Agitador das ruas e pistas

Publicação: 2019-03-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Isaac Ribeiro
Repórter

Formado em Comunicação Social, com habilitação em Rádio e TV, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2016, Frank Aleixo, 28 anos, desenvolve um monte de atividades; já trabalhou com Publicidade, atua no Audiovisual como roteirista da equipe da webserie potiguar Septo e é DJ. Atualmente, também é professor de Inglês e cursa Letras na Universidade Federal do RN, mas sempre desenvolvendo projetos paralelos. Um coringa, um multitarefas, um concretizador de oportunidades que vem ajudando a colorir o Beco da Lama e adjacências com música eletrônica, numa proposta agregadora e cultural, seguindo os preceitos da house music. Morador do conjunto Pajuçara, na Zona Norte, há pelos menos 22 anos, Frank diz ser lá sua maior ligação emocional com a cidade. Diz ter uma relação afetiva, mas também a sensação de dormitório com a ZN — um espaço onde vai para estar em família, dormir, mas onde também enxerga as possibilidades. Vê inclusive a falta de investimentos em cultura, por parte da poder público, e vislumbra uma ponte cultural que realmente una a cidade.
Frank Aleixo é apaixonado pela zona Norte e o Centro
Música eletrônica

Comecei a trabalhar na noite como DJ no Galpão 29, na rua Chile, Ribeira. Mas noite de Natal tem muitos auges e depois ela encolhe, passa um tempo sem nada; e foi  justamente num desses períodos de seca, principalmente, dentro do meio alternativo, que era muito mais difundido quando eu comecei a sair em 2008; a cena underground era muito mais forte; e daí teve esse boom de música pop, de eventos maiores e grandiosos, aí ficou meio que essa seca e foi aí que a gente entrou e começou a preencher essa lacuna. No início dessa década, tinha  muita música pop eletrônica, mas dance music mesmo, do jeito que a gente conhece e gosta, tinha meio que parado. Antes a maneira de você difundir um evento era muito diferente. As casas noturnas tinham mais força. Hoje, a cena noturna mudou muito e está mais na mão do produtor do que de uma casa específica. E essa mudança foi muito importante para gente, principalmente porque nós sempre atuamos em bairros que não são muito centrais, não tão no eixo da Zona Sul. A gente sempre trabalhou na Ribeira e hoje estamos na Cidade Alta. Mas, através da internet, como o produtor ganhou mais força, fica mais fácil de arrastar para os lugares. Acho que os aplicativos de compartilhamento de carona, Uber, 99, facilitou muito. Aqui em Natal ainda é muito difícil para as pessoas voltarem pra casa.

Cidade Alta / Beco da Lama

Quando a gente começou a vir para o Beco da Lama, não era uma possibilidade. Era um período em que nós estávamos muito nessa coisa de encontrar pauta em boate. Aí foi a época em que a Ribeira começou a bombar e as festas alternativas começaram a serem deixadas um pouco de lado, porque as casas estavam com foco nas festas maiores. Então, eu comecei a vir pra cá mais por uma questão de ter um lugar para beber, em um dia em que eu não tivesse em festa. Comecei, na verdade, indo pro samba, na quinta-feira, na época que era na Praça Vermelha, aí de lá a gente ia muito pra um dub, um rap que tinha mais pra lá. Então, existia aqui uma cena viva, mas não dentro do Beco. Aí, o samba parou mas nós continuamos vindo pra cá. Foi aí que conhecemos Neide, do Bar da Meladinha e foi a partir desse contato que a coisa toda mudou. Quando foi no aniversário do ano passado, que junto com o de Neide, dona do bar, decidimos fazer uma festa de rua, muito inspirado também nos movimentos que acontecem em São Paulo de reocupação das ruas.

Zona Norte

Numa perspectiva de crescimento, nós temos outras áreas da cidade que queremos abordar. Sou da Zona Norte, cresci lá, e eu nunca vi nada do tipo acontecendo por lá. Acho que é sempre um espaço renegado. As pessoas da Zona Norte são as que sempre têm que se deslocar até o Centro ou até a Zona Sul para se divertir. E o contrário não acontece. Parece que a ponte só tem um sentido, de lá pra cá, nunca o contrário. Nós temos alguns projetos, principalmente para abril, maio, de levar algum evento para a Zona Norte, atravessar a ponte. Inclusive, nó gostamos de frequentar. Acho que uma coisa importante para os produtores, e é uma coisa que acontece pouco na produção cultural da cidade, são os produtores irem para rolés que não são os deles. Se eu não tivesse me dado ao trabalho de ir no samba, que não é meu estilo de música principal, e ver o pessoal do dub e do rap ocupando outros espaços, jamais teria feito esse trajeto de chegar aqui. Tem outros lugares; tem gente fazendo coisas em Petrópolis; outro dia fui a um evento massa na Praia do Meio, por exemplo. O que não falta é espaço urbano para ocupar e fazer alguma coisa.

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