Acessibilidade em Ponta Negra ainda é baixa

Publicação: 2019-02-10 00:00:00 | Comentários: 0
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A falta de acessibilidade para chegar até a beira da praia de Ponta Negra, é o principal obstáculo para quem deseja participar do projeto Natal Praia Inclusiva. Iniciativa da Sadef-RN (Sociedade Amigos do Deficiente Físico) em parceria com o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), o projeto acolhe – todo fim de semana – entre 40 e 50 pessoas com algum tipo de deficiência interessadas em dar um mergulho no mar. Esse número poderia ser maior se a frota de ônibus em Natal fosse toda adaptada, as calçadas acessíveis, e as rampas tivessem a inclinação correta para permitir a autonomia de cadeirantes.

“Estamos aqui todos os sábados e domingos, das 8h às 12h, independente da maré estar baixa ou alta; basta chegar e dizer que quer tomar banho! A participação é gratuita, e não precisa fazer inscrição ou cadastro prévio. Mas as pessoas precisam chegar até a praia por conta própria”, avisa o assistente social Antônio Galdino, do setor de Responsabilidade Social da Uninassau, e um dos coordenadores do Natal Praia Inclusiva.

O projeto existe desde maio de 2017, e de lá para cá já foram contabilizados mais de mil mergulhos. Além do banho de mar, ainda são promovidas partidas de vôlei sentado e futebol para amputados, passeios de caiaque e de prancha stand-up.

Galdino informa que o projeto conta com apoio da Prefeitura de Natal, que mobilizou uma viatura do Programa de Acessibilidade Especial Porta-a-Porta (Prae) para fazer o traslado de um ponto de ônibus na Av. Roberto Freire até a orla. “Apoio fundamental do Prae, e quem precisar de carona basta ligar para meu celular (98816-3612) que vamos buscar”, assegurou o assistente social.

O único que o Prae vai buscar e deixar em casa é Rosenildo Barbosa da Silva, 34, que teve paralisia cerebral devido complicações no parto e mora bem próximo, na Vila de Ponta Negra.

“Apesar de Ponta Negra ser a praia mais frequentada de Natal, a acessibilidade aqui é horrível: não tem transporte público direito, as ladeiras são imensas, e não tem rampas de acesso com a inclinação correta (40 graus). Morei 25 anos na região amazônica, viajei bastante pelo Brasil, e aqui no Rio Grande do Norte foi o lugar onde encontrei mais dificuldade. O preconceito e a discriminação são muito grandes aqui na região Nordeste”, disse Francisco Mário Alves Tavares, 47, que teve poliomielite e usa cadeira de rodas.

Mário e o administrador de empresas Fábio Henz, 32, participam do projeto Praia Inclusiva e chegam na orla com carro próprio. “As pessoas precisam se conscientizar que a vaga de idoso é para o idoso, que a vaga de deficiente é para deficientes. Falta respeito, e esse projeto desperta essa consciência”, acredita Henz.

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