Cookie Consent
Esportes de Primeira - Itamar Ciríaco
ABC, cuidado
Publicado: 00:01:00 - 01/07/2022 Atualizado: 21:48:28 - 30/06/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Ainda era maio quando o ABC conseguiu fazer mais de dois gols em jogo da Série C. Foi na animadora traulitada de 3x0 sobre o Brasil de Pelotas(RS). 

Depois, empate em 0x0 com o Botafogo em João Pessoa(PB), vitória de 1x0 em chute de bola parada de Wallyson, empate com o Ypiranga em Erechim(RS) e decepcionante confronto sem gols, em casa, contra o trivial Confiança(SE). 

O ABC adotou a retranca como padrão e, se há cinco jogos sua meta está inviolável, seu ataque é uma piada de incompetência. O ABC faz uma boa campanha na Série C, torneio de tiro relativamente longo e não pode despencar na avareza ofensiva estabelecida como padrão pelo técnico Fernando Marchiori. 

Com 22 pontos, o ABC estaria com 24 caso houvesse derrotado o Confiança no Frasqueirão, em partida precedida de passeata e comemorações pelos 107 anos do clube. 

A partida contra o Confiança descortinou a fragilidade alvinegra que não pode ser debitada apenas à saída do ótimo atacante Kelvin, melhor jogador do time na temporada. Kelvin cumpria funções importantes, armando e finalizando ou somente perturbando o juízo de zagueiros na missão de atacar. 

Certo. Kelvin saiu para o Atlético(GO), Série A, e, de repente, não mais que de repente, o ABC empobreceu quase à indigência ofensiva. O caminho do gol foi perdido e as traves servem de enfeite ou entulho para arremates ridículos e desertificação crescente após a intermediária, pela falta de criatividade no meio-campo. 

Arrisco-me a eleger ABC 0x0 Confiança – ABC sem dar um chute a gol -, como o pior jogo de todos do clube na terceirinha. Foi uma partida assombrosa. E que expôs a má vontade ou incoerência do técnico Fernando Marchiori com o craque Wallyson. Não fosse a falta que redundou no gol diante do Mirassol, feita por Wallyson, o ABC estaria há seis rodadas donzelo, assexuado, impotente no ataque. 

Será que Wallyson não poderia ter entrado e evitado o constrangimento com toda pinta de escolha pessoal ou persecutória do técnico? Wallyson nunca será sequer igual aos fracos  Henan, Gustavo França, Jefinho quanto mais o tenebroso Porozo. 

O ABC estancou no campeonato é a verdade plausível. Defende como se a Fortaleza dos Reis Magos protegesse. A partir da cabeça da área, toca para um lado, para um outro, lateraliza a saída de bola, enfia chutão para frente e o jardim da criatividade murcha de tanta jogada feia.

Urge a contratação de um meio-campista criativo e de padrão Série B. Não interessa se é caro. Que sejam dispensados os meros medíocres. Um meia, que lance, pare o jogo, acalme o time, organize a passagem da bola até o ataque, embora ataque pareça ser contrário aos princípios do treinador Marchiori, discretamente, fazendo do ABC, uma sucursal da Portuguesa(SP) que ele treinou e teve desempenho fraquíssimo. Todo técnico tem sua patota e o ABC não merece Franças e Henans. 

Em campeonatos espichados, nem sempre quem dispara, consegue manter a regularidade até o fim. É quase impossível segurar o ritmo em alta constante. O medo é o ABC, raquítico na sequência de zeros na defesa e no ataque, descer na tabela de classificação diante do afunilamento da briga pelas vagas. 

O fato é que a Frasqueira está passiva e não parece reclamar da desprezível tática usada pelo seu treinador. Um típico medroso, de segurar primeiro a retaguarda para, se Nossa Senhora Aparecida obrar milagre, descolar um gol ao acaso. 

Fernando Marchiori seria um ótimo economista ou tesoureiro de banco. Nunca a conta fecharia no negativo. Ocorre que, no comando do ABC, vai – logo contra o Aparecidense --, precisar ser mão aberta, entendendo que o ataque é o mais importante setor de um time de futebol. E pedir contratações melhores do que as que ele, investido de poderes inconcebíveis, trouxe para nada fazer com a camisa da Frasqueira. 

Esquema 
Alguns irritados dizem que o técnico Fernando Marchiori adotará o 9-1 de esquema, com apenas um aventureiro ofensivo se debatendo no ataque. 

Para os Emirados 
O manager – ou CEO Alciney Miranda, craque natalense revelado no ABC e hoje dirigente nos Emirados Árabes, avança no intercâmbio com o alvinegro. Gostou de um centroavante da equipe sub-17 e o garoto pode ser o primeiro a cruzar oceano.

Equilíbrio delicado 
O América se deixou ficar na quarta colocação e vai para o jogo contra o Afogados da Ingazeira(PE), fora de casa, na certeza de aguentar pressão a partir do primeiro minuto. Com 17 e o adversário, 15 pontos, o América pode ser superado em caso de derrota ficando fora da área de classificação 

 Leandro Sena 
A coluna está de alma lavada por sempre ter defendido a efetivação de Leandro Sena no América. Nenhum dos técnicos recentes fez o suficiente para ser superior hierárquico de Leandro Sena, que é de casa, tem história no clube e talento. 
         
Efêmera
Alegria de vascaíno não dura mais que uma semana.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte