Agrotóxicos matam abelhas, diz Ufersa

Publicação: 2019-01-01 00:00:00 | Comentários: 0
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O desaparecimento das abelhas vem preocupando criadores e pesquisadores em apicultura em todo o mundo. Estudos recentes revelam que o Brasil lidera a lista global de perdas de colônias de abelhas. Uma dessas pesquisas feita na Universidade Federal Rural do Semi-Árido – Ufersa, com abelhas africanizadas (Apis melífera), reforça a tese de que as abelhas estão morrendo por envenenamento provocado em decorrência do uso dos agrotóxicos na produção agrícola. O estudo revelou uma quantidade muito elevada de pesticidas nas abelhas mortas. Ao todo, a pesquisa detectou por meio de amostras 13 tipos de agrotóxicos. O estudo evidencia que a maior parte das denuncias sobre o envenenamento de abelhas por agrotóxicos é real.

Pesquisa teve abrangência nacional e contemplou sete estados em todo o país. Resíduos do agrotóxico fipronil foram encontrados em 68,4% das amostras
Pesquisa teve abrangência nacional e contemplou sete estados em todo o país. Resíduos do agrotóxico “fipronil” foram encontrados em 68,4% das amostras

A tese “Desaparecimento e morte de abelhas no Brasil, registro no aplicativo Bee Alert” defendida por Dayson Castilho, no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, objetivou determinar as concentrações dos agrotóxicos em abelhas africanizadas mortas com suspeita de envenenamento. Das amostras coletas 100% apresentaram contaminação por pesticidas. Para a coleta das amostras, 38 no total, o critério utilizado foi a morte maciça de abelhas no interior das colmeias, no chão da entrada dos apiários ou abelhas agonizando perto de uma colmeia. A tese teve a orientação do professor, Lionel Gonçalves, um dos maiores pesquisadores de abelhas na América Latina.

A pesquisa teve abrangência nacional e contemplou os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. “Após a coleta das colmeias as amostram eram trazidas para o laboratório da Ufersa que dispõe do equipamento espectrometria de massa que quantifica a contaminação nas abelhas”, explicou Dayson Castilho. Nas amostras a maior quantidade de resíduo de agrotóxico encontrado foi fipronil, com 68,4%. Essa substância é apontada pelos pesquisadores como a principal causa para o envenenamento das abelhas. Também foram encontrados resíduos de tiametoxam (42,1%), imidaclopride (28,9%), acetamipride (5,3%), nitenpiran (5,3%) e, tiaclopride (2,6%), entre outros.

“Os resultados das análises das 38 amostras foram surpreendentes  e apresentam alto índice de frequência de detecção dos agrotóxicos fipromil e neonicotinóides”, revelou o pesquisador. Outra constatação é de que a carga de agroquímicos suportada pelas abelhas analisadas é alarmante. “As contaminações por resíduos de agrotóxicos nas abelhas têm uma dimensão muito maior do que estimamos”, acrescentou.

Para identificar e quantificar os resíduos de agrotóxicos em amostras de abelhas mortas (extrato líquido dos insetos), os pesquisadores da Universidade utilizaram a cromatografia líquida de alto desempenho combinada com espectrometria de massa tipo quadrupolo. As analises foram realizadas no Laboratório de Eco-fisiologia Vegetal do Departamento de Ciências Vegetais da Ufersa e no Laboratório EdiLab, em São Paulo. Segundo Dayson, o método utilizado foi o QuEChERS que significa o acrônimo das palavras inglesa: rápido, fácil, barato, eficiente, robusto e seguro. “Confirmar a presença de agrotóxicos nos polinizadores é o melhor bioindicador da saúde do ecossistema. A análise nas abelhas vem comprovar essa contaminação do meio ambiente”, concluiu.

Para o professor Jeferson Dombroski, do Departamento de Ciências Vegetais da Ufersa, o trabalho tem a sua importância ao comprovar uma informação que já faz parte do imaginário de grande parte da população de que o homem está contaminando o meio ambiente com agrotóxico. “A pesquisa traz o problema para a realidade ao provar cientificamente as denúncias de que colônias de abelhas estão sendo mortas por agrotóxicos”, pontua.

O professor acrescenta que esse problema é generalizado no país, independentemente da região. “Se existe esse descuido, está havendo um problema que temos que pensar com cuidado que é o envenenamento do planeta”, alerta. Ainda segundo Dombroski os resultados apresentados da pesquisa do Dayson representam uma evidência palpável, analisada em laboratório, do que está acontecendo atualmente com o uso errado e/ou indiscriminado de agrotóxicos culminando na morte das abelhas.

“São resultados científicos que comprovam que o homem está dizimando a biodiversidade”, considerou. Para o professor, o apicultor é o lado fraco dessa história uma vez que normalmente é ele que leva as abelhas para polinização das flores. “Se o apicultor perder a colmeia não afeta o fruticultor, nem os grandes produtores de frutas. O prejuízo fica com o apicultor”, afirmou. O professor ressalta que na fruticultura de exportação o controle na aplicação dos agrotóxicos é bem mais rígido.


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