Adaptações juninas são restritas em Natal e Mossoró

Publicação: 2020-06-07 00:00:00
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As adaptações dos festejos juninos ainda deixam de fora dezenas de pessoas que participam dos festejos, avaliam as secretarias municipais de cultura de Natal e Mossoró, as duas maiores cidades do Rio Grande do Norte e as mais atingidas pelo novo coronavírus. São costureiros, comerciantes, dançarinos, aderecistas de fora da festa, cancelada devido à atual pandemia. “É uma cadeia muito grande de pessoas e nem toda cadeia está mapeada. É muito grande”, avaliou o secretário municipal de cultura de Natal, Dácio Galvão.

Em Mossoró, o evento Mossoró Cidade Junina, que acontece durante todo mês de junho, foi inteiramente cancelado e também afetou a economia da cidade, segundo a secretária de cultura, Isaura Rosado. No ano passado, o evento movimentou mais de R$ 94 milhões, de acordo com um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Potiguar. “Isso afeta produtores, hotéis, dançarinos e vai até o ambulante, o pipoqueiro que fica na festa. É um evento muito amplo. Toda cidade se mobiliza e foi afetada”, contou Rosado.

Ao contrário do carnaval e do Natal em Natal, o período junino em Natal não possui a pesquisa de movimentação econômica, mas o estimado é que também seja na casa dos milhões - comparando, por exemplo, com o carnaval, que movimentou R$ 110 milhões em Natal. No ano passado, a capital potiguar contou com atrações nacionais na grade da programação oficial. Para Dácio Galvão, essa lacuna prejudica tanto à cadeia de pessoas que participa dos festejos, quanto à administração municipal.

A lacuna é preenchida, em parte, pelos editais e auxílio-emergencial do governo federal, avaliou o secretário. O auxílio beneficia pessoas ligadas indiretamente ao São João, como vendedores ambulantes, mas deve ser expandido também para a classe artística porque o Senado Federal aprovou na última quinta-feira (4), a expansão do auxílio para a cultura. “Sem o auxílio, eu não vejo alternativa para os artistas e para as outras pessoas”, afirmou Galvão. Em Mossoró, por exemplo, o espetáculo junino Chuva de Balas no País de Mossoró, que simula a resistência da cidade ao bando de cangaceiros de Lampião, chega a ter mais de 100 artistas envolvidos.

Na avaliação das duas secretarias, a cadeia de pessoas ligadas ao São João extrapola os limites das secretarias e faz parte do problema econômico geral que se apresenta como consequência da pandemia de coronavírus. Um setor ainda cercados de incertezas, por exemplo, é ligado à venda dos milhos. A Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa) não vai realizar pelo segundo ano consecutivo, por exemplo, a Feira do Milho, que agrupa dezenas de pequenos produtores rurais. No ano passado, a justificativa da Ceasa foi falta de espaço e disponibilidade financeira para organizar a feira. Este ano, o argumento da pandemia é somado aos anteriores.

Os produtores procuram as feiras livres para vender o alimento mais típico do São João. Em Natal, o produto é comercializado com a mão do milho na casa dos R$ 30. As feiras continuam acontecendo, mas com regras específicas por conta da pandemia do novo coronavírus, como espaçamento de dois metros entre as bancas e proibição de comerciantes que se enquadrem no grupo de risco.