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Além da indignação
Publicado: 00:01:00 - 16/06/2022 Atualizado: 23:24:14 - 15/06/2022
Garibaldi Filho
Ex-senador da República

Nos últimos dias, a mídia e setores da sociedade têm se ocupado do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, que registrou 33 milhões de brasileiros que não se alimentam devidamente todos os dias. São pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, sem direito a uma vida digna e saudável.

Entre esses 33 milhões, o equivalente a nove vezes a população do Rio Grande Norte, estão crianças e idosos praticamente ameaçados pelas doenças e a morte. 

Os dados do trabalho realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar deixaram indignados até mesmo os técnicos responsáveis, que promovem esse acompanhamento há 29 anos. A fome se abate principalmente sobre crianças, mulheres e a população negra. 

Mas não basta se indignar com os números. O quadro requer dos poderes públicos e da sociedade atitudes que, se não revertam  essa situação definitivamente, reduzam de imediato os nocivos efeitos que vêm comprometendo o futuro de uma geração.

Os diversos órgãos públicos — nas esferas federal, estadual e municipal —, que se dedicam a cuidar da segurança alimentar, precisam fazer um exame dos programas voltados para essa população. 

Evidencia-se a necessidade de uma revisão de suas efetividades, em uma ação nacionalmente coordenada. O estudo aponta uma pista do insucesso: o desmonte de estruturas que foram bem sucedidas até 2014, quando o Brasil saiu do mapa da fome da Organização das Nações Unidas.

Em artigo anterior, referi-me à advertência do Cardeal Paulo Cézar, chamando os homens públicos para os reais problemas dos brasileiros. Nada mais real do que a fome. 

O clamor do religioso se torna mais necessário na atmosfera eleitoral, que deveria oxigenar os debates para as soluções que a imensa maioria da população reclama.

Aliás, é isso que os autores da pesquisa também esperam, ao considerarem o trabalho como “ferramenta para que as agendas de candidaturas favoreçam a criação e o avanço de políticas públicas nacionais, orientadas por uma alimentação saudável a partir da construção de sistemas alimentares justos e sustentáveis”. Os famintos têm pressa.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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