ABC busca união e um salvador

Publicação: 2017-08-22 00:00:00
Em nome da união do ABC, o presidente Judas Tadeu admitiu que pode reduzir o próprio mandato e antecipar o pleito eleitoral no clube para o final desse ano. Ele se mostrou disposto a abrir mão do tempo que ainda tem para comandar o clube na iminência de encontrar um candidato capaz de reunificar o Alvinegro, que deixou o pleito de 2015 partido. “Pedirei ao Conselho Deliberativo do ABC que antecipe a eleição para presidente do clube para o final desse ano. Também que se reduza os mandatos do presidente de três para dois anos. Precisamos encontrar a paz. E se for uma exigência para unir o ABC, coloco o cargo à disposição”, ressaltou o dirigente.

Créditos: Adriano AbreuMárcio Fernandes tem problemas concentrados na zaga e ataqueMárcio Fernandes tem problemas concentrados na zaga e ataque

Com 26% de aproveitamento no comando do Alvinegro, técnico Márcio Fernandes dirigiu o clube por 62 dias e ganhou quatro pontos

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Ciente de que o ABC ficou grande demais para ser dirigido apenas por uma corrente política, Judas Tadeu concedeu entrevista  ao Programa Globo Esportivo Primeira Edição e estendeu a bandeira branca. “Estou aqui com muita humildade para fazer um apelo à todos os alvinegros para que voltem ao clube. Peço isso não pelo momento atual, mas sim por entender que o ABC precisa se tornar um clube só novamente.”, salientou. “O presidente Paiva Torres tinha razão quando falou que a eleição seria um ponto de divergências e de divisão do clube. Isso realmente ocorreu”.

Judas Tadeu reconheceu a divisão do Alvinegro, usando como exemplo a tentativa de criar um expediente que já funciona bem no América no momento de crises: o Conselho Consultivo. “Quando criamos o Conselho Consultivo tínhamos enviado o documento para todos os nossos ex-presidentes, mas por problemas de relacionamento, a criação acabou não ocorrendo sequer um encontro. Está na hora do ABC ser um clube só e venho aqui humildemente dizer que precisamos da volta de todos os abecedistas. Já tentei, através do conselheiro Antônio Gentil, me reunir com aqueles que se afastaram do clube, mas ainda não foi possível, talvez por eu não ter feito publicamente essa solicitação, mas agora estou fazendo esse apelo”, disse.

Expondo a cara a tapa, ele confessa inclusive que se equivocou na contratação do treinador Márcio Fernandes, cuja presença à frente da equipe não surtiu o efeito desejado.

“No tocante ao técnico Márcio Fernandes entendo que mesmo sendo ele um grande profissional, infelizmente a equipe não vinha reagindo em campo. O escolhemos por que conhecia 60% do nosso elenco e agradecemos pela sua passagem pelo clube, mas agora vamos em busca de um novo profissional”, frisou.

A definição de um novo comandante para o ABC pode não sair de forma imediata, a diretoria está avaliando alguns nomes e pretende evitar erros. “Já tive 32 nomes indicados para assumir a equipe, mas ainda não tomei nenhuma decisão. O perfil tem que ser de um técnico que venha para resolver. O plantel está aí e vamos escolher de forma tranquila. Pode até ser hoje ou amanhã a escolha do técnico,  contudo temos tempo”, ressaltou Tadeu.

A diretoria que chamou quatro atletas para negociar as rescisões de contrato, entre os quais se encontram os nomes do meio-campista Zotti e do atacante Nando. É uma decisão de diretoria visando reduzir os custos com futebol.

Apoio
O presidente da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF), José Vanildo, diante da situação vivida pelo filiado na Série B, contesta quem considera  a competição muito grande para os clubes potiguares. Ele prefere encarar a situação apenas como um momento de turbulência do clube no Brasileirão, que recebeu uma das menores cotas do Brasileirão e passa por um momento de crise financeira.

“As dificuldades que o ABC atravessa é reflexo da própria economia no país. O futebol no RN não possui qualquer tipo de ajuda extra, enquanto nos demais estados existe uma ação direta da prefeitura, do governo ou de bancos oficiais usando o esporte como fonte de divulgação e geração de empregos. Vemos isso na Paraíba, Bahia, Pernambuco, Alagoas. Isso ocorre apesar de o nosso estado estar muito bem situado no ranking nacional e regional, onde ficamos atrás apenas da Bahia, Pernambuco e Ceará”, destacou José Vanildo.