Agricultores fazem protesto em Natal

Publicação: 2013-05-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Gabriela Freire - Repórter

Mais de mil agricultores familiares, de 50 municípios, pretendem se reunir, a partir das 8h de hoje, em frente ao prédio de onde deveria funcionar a Central de Comercialização da Agricultura Familiar, na esquina da Rua Jaguarari e Avenida Mor Gouveia, no bairro de Lagoa Nova. No local, vão realizar um ato público contra a Central ter sido construída há três anos e nunca ter aberto para a venda dos produtos deles. Em seguida, às 10h, seguirão em caminhada até a Governadoria, onde pretendem ser recebidos pela governadora Rosalba Ciarlini. Eles vão apresentar ao governo uma pauta de ações para o convívio com a estiagem cobrando políticas permanentes para convivência com a seca no semiárido.
Alex RégisA Central de Comercialização, inaugurada em 2010, custou R$ 1,4 milhão. Até agora, o prédio não foi aberto para venda de produtosA Central de Comercialização, inaugurada em 2010, custou R$ 1,4 milhão. Até agora, o prédio não foi aberto para venda de produtos

Entre as reivindicações está a perfuração de 550 poços tubulares e recuperação de outros 250; implantação de tecnologias para o armazenamento de água para a produção da agricultura familiar, como barreiro trincheira lonado, barragem subterrânea, cisterna calçadão, cisterna de enxurrada e bomba popular. Que o governo viabilize assessoria gerencial, técnica e pedagógica aos agricultores familiares que são beneficiados pelos PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) e por outras tecnologias de convivência com o semiárido.

“Todos sabemos que a cada oito a 10 anos, enfrentamos uma grande seca, então, precisamos nos preparar para esse convívio com a estiagem, nos prevenindo para os períodos sem chuva: necessitamos de providências imediatas e a médio e longo prazos”, aponta  o coordenador geral da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do RN (Fetraf-RN), João Cabral. Ele admite que as chuvas que têm caído aliviam a situação, mas não resolvem os prejuízos contabilizados pelos pequenos agricultores, que perderam o gado e a plantação por causa da seca.

A expectativa de Cabral é que os membros do governo estadual tenham bom senso, recebam o grupo e inicie um processo de negociação dessa pauta. “É preciso que se crie uma agenda para executar essas ações”, destaca.

O secretário estadual de Agricultura, José Teixeira de Souza Júnior, reconhece que a assistência prestada aos agricultores familiares é realmente deficitária. O motivo, segundo ele,  é que a Emater vem acumulando ao longo do tempo uma demanda que não é de assistência técnica. “O  técnico, ao invés de estar no campo”, disse ele, “está realizando tarefas administrativas, para outros programas. Estamos fazendo uma proposta de assistência técnica envolvendo as prefeituras, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), as empresas de pesquisa, a própria Emater e a Sape para possibilitar uma assistência técnica mínima, para que possa suprir essa deficiência”.

Reivindicações

- Perfuração de 550 poços tubulares e recuperação de 250
- Implantação de tecnologias, com assistência técnica e acompanhamento, para o armazenamento de água para a produção da agricultura familiar
- Distribuição de 20 mil toneladas de milho entre os agricultores para que sirvam de ração para o gado
- Reposição do rebanho perdido durante o período da estiagem
- Criação da Secretaria Estadual da Agricultura Familiar para prestar atenção especial aos pequenos produtores

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