ABC não quer reclassificar Futebol

Publicação: 2020-06-06 00:00:00
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A questão da retomada das atividades do futebol promete ficar para depois do dia 17 de junho, quando a Comitê de Saúde  do RN vai se reunir para tratar da possibilidade de relaxamento do decreto de isolamento social. Enquanto o América, por parte de sua diretoria, vê os futuros adversários na Série D do Brasileiro retomando as suas atividades nos estados vizinhos e se movimenta no sentido de conseguir a liberação para voltar aos trabalhos, junto as autoridades potiguares, o ABC e o Santa Cruz se mostram contra o retorno imediato, baseado na reclassificação da atividade no rol das atividades essenciais.

Créditos: DivulgaçãoBira Marques mostra preocupação com estágio da Covid-19 no RNBira Marques mostra preocupação com estágio da Covid-19 no RN


O vice-presidente do América, Ricardo Valério, disse que ingressou com uma solicitação no setor técnico da secretaria de Saúde do RN, solicitando a reclassificação do futebol, que neste momento se encontra na mesma lista junto com as academias e outros tipos de modalidade esportiva. O documento, em papel timbrado do América é uma ação individual. Ele reforça que embora unidas numa mesma base de classificação, todas as categorias possuem riscos específicos e devem ser avaliadas de forma individual pelo corpo técnico.

“O futebol não pode estar na mesma base de prioridade que as academias, por serem atividades distintas. Dei entrada na documentação em nome do América e caso haja o entendimento de uma nova reclassificação para o futebol, poderemos retornar aos treinos. A medida irá beneficiar todos os demais clubes que disputam o Campeonato Potiguar, caso os nossos argumentos sejam aceitos pelo corpo técnico da Saúde. No Ceará, onde a pandemia exibe números que superam os do RN, os clubes já foram liberados para treinar”, esclarece o dirigente.

Em relação ao mal entendido com as academias, o América, também em nota oficial, esclarece  que “a comparação desejada era sobre o fato de que o acesso às sessões de treinamento de um clube de futebol profissional é limitado a número fechado de atletas e profissionais de apoio, sem possibilidade de extensão por imposição do próprio orçamento do clube, ao passo que as academias têm como premissa a oferta desses serviços a número indeterminado de pessoas, sendo mesmo esperado que seu sucesso seja medido por um número crescente de clientes frequentadores de seus espaços. Com esses esclarecimentos, o clube reitera publicamente o pedido de desculpas”.

No embalo da direção, Ricardo Valério explica o que entende sobre a classificação das atividades. “A bem da transparência da entrevista anterior , destacamos que somos aficionados e também praticantes de nossas academias a quem temos o maior respeito e admiração pela atividade fitness ser super importante para a saúde e ao bem estar físico e mental. O que quis dizer, na realidade, é que como estamos igualmente inseridos no decreto governamental na mesma categoria, queremos que, a exemplo de outros estados, as duas atividades sejam desmembradas no próximo decreto do governo, pelo fato das características próprias da academia, que tem seu público praticante distinto de atletas profissionais com contratos de carteira de trabalho, sendo assim rígido pela medicina do trabalho junto à SESAP. Assim , quando as duas atividades forem liberadas , seja visto a especialidade da cada segmento, já que um Clube de Futebol somente tem acesso a jogadores profissionais em seus ambiente de trabalho, de forma que ambas atividade seja liberadas cada uma dentro de suas especialidades”, ressalta.

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Melhor proteção
O América deseja voltar as atividades por entender que os atletas, afastados dos clubes, estão trabalhando para manter o preparo físico por conta própria e, assim, se encontram expostos a possibilidade de contaminação.

“Como prevê em nossos protocolos, isso ocorreria separadamente em pequenos grupos, de 4 a 5 atletas, exclusivamente em nosso  Centro de Treinamento com os atletas isolados e fechados, sem nenhum risco de aglomerações. Somente com acesso do elenco testado. Ademais a práticas dos treinamentos serão na maioria do tempo, em atividades físicas ao ar livre, com os distanciamentos recomendáveis e os devidos cuidados de higiene e sanitários rígidos previstos no Protocolo”, reforçou Valério.

Para reforçar sua ideia, Ricardo Valério cita o caso do Ceará. “Estados vizinhos, como o do Ceará, com uma curva epidemiológica 10 vezes superior à do RN, já voltaram aos treinamentos exclusivamente em seus centros de treinamentos, como igualmente já ocorre no RJ, PR, RS, MA, DF, SC entre outros.  Não podemos ficar atrás dos nossos oponentes dos estados vizinhos, temos a meta de lutar pelo acesso e desejamos chegar ao Brasileirão em igualdade de condições com os nossos adversários”, salientou.

Em nota, o presidente do ABC, Bira Marques, esclareceu que o clube se preocupa com atual estágio da pandemia no RN e que “que obedecerá e pautará as suas decisões e procedimentos relacionados à pandemia do novo coronavírus de acordo com as regras e recomendações do Ministério da Saúde, do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, dos órgãos e autoridades de saúde, da Federação Norte-Riograndense de Futebol e do Conselho Regional de Medicina”.

O executivo de futebol do ABC, Gustavo Cartaxo, acredita que só se pode falar em retomada do futebol, quando a linha mestra do projeto da CBF estiver definida, bem como explicitado com quem ficarão os gastos extras com a realização dos exames antes de cada partida.

“O retorno de ser feito com bastante cautela, não adianta precipitação e trazer os atletas de volta a Natal sem a certeza da liberação para retomada do futebol. Tem de ficar definido quem será o responsável pelo aporte financeiro para bancar os testes, a quantia será bastante alta, em torno de R$ 160 mil/mês. Hoje o ABC não dispõe dessa quantia para realizar esse tipo de investimento, está bem além da condição da maior parte dos clubes e acredito. Então temos de ter calma”, destacou Cartaxo.  






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