Natal
Acusados de matar Maria Luiza serão julgados separadamente
Publicado: 09:50:00 - 19/11/2014 Atualizado: 12:06:57 - 19/11/2014
O julgamento dos acusados de matar a adolescente Maria Luiza Fernandes Bezerra foi dividido e apenas Thiago Felipe Rodrigues Pereira, 27 anos, será julgado nesta quarta-feira (19). A decisão foi da juíza Eliana Marinho, junto ao Ministério Público Estadual, por causa da ausência da defesa do outro réu, Kleisson de Souza Freitas Silva, 34 anos.

De acordo com a juíza, no fim da tarde de ontem o advogado de Kleisson, Arsênio Pimentel, protocolou um pedido de adiamento alegando que tinha uma viagem internacional marcada para hoje. Segundo o advogado, a viagem foi marcada com antecedência.
Decisão de dividir os júris partiu da juíza e Ministério Público
Com a ausência de Pimentel, o advogado de Thiago, Marcus Alânio, acabou protocolando um novo pedido de adiamento, afirmando precisar ouvir também a defesa de Kleisson. Os dois pedidos foram indeferidos pela juíza, que decidiu separar os julgamentos.

"Pedimos o adiamento do julgamento, primeiro pela certeza de que Thiago não é o culpado pelo crime. Segundo, pela comoção popular que percebemos nas redes sociais e outros âmbitos, isso pode atrapalhar, de alguma forma, o júri", disse Marcus Alânio.

Marcado para começar às 8h, o julgamento começou por volta das 9h30. Para a mãe de Maria Luiza, Rosilene Fernandes, os pedidos de adiamento são estratégias dos advogados. "Continuo vendo esses pedidos como um desaforo e audácia dessas defesas. Uma hora esse júri tem que acontecer. Estou mais tranquila porque Thiago será julgado hoje", afirmou.

O julgamento dos réus já havia sido adiado uma vez. Marcado inicialmente para o dia 30 de outubro, o júri foi remarcado após Marcus Alânio renunciar o caso. Com a remarcação do júri, o advogado voltou atrás e voltou a defender Thiago.

O crime


A estudante Maria Luiza desapareceu na noite do dia 21 de abril de 2009 após sair da casa do namorado no bairro Bom Pastor, zona oeste de Natal. Segundo a polícia, Kleisson e Thiago Felipe abordaram e sequestraram Maria Luíza, entre 19h30 e 20h30, na avenida Mor Gouveia, no bairro do Bom Pastor. Os dois teriam usado um veículo Gol de cor branca. Seu corpo só foi encontrado seis dias depois, em um matagal no Jardim América.
Maria Luíza foi morta em abril de 2009 com requintes de crueldade
No laudo realizado pelo Instituto Técnico Científico de Polícia (Itep) foi confirmada que a morte foi causada por estrangulamento, após abuso sexual da vítima. Ainda ficou comprovado o “vilipêndio” do cadáver. Os assassinos introduziram um galho de árvore na vagina da vítima antes de ocultar o corpo.

Segundo as investigações, os acusados assediavam a adolescente, que não correspondia às investidas. Diante das recusas de Maria Luíza, os acusados sequestraram a menina e a levaram para a casa de Kleisson, no conjunto Jardim América, local onde os abusos sexuais aconteceram, além das agressões e do homicídio. Em seguida, o corpo foi transportado até um lixão, onde foi enterrado após maus tratos.

Denúncia


Em dezembro de 2012, o Ministério Público entregou a denúncia contra os acusados após as investigações em conjunto com a Polícia Civil apontarem Thiago e Kleisson como responsáveis pela morte da estudante. Segundo a denúncia, a dupla sequestrou, estuprou e assassinou a adolescente.

Thiago Felipe Rodrigues Pereira foi denunciado por homicídio, sob as qualificações de motivo torpe, asfixia e em uma emboscada. Além disso, a denúncia prevê o enquadramento dele em sequestro e cárcere privado com fins libidinosos e contra adolescentes, roubo, vilipendiação e ocultação de cadáver, estupro com lesão grave e crime de uso de violência ou grave ameaça para tentar coagir testemunhas.

Contra Kleisson de Souza Feitas da Silva, as acusações são as mesmas, com exceção da coação de testemunhas. A denúncia também coloca que ambos cometeram os crimes em um igual nível de competência.

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