ABC atribui as demissões à crise

Publicação: 2020-03-24 00:00:00
A+ A-
A crise pegou o ABC em cheio. Com o departamento de futebol desativado, devido aos problemas relativos à questão da pandemia do coronavírus, o clube iniciou um processo de readequação a nova ordem e ontem anunciou a demissão de 30 funcionários do seu quadro de trabalho. O vice-presidente do Alvinegro, Bira Marques, classificou a medida como uma questão de sobrevivência do próprio clube, que não possui de onde retirar recursos para cumprir com suas obrigações. 

Créditos: Adriano AbreuO roupeiro Joca era um dos símbolos do Alvinegro natalenseO roupeiro Joca era um dos símbolos do Alvinegro natalense


O clube também divulgou nota oficial explicando os motivos da decisão e a previsão mais sombria, coloca em risco até a participação abecedista no Brasileiro, caso a medida extrema no futebol dure três meses ou mais.

“O clube parou, essa questão do coronavírus foi essencial, é uma questão de sobrevivência na verdade. Na minha opinião, que não sabia nem quem tinha para ser demitido, na situação que o ABC se encontra, teria de ser demitido todo mundo. Como é que um clube de futebol ou uma empresa que fecha suas portas de forma geral consegue manter as suas contas? No caso do ABC a situação é mais delicada ainda, pois o clube já vem tentando controlar uma crise e aí aparece outra pior ainda”, afirmou Bira.

O dirigente classificou o quadro como caótico, uma vez que não fonte de arrecadação, já que o patrocinador é o primeiro ligar alegando o momento de excepcionalidade e comunicando que irá suspender os repasses. A Liga do Nordeste também não confirma o pagamento da última cota do repasse por participação, pelo fato de a primeira fase sequer ter acabado. “Esse problema atinge uma série de clubes brasileiros e alguns não devem suportar. Se não tiver uma atitude drástica da CBF de auxílio a muitos deles, pode ocorrer uma quebradeira geral”, previu Bira Marques.

O dirigente foi claro ao reforçar que o ABC não tem condições de operar na situação na qual se encontra atualmente. “Quando você tem um jogo que consegue arrecadar um, dois ou três mil reais, é pouco, mas você arrecada alguma coisa. Em atividade existe a possibilidade de o clube acertar algum patrocínio pontual e ganhar mais algo, já sem futebol, tudo parado e sem condição de retorno a situação fica muito complicada”, questiona.

Num quadro ainda mais negro, mas que estão dentro das previsões das autoridades de saúde, que preveem o começo da retomada da normalidade em relação ao coronavírus num prazo de 90 dias, Bira Marques se mostra pessimista até na participação do ABC na Série D do Brasileiro, caso esse quadro se confirme. “Acho que é praticamente impossível ele ter condição. Digo praticamente na iminência de acontecer algo extraordinário que venha amenizar a situação dos clubes ou algo que a diretoria consiga bolar e venha a dar certo. Senão é impossível.  A crise atinge tudo e a todos, as empresas foram atingidas de forma direta a queda de faturamento delas chega a 70%”, afirmou.

A medida, que atingiu apenas os funcionários do clube ontem, pode chegar ao grupo de atletas nos próximos dias, alerta Bira Rocha. Uma nova reunião para avaliar a situação será realizada ao final do primeiro prazo de quinze dias, onde serão estudadas novas medidas para evitar um colapso nas contas abecedistas. “A reunião que participai foi para definir as ações necessárias para os primeiros quinze dias de paralisação, teremos outras reuniões até sexta-feira com a preocupação voltada para esse tema, que envolve os atletas. A situação não está boa, o atleta continua empregado e mesmo em casa, vai querer receber o salário. O clube não arrecada, a conta não fecha e tudo fica muito complicado de administrar”, salientou o vice-presidente do ABC.

Bira Marques reconhece que é triste se desfazer de funcionários tão antigos e com relevantes trabalhos ao ABC, mas acredita que o momento é emergencial e que ninguém ficará desassistido em meio a essa grave crise provocada pela pandemia do coronavírus. “Me solidarizo com todos, essa crise é mundial, chegou aqui e deve ser longa. Infelizmente na questão desses funcionários o presidente Fernando Suassuna não tinha muito o que fazer, acho que tomou a decisão que tinha e dava para ser tomada. Mas esses funcionários que saíram vão ficar amparados pelo seguro desemprego durante os próximos meses de crise e todos terão a oportunidade de voltar a prestar serviço para o clube depois que tudo isso passar”, ressaltou Bira Marques.

Em nota divulgada à imprensa, a diretoria disse que “pensando na manutenção financeira das famílias de nossos colaboradores, neste período em que o clube não conseguirá honrar os salários, o desligamento ao menos possibilitará o recebimento dos recursos do seguro desemprego à grande maioria dos demitidos, dando-lhes a oportunidade de prover para as suas famílias, bem como, buscar novas recolocações neste momento em que o clube ficará parado”.

O clube também esclareceu que, “algumas situações, respeitando as orientações dos órgãos de saúde e respaldado pelo Departamento Jurídico, os funcionários que se enquadram no grupo de risco da contaminação não foram convocados a deixar suas casas e a comunicação do desligamento foi feita através de videoconferência ou mensagem”.






Deixe seu comentário!

Comentários