do Governo do Estado estaria beneficiando produtores de outros estados. A importação de carne inviabiliza a cadeia local. 

“Estamos trabalhando para ressuscitar a cadeia do abate oficial no Estado. Hoje, no RN, é feito em sua maior parte irregular. A cadeia se fragilizou muito devido aos programas de benefícios fiscais. Estamos tentando realizar tratativas mostrando ao Governo que esses benefícios, para a carne, fazem com que o mercado local se torne um paraíso da importação de carne para outros estados”, comenta Marcelo Passos, presidente da Anorc. A isenção fiscal, segundo dirigentes da Anorc, atinge 90% para empresas que importam carne no Estado, o que gera uma competitividade “desleal”, segundo os produtores.

Sobre esse ponto, o secretário Guilherme Saldanha afirmou que o Governo baixou um decreto isentando de impostos os animais abatidos no RN. 

“Estávamos deixando de abater animais. A equação fiscal já fizemos. Temos alguns benefícios e isenções para quem traz carne de fora e que beneficia essa carne aqui. É o Proadi. O que estamos propondo é que seja estudada uma forma para que se tenha um benefício fiscal, mas para animais abatidos aqui”, explica. 

Suínos
A pesquisa do IBGE também traz informações sobre o abate de suínos. O RN registrou nesse segundo trimestre 3.195 abates. Além do número de abates ser menor do que o trimestre anterior (3.246) também é inferior ao registrado no segundo trimestre de 2020 (3.252). Ademais, o RN foi o único estado com abatedouros oficiais de suínos que registrou queda no abate deste animal na comparação com o trimestre anterior. 

Preço da carne 
As mudanças recentes no preço da carne têm feito os potiguares mudarem os hábitos no tocante ao consumo das proteínas nas refeições. A TRIBUNA DO NORTE conversou com gerentes de frigoríficos, que explicaram que há um aumento na procura por frangos e aves em detrimento da carne vermelha, que em alguns casos, pode ser 70% mais barata.

Em 12 meses, por exemplo, a alta acumulada da carne vermelha já chega a 38% no país, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo), divulgados em agosto pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além disso, a carne vermelha, segundo dados de uma pesquisa do Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, representou 33% do custo da cesta básica em agosto. No ano passado, este peso era de 30%. Em agosto de 2019, era 28%.  

Para o autônomo Felinto Neto, 40 anos, morador de Natal, as mudanças constantes no preço da carne não o impedem de comer a proteína, mas ele passou a ser mais seletivo em relação ao que compra nos açougues.

“Está caro. Costumo consumir carne de boi, frango, porco. A gente dá uma pesquisada. Procuro sempre o que está mais em conta. Comprei fígado hoje, mas de carne de sol diminuí muito”, explica, citando ainda que tem consumido mais carne de frango ultimamente. 

Para o gerente de um frigorífico no Alecrim, Josivaldo Vieira, a procura pela carne vermelha diminuiu cerca de 50% durante a pandemia e a procura por cortes mais em conta cresceu.

“Tem dado uma queda, cerca de 50% nos últimos meses. No começo da pandemia vendíamos bastante, mesmo com o comércio fechado. Essa queda é por conta dos preços, porque subiu muito”, cita. 

Pensamento semelhante é o de Marcos Mateus de Souza, 23 anos, vendedor de carnes na Cidade Alta. Ele comenta que atualmente as carnes brancas (frango) representam de 70 a 80% das vendas no frigorífico onde ele trabalha. 

“Pessoal hoje procura mais a parte de aves. Diminuiu bastante a venda de carnes bovinas. O hábito mudou com esses preços”, acrescenta, explicando que o preço médio da carne é de R$ 38, enquanto que o frango está na casa dos R$ 13. 

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