Administrador fez viagem solidária por 58 países

Publicação: 2018-09-04 00:00:00 | Comentários: 0
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Imagine embarcar para um país desconhecido no extremo Oriente do planeta, bem longe dos roteiros tradicionais e, por lá, ficar hospedado no sopé de uma montanha na casa de pessoas que falam um idioma estranho e comem alimentos exóticos ao paladar ocidental. O desfrutar de belas paisagens e o contato com culturas diferentes estão entre as opções da viagem, mas o chamado turismo de experiência vai além e sugere ao visitante momentos únicos que um pacote convencional não oferece – se envolver em algum trabalho social aos pés do Monte Everest, no Nepal; meditar na Índia; ou embarcar no trem que atravessa a Sibéria, na Rússia, estão entre as rotas propostas por Danniel Oliveira, que circulou 58 países como voluntário entre 2010 e 2016 e agora quer compartilhar a experiência com outros viajantes.

Na segunda viagem ao Nepal, Danniel Oliveira trabalhou com famílias desabrigadas após terremoto
Na segunda viagem ao Nepal, Danniel Oliveira trabalhou com famílias desabrigadas após terremoto

Danniel nasceu em Brasília, veio morar em Natal ainda na adolescência, e partiu para a Europa em 2010 após cursar Administração e Marketing na capital potiguar. Foi a partir do Velho Mundo, que embarcou na jornada da qual pretende não concluir: “Fui passar uma temporada de seis meses na Irlanda, basicamente para estudar o idioma, e acabei ficando quase seis anos trabalhando por lá”, disse Oliveira, 32 anos.

Ele contou que sua vida tomou outro rumo quando, durante as férias em países da Ásia, teve contato com o trabalho realizado por voluntários em lugares devastados por guerras ou catástrofes naturais. “Voltei para a Irlanda decidido a me dedicar a esse trabalho, também sabia que era aquilo que eu queria fazer”, lembrou Daniel, que está em Natal estruturando roteiros que irão proporcionar “experiências locais” aos turistas.

Detalhe: é fundamental saber falar inglês para cair na estrada como voluntário, e ter uma reserva financeira para custear passagens entre outras despesas até se engajar em alguma causa. No caso dos interessados em embarcar no turismo de experiência, não é necessário falar outro idioma.

Na última sexta-feira (31), ele participou da 4ª Feira de Internacionalidade promovida pela Universidade Potiguar – UnP, onde apresentou a “O impacto de uma experiência internacional”. Alguns destinos já estão certos: em março de 2019, Danniel pretende levar um grupo de até 10 pessoas para um tour na Índia, que inclui voluntariado e retiro espiritual. Em abril do próximo ano ele recebe outro grupo, para uma temporada na base do Monte Everest; e em maio volta ao Nepal para tour, trabalho voluntário e retiro espiritual.

No segundo semestre de 2019, estão agendadas viagens à Rússia, para conhecer a usina nuclear de Chernobil, que explodiu em 1986 e que até hoje é uma região fantasma; e ao norte do Iraque.

Aceitar mudanças
Antes de se jogar no mundo do trabalho voluntário, e de abrir caminhos para que outras pessoas também se engajem, Daniel Oliveira passou dois anos juntando dinheiro e planejando possíveis rotas. Porém, mesmo com tudo planejado, acabou antecipando sua aventura quando, em abril de 2015, um terremoto devastou comunidades no Nepal.

Danniel Oliveira quer levar grupo para um tour na Índia, em 2019
Danniel Oliveira quer levar grupo para um tour na Índia, em 2019

“Considero como principal aprendizado a aceitabilidade da mudança: depois das viagens, absorvo mais rápido mudanças não previstas e adapto melhor para o que quero do futuro. Desconstruir preconceitos, conhecer outras pessoas, outros lugares, e novas culturas, também são questões relevantes que vieram com essa experiência”, listou Danniel, que viveu e conviveu com o que antes só conhecia de ouvir falar.

“Enfrentei catástrofes naturais e vi pessoas que perderam tudo na guerra continuarem mantendo a calma e recebendo bem os desconhecidos”. Ele garantiu que “em qualquer lugar do mundo” não falta demanda de trabalhos voluntários – sobretudo com relação à crianças. “Na Índia, trabalhei com crianças e mulheres; no Nepal primeiro trabalhei com idosos, e na segunda viagem com desabrigados do terremoto. Ser brasileiro facilitou muito as coisas: me associavam com as coisas boas do País como natureza, festa, futebol. Sempre fui bem recebido em todos os lugares”, assegurou.

Danniel ainda trabalhou com animais na Mongólia, e deu aulas de inglês na Rússia. Grande parte dos voluntários que trabalham nesses lugares vêm da Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Austrália. “Conheci poucos brasileiros, e sempre que encontrava era aquela festa. Não temos a cultura do voluntariado tão disseminada, e as pessoas precisam perceber que não precisa sair do Brasil para ser voluntário: muitas vezes no próprio bairro, na própria rua, dá para desenvolver algum trabalho social”.

Projeto Amar
Danniel Oliveira colocou sua máxima em prática, de que “em qualquer lugar do mundo não falta demanda para voluntariado”, na Vila de Ponta Negra, bairro da zona Sul de Natal, onde colabora com o Projeto Amar. A iniciativa tem quatro anos, e atendia 15 crianças antes do grupo mobilizado por Danniel se aproximar: hoje o projeto atende 62 crianças, e a meta é alcançar 100. “A maioria são crianças carentes, órfãos, filhos de pais que estão presos ou envolvidos com a criminalidade. Pais que, inclusive, querem querem que os filhos participem das atividades promovidas pelo projeto. Eles aprovam nossas ações”.

São oferecidas aulas de yoga, inglês, meditação, música, noções de coletividade. Tudo ministrado por voluntários. O próximo passo, adiantou Danniel, é construir uma escola e um alojamento “para atender melhor as crianças”.

7 anos viajando
58 países visitados, entre eles China, Rússia, Nepal, Índia, Turquia, Bulgária, Sérvia, Macedônia, Albânia, Afeganistão e Paquistão

4 não-países: Kosovo (na região da antiga Iugoslávia), Nagorno (no Azerbaijão), o  Kurdistão turco e o Kurdistão no Iraque

350 cidades do mundo

Mais informações sobre os roteiros:

Instagram @dannieloliveira ou pelo telefone (84) 98186-7080






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