Ainda

Publicação: 2019-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Hotel Reis Magos

Não acredito em debate quando os dois lados são prisioneiros dos próprios umbigos e dão as costas para o que transcende ao jogo pessoal. Não é dos proprietários do Reis Magos a culpa. É do Estado do Rio Grande do Norte. Não teve sensibilidade para perceber o valor do hotel como ícone e, mais do que isto, marco de modernidade arquitetônica. Não desapropriou e pagou o preço justo, no valor de mercado, sem aviltar um bem privado, como é para ser.

Detentor de uma empresa e uma secretaria de turismo, nossos gestores não notaram que ali deveria ser um grande e belo terminal turístico, estrategicamente colocado entre os litorais sul e norte. Um equipamento, para usar a linguagem do trade oficial, capaz de reunir os próprios órgãos estatais, agências de turismo em pequenos conjuntos de salas, museu, as entidades representativas e de fretamento de ônibus, bugres e até uma para espetáculos.

Não. Posto hoje quase às ruínas, embora restaurável, só agora, de uns poucos anos para cá, virou o pomo da discórdia. De um lado os que enxergam como um símbolo do atraso e, do outro, os que defendem sua representação simbólica. Uma contenda olímpica e não racional e, do outro lado, interesses velados que não se manifestam claramente, mas jogam o jogo da articulação dissimulada usando instituições sem tradição de posicionamento firme.

Estamos diante, outra vez, do silêncio conivente, quando não da própria conivência. Foi assim quando este cronista percebeu o erro no processo de tombamento da Rampa, e naquele chão não falta história. Tombaram o edifício e acessos em torno, mas, esqueceram que se tratava de um sítio histórico. Lutei nesta Cena, mas a Marinha já havia requerido à União e ergueu um mastodôntico edifício moderno ferindo o princípio da solidão histórica.

Pedi reunião da Fundação José Augusto, e ganhei como resposta que o debate não interessava à governadora Wilma de Faria. O Conselho de Cultura manteve-se à distância. Tempos depois, contestei a reforma nos jardins do Teatro Alberto Maranhão pela desarmonia das pedras de ardósia. Sustentei e fui vencido. Tive apenas meu voto. Abandonei o Conselho e, agora, ao debater o caso do Reis Magos, a demolição foi aprovada por nove votos a um. 

Não sou coisa nenhuma. Talvez o último Quixote a defender esta cidade. Vício, quem sabe, contraído nos moinhos de vento das salinas da minha terra. É legítima a posição da procuradora Marjorie Madruga com seu direito de opinião. Como é respeitável a posição dos que pensam o contrário. A justiça que decida. Se é que neste país não sepultaram de vez o princípio salutar da razoabilidade. E em seu lugar não fincaram as estacas da intolerância.

AVISO - O PT pode não ter candidato direto a prefeito de Natal no ano que vem. A opção é o apoio a algum nome de um partido aliado, se, até junho de 2020, vislumbrar risco de derrota.

BANCADA - A estratégia pode ser preservar a presença de Nathália Bonavides em Brasília e a busca de uma bancada de vereadores de quatro ou cinco nomes, e se o governo estiver bem.

FORÇA - Pode até ser que o PT vença seu fundamentalismo e aceite a aliança em torno do mesmo nome que venha a reunir um elenco maior de partidos progressistas. Não é impossível.

LENTE - Aliás, há nomes considerados progressistas em partidos como PDT, PV, e outros, o que em política pode ser uma saída, sim. Juntas as pequenas forças às vezes se tornam fortes.

BARES - Prego batido e ponta virada: vai ser dia 8 de agosto, no América, a partir das 18h, o lançamento do ‘Breviário Etílico dos Bares’, de Gutemberg Costa. Com umas e outras, ora!

FOGO! - Você tem mais uma razão pra não desanimar: chegou a Natal ‘Catuaba Selvagem’, à base de fermentado de maçã. Faz milagre, segundo anunciam os últimos testes na vida real.

ALDEIA - Há mais de dois meses a versão impressa da ‘Carta Capital’ não chega. Há quatro semanas não vem a ‘Isto É’. E ‘Veja’ voltou depois de três semanas. Assim como a ‘Época’.

RETRATO - A Federação das Indústrias vai cuidar da reforma da previdência no Estado e não da tributária. A do Comércio, da história da II Guerra Mundial. Estamos bem, não acham?





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