Absurdo midiático

Publicação: 2020-01-29 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: DivulgaçãoCOLUNACOLUNA


Não há na comunicação, por ser ciência ou técnica - como queiram entender - absurdo maior do que imaginar que um eficiente plano de mídia ou de divulgação, pode nascer fora dos parâmetros das pesquisas de audiência. A mídia política movida pelo prestígio ou troca de interesses, pode até existir. E existe. Desde que, antes, sejam atendidos, tecnicamente, os critérios de eficiência que levam as mensagens pretendidas aos níveis de eficiência. E ponto. 

Quem descumpre esse figurino, pode até atender a quem o anunciante quer prestigiar, mas não atinge o poder de pulverização indispensável ao sucesso. Uma afirmação que se faz, mas sem embargo dos veículos considerados de circulação dirigida que nem sempre lideram a audiência, mas dão robustez à estratégia. Não seguir os mapas dos líderes de audiência é, pois, negar ao plano de mídia a única força determinante e insubstituível como referência segura.

O nariz de cera é para demonstrar o desacerto que parece ter sido flagrado na denúncia da Folha de S. Paulo quando, na primeira página da edição de segunda-feira, mostrou a partir de números e valores, a opção discriminadora, para pior, que vem sendo feita pelo secretário de comunicação social do Governo Bolsonaro. Revelou seu critério raivoso quando excluiu - tevês e rádio - além, como denuncia o jornal, de critérios nascidos de seus interesses pessoais.

O favorecimento às emissoras de comunicação clientes de sua empresa publicitária - tevês religiosas apoiadoras do governo - se fez , segundo a matéria, sem o cuidado de antes atender aos lideres de audiência, alicerces insubstituíveis do plano de mídia nacional. Antes da manipulação, o plano definia como maior aporte a tevê Globo em razão da sua condição de líder de audiência, mas não é assim que as coisas aconteceram. Houve uma brutal inversão.

A partir de abril - a afirmação literal é da Folha - ‘a Globo foi excluída’, mantendo-se apenas as praças regionais, nas quais o valor é, naturalmente, bem menor, dentro de um valor integral de R$ 11,5 milhões de campanhas entre 20 de fevereiro e 21 de abril passados. Numa segunda etapa, foram mais R$ 36,7 milhões de verba publicitária assim distribuída: R$ 6,5 milhões para Record, Band e SBT quando, juntas, suas audiências sequer alcançam a Globo.

Seria só um critério meramente raivoso, o que já seria condenável, se por sobre tudo isto a matéria não denunciasse que as tevês Record e Band são clientes da FW Comunicação, empresa do secretário Fábio Wajngarten, como atestam as inicias da marca comercial - FW. Claro que o secretário tem todo direito de se defender e é bom que o faça de forma rápida e convincente. Antes que o governo, além de derrotado na comunicação, acabe contra a parede.

PRAGA - Chega a Natal a praga das Joaninhas marrons, originárias da Ásia e introduzidas na Inglaterra e na Argentina para o controle biológico da praça dos pulgões. Não são perigosas.

ATENÇÃO - Os médicos recomendam, em caso de picadas, tratá-las com antialérgicos e ter atenção com sinais de infecção. Procurar um médico. Melhor do que o ataque de coronavirus.

AVISO - Ninguém caia na besteira de pensar que o Beco da Lama está fora de moda ou teme  advertências da ministra Damares Alves: lá o sucesso é o sexshop com as últimas novidades.

XANANA - Tem de tudo: vibradores modernos, cápsulas lubrificantes, gel tipo ‘Novagina’, bolinhas de menta e fantasias de marinheira. Tudo a preços populares. Nome da loja: Xanana.

BRASIL - Em comunicação, para tudo tem jeito. Até para as coisas aparentemente perfeitas. A mais nova sacada já nas redes sociais é a inversão do slogan: “Pátria Mal Amada Brasil”. 

MEDALHA - O ministro Paulo Guedes recebeu uma medalha do Sistema S. Ele merece. A faca que prometeu enfiar, numa declaração à Folha, ele guardou na gaveta faz muito tempo.

PIOR - Tem gente no governo alegando que a hora do sacrifício é em função da salvação da previdência. Perfeito. Se o sacrifício fosse de todos já que a previdência é também para todos.

NÃO – Mas, o critério não é de sacrifício coletivo. A crise da previdência é filha legítima da má gestão. No Nordeste um das piores quadros, se não for o pior, é no Rio Grande do Norte.

REFORMA – A coluna pode ter errado na escala de isenção da contribuição previdenciária de um a três mínimos. Se não houver isenção, o efeito será ainda maior: 11% sobre até seis salários. Tira 11% daqueles que não tiveram a reposição da inflação nos últimos quatro anos.

MEMÓRIA - Embora o governo estadual tenha o parâmetro da reforma federal, o desconto vai incidir sobre as categorias menos favorecidas e injustiçadas quando a Assembléia aprovou 16,36% sobre os maiores, aqueles pagos pelo ‘cinco poderes’ com autonomias orçamentárias.

FÓRUM - Os sindicatos de servidores públicos estão mobilizados e sustentam uma palavra de ordem indesmentível: a eles não só foram negados os 16,38%, sob a conivência da maioria do governo na Assembléia que cruzou os braços, como serão diminuídos em 11%. É injusto.  






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