Academia encerra centenário com palestras e imagens de Oswaldo Lamartine em seu refúgio na Acauã

Publicação: 2019-12-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Quando se trata das coisas do sertão, poucos foram tão profundos e detalhistas em suas pesquisas quanto o potiguar Oswaldo Lamartine. Falecido em 2007, ele deixou de legado uma obra inesgotável para ser consultada por todos que querem se embrenhar pelas terras áridas do sertão nordestino. É de fato alguém que merece ser sempre lembrado. E a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (ANRL) o faz com uma programação que começou em novembro e se encerra em grande estilo nesta terça-feira (3). As atividades começam às 16h e seguem até à noite, na sede da Academia (Petrópolis), com entrada franca.

Oswaldo Lamartine em raro registro imagético de 1999, na fazenda Acauã: De joelho e e cabeça baixa, sua foto favorita. Ao lado, o acervo organizado por Leide Câmara e Humberto Hermenegildo
Oswaldo Lamartine em raro registro imagético de 1999, na fazenda Acauã: De joelho e e cabeça baixa, sua foto favorita. Ao lado, o acervo organizado por Leide Câmara e Humberto Hermenegildo

O público poderá conferir, por exemplo, a palestra “Oswaldo Lamartine – Um Homem de Fé”, ministrada pelo Padre João Medeiros Filho. Tem também a mesa redonda “Aspectos Biográficos de Oswaldo Lamartine”, com participação de Geraldo Queiroz, Daladier Pessoa Cunha Lima, Edgar Dantas, Marcos Lopes e Gustavo Sobral. Outra palestra é a “Areia sob os pés da alma - Oswaldo Lamartine de Faria”, ministrada por Marize Castro, e a mesa redonda “Oswaldo Lamartine e a memória do sertão”, com participação de Clauder Arcanjo, Woden Madruga, Cassiano Lamartine e Dácio Galvão.

No entanto, vale citar que um dos destaques da programação é a exposição de fotografias “O voo de Acauã”, de Candinha Bezerra. Trata-se de um ensaio feito sobre Oswaldo em sua fazenda Acauã, no município de Riachuelo, os registros foram feitos em 1999 e já foram expostos em outras ocasiões, inclusive em João Pessoa, mas a cada nova montagem ganham em importância, já que se firmam, ano após ano, como o principal referencial imagético do sertanista.

Em entrevista a TRIBUNA DO NORTE, Candinha lembrou como fazer o ensaio. “Em 1999 eu trabalhava na Fundação José Augusto e Oswaldo ia muito lá conversar com Woden (Madruga). Eu já tinha feito um ensaio fotográfico com a romanceira Dona Militana, uma senhora, e agora queria muito fazer com alguma senhor. E sempre achei Oswaldo muito expressivo, meio enigmático”, recorda a fotógrafa. “Pedi a Dácio Galvão, que era próximo de Oswaldo, que contasse da minha intenção a ele. Sabia que seria difícil, mas ele topou. Fomos para sua Fazenda, levei uma máquina antiga para fotografar, usei filme preto e branco, não tinha como acompanhar como estavam saindo as fotos, então fiz muitos cliques e por isso, tinham horas que Oswaldo se aborrecia, pedia para eu parar um pouco”.

 Saber o resultado daqueles cliques, só com a revelação das fotos. Vaidoso, Oswaldo pediu para dar uma conferida no trabalho antes de aprovar o que poderia ser exposto. “Para minha coincidência, a foto que ele mais gostou foi a que mais gostei também. É uma em que ele aparece de cabeça meio baixa, tinha uma pureza naquilo, era como se não estivesse pensando em nada”, diz Candinha. “Dessa experiência começamos uma grande amizade”.

A exposição é a mesma de 20 anos atrás, com as imagens originais. A única baixa é uma fotografia que se perdeu com essas indas e vindas do acervo. “Era uma em que ele estava lendo um texto, parecia mais solto, estava em seu lugar de trabalho, tinha uma luz incidindo em seu rosto, era uma luz que vinha da telha transparente do teto”, lembra. “Ainda tenho o negativo dessa foto. Depois vou repor”.

Candinha fez registros importantes da cultura popular do Rio Grande do Norte. Tem ensaio do Zambê, de grupos folclóricos, de objetos do sertão, vaqueiros, bandas do Seridó – região que é a sua grande paixão e campo de estudo fotográfico. Ainda sobre Oswaldo, Candinha lamenta só uma coisa. “Tinha um projeto de fazer um ensaio com Dona Militana e Oswaldo, os dois, face a face, não deu tempo”.

Programação completa

Dia 3 de dezembro
16h - Palestra “Oswaldo Lamartine – Um Homem de Fé”, ministrada pelo Padre João Medeiros Filho.
Mesa Redonda: “Aspectos Biográficos de Oswaldo Lamartine”, com participação de Geraldo Queiroz, Daladier Pessoa Cunha Lima, Edgar Dantas, Marcos Lopes e Gustavo Sobral.
17h30 – Palestra “Areia sob os pés da alma - Oswaldo Lamartine de Faria”, ministrada por Marize Castro.
Mesa Redonda: “Oswaldo Lamartine e a memória do sertão”, com participação de Clauder Arcanjo, Woden Madruga, Cassiano Lamartine e Dácio Galvão.

Dia 10 de dezembro
17h - Mesa Redonda 90 anos da visita de Mário de Andrade ao Rio Grande do Norte: Vila Cascudo e Rua Lopes Chaves em “Abraço fechado de coração", com Daliana Cascudo, Humberto Hermenegildo, Jason Tércio, Vicente Serejo, Tárcisio Gurgel e Alexandre Gurgel.
19h - Lançamento do livro “Em Busca da Alma Brasileira", com o jornalista Jason Tércio.





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