Ah, o PSL!...

Publicação: 2019-10-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

psl


Anote Senhor Redator, enquanto arde e não é tarde: nem Dante Alighieri, ao conceber seu inferno, foi tão dantesco como o espetáculo infernal do Partido Social Liberal - PSL, com o qual o nascente bolsonaismo autoproclamou-se reformador.  A não ser que se pretenda ter a retomada dos velhíssimos maus costumes. É o mais perfeito irmão siamês dos outros partidos, engendrado também em Brasília, debaixo dos olhos do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O destrambelho exposto no noticiário, qualificado na sua verdade pelas posições do próprio presidente, Jair Bolsonaro, revela não só o artificialismo da sigla que serviu de lastro para ele, que arrastou as multidões banhado no sangue do seu martírio, como desautoriza a certeza de que será por ai, com o social e o liberal do PSL, que iremos depurar a política. Para não falar na tolerância com que se quer condenar a uns e outros não de uma mesma prática.
Ora, é tudo joio e não há trigo. A pressa do presidente em afastar o cálice de cicuta que pode envenenar sua imagem pública mostra, por si só, o tanto de pernicioso que seria calar e ficar. Ou sai, e isola-se das suspeições suspeitáveis e besuntadas por denúncias que nasceram na sua boca e caíram na boca de vários dos seus correligionários de partido, ou não terá outro destino a não aceitar que é um deles, aquele ‘é um de nós’ que pode corroer e destruir a todos.

Como se diria no português arcaico, tal a perfeição da parecença do PSL com todos os outros partidos condenados pela Lava Jato - e as condenações não foram injustas - que até é temeroso defender uma caixa de segredos e conveniências que já se desprendem do fundo do mesmo mar de lama e hoje flutuam no noticiário político. Os olhos fiscalizadores viram umas coisas e outras não, como se postos a serviço da estratégia de postergar para depois da eleição.

O que teria acontecido se todas essas verdades, de todos os partidos envolvidos nas tetas do Fundo Partidário e outras tetas, tivessem sido expostas naquela hora do voto? Seria o PSL o depositário da confiança coletiva? Ou teria ficado no mesmo limpo de suspeição que inundou o PT que se arvora de vítima, ou no PMDB que achou pouco conspurcar toda a sua tradição, com suas principais figuras no Senado e na Câmara sob o peso da vara e suas leis?

Nada, a rigor, é novo. Não há no caldo de cultura da atual política brasileira, puros e impuros, como se fosse possível separá-los. Os nascidos dessa sopa são iguais. Não foi à toa que o então senador Romero Jucá, ele mesmo acusado de usar grana pública, disse, ao ver a festa dos patos amarelos na calçada da poderosa Federação das Indústrias de São Paulo, que um dia os paetês daquela festa cairiam sobre a cabeça de todos eles. E acabou sendo assim.

MIMOS - O aumento dos servidores é a prova de que não são iguais como na Constituição e todos apregoam: cada um teve um aumento percentual diferente do outro no mesmo período.

QUAIS - Os da Assembléia receberão 3.89% em duas parcelas. No Tribunal de Contas será mais elevado: 4.00%. No Judiciário será o maior: 4.94%. E todos sisudamente justificados.

ELES - Os deputados, juízes, conselheiros, promotores e procuradores de justiça receberam os 16.0% integrais da inflação nos últimos quatro anos de uma só vez. Sem qualquer remorso.

BRASIS - Quando alguns estudiosos, a partir de Jacques Lambert, por exemplo, apontam a singularidade de ‘Dois Brasis’, não sabiam que seria pior: são vários. Cada um com um valor.

RETRATO - Na fachada da Escola Doméstica o nome Noilde Ramalho, ‘a titia’, aparece três vezes. A Escola Doméstica e Henrique Castriciano só assim: EDHC. Toda trama se revela.  

SERTÃO - Será dia 19 de novembro, 17h, a homenagem aos 100 anos de Oswaldo Lamartine na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. E a exposição de fotos de Candinha Bezerra. 

FORA - Natal ficou de fora do ranking da revista Exame das 100 melhores cidades brasileiras para negócios. Perdeu, no Nordeste, para o Recife (27ª), Fortaleza (81ª) e João Pessoa (95ª).

CHAMA - De Nino, o filósofo do Beco da Lama, no ouro da cerveja a transbordar no copo: “Se o olhar é intenso, e entre desconhecidos que nunca se olharam, deve haver uma urgência”.

MÁRIO - Conferências, lançamentos e mesas marcarão os noventa anos da visita de Mário de Andrade ao Rio Grande do Norte, entre dezembro de 1928 e janeiro de 1929, quando aqui conheceu o cantador de Chico Antônio. Mário foi hóspede do crítico de arte Antônio Bento.

JASON - A principal presença, no dia 13 de novembro, será do jornalista e escritor Jason Tércio, autor da biografia de Mário de Andrade - “Em busca da alma brasileira”, edição da Estação Brasil. Quando ele lança o livro que marca a presença de Mário na cultura brasileira.

PAPO - Na mesma tarde, uma mesa reúne os que conhecem a relação de Mário de Andrade e Câmara Cascudo: Humberto Hermenegildo e Tarcísio Gurgel. A este cronista mundano vai caber só uma palavra ligeira, muito mais em razão da paixão literária do que de um saber.







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