Alcaçuz: reconstrução após barbárie

Publicação: 2017-03-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Aura Mazda
repórter


Passados dois meses da rebelião  que deixou pelo menos 26 mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, agentes federais da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP),   estabelecem uma nova rotina dentro da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, o pavilhão 5 de Alcaçuz. Apesar dos trabalhos de reconstrução e aplicação de procedimentos rígidos, dados sobre a rebelião, como o a quantidade exata de presos que fugiram, o prejuízo aos cofres públicos e a possível indenização às famílias dos mortos ainda são interrogações que não foram divulgadas pelo Governo do Rio Grande do Norte. No Instituto Técnico-Científico de Polícia do Rio Grande do Norte (ITEP), quatro corpos continuam sem identificação.
Adriano AbreuRastro de destruição deixado pela  rebelião de janeiro ainda não foi  'apagado'Rastro de destruição deixado pela rebelião de janeiro ainda não foi 'apagado'

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE acompanhou, durante a quarta-feira (08), a rotina no interior do pavilhão 5 e percorreu todo o pavilhão 4 de Alcaçuz, palco da maioria das mortes que ocorreram durante a rebelião. Dentro da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, que abriga cerca de 440 apenados, e é considerado padrão de “segurança máxima” os remendos nas paredes, portas destruídas e outras estruturas quebradas lembram que o lugar foi palco de uma guerra. A partir de 14 de janeiro e nos 13 dias que seguiam, o presídio vivenciou a maior rebelião do sistema prisional potiguar.

O agente federal de Execuções Penais, Cezar Delmondes, descreveu que o cenário encontrado pela  FTIP era de “completa quebradeira”. Cerca de 95% do lugar estava destruído, as portas das celas foram retiradas e muitos objetos; como grades das janelas, foram usados como armas. Na busca incessante para conseguir fugir do presídio, os “líderes” do PCC “escravizavam” outros presos para que esses cavassem túneis de dentro para fora da unidade.

No dia que a reportagem foi ao presídio, os agentes federais ensinavam técnicas de procedimento ao Grupo Penitenciário de Operações com Cães (GPOC) e outros agentes  Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Ao serem retirados das celas para o banho de sol, os presos respondiam a uma chamada. O contato entre o apenado e o agente era quase inexistente. Ao chegar no pátio, os homens foram colocados em fileiras no chão “Queremos capacitar. O  treinamento vai de aulas práticas de procedimentos e rotinas relacionadas às funções dos agentes penitenciários  treinamento básico”, disse o agente.

Em informações enviadas à Procuradoria Geral da República, o Governo admite que o número de fugitivos é maior do que os 56 divulgados anteriormente. De acordo com as informações do documento, 65 presos escaparam da unidade prisional durante a rebelião.

Delmondes explicou que os problemas registrados em Alcaçuz são acúmulos de décadas de descaso do poder público. "Os agentes penitenciários não podem ser penalizados pelo que está acontecendo. O que temos aqui é uma questão que envolve diversas coisas que aconteceram ao longo de anos”, disse Delmondes. Hoje, operários trabalham na reconstrução da unidade, também estou sendo consertadas as fiações dos bloqueadores de celular da unidade. “O nosso trabalho precisa ter continuação, não adianta fazer tudo isso se não tiver agente para dar continuidade”, frisou.

Raio x
Rebelião de janeiro

26 presos morreram na rebelião de janeiro de 2017
4 corpos continuam sem identificação no ITEP   
109 presos do PCC foram autuados pela rebelião
5 presos supostos “líderes” do PCC foram encaminhados para presídios federais

Do dia 14.01.2017 (sábado) para 15.01.2017 (domingo):
6 agentes penitenciários na escala da Equipe Charlie
1 em licença
1 em férias

Com somente 4 agentes, na prática, a equipe foi reforçada com outros cinco agentes através do pagamento de diárias operacionais.
9 era o número de agentes em Alcaçuz no dia do início da rebelião
1.150 presos custodiados em Alcaçuz no dia da rebelião.
420 era o número de homens que Alcaçuz abrigava em julho de 2010.
400 presos albergados na Penitencária Estadual Rogério Coutinho Madruga na ocasião.

Raio-x do Sistema Prisional do RN
6.323 presos estão em penitenciárias estaduais do RN

3.557 é o déficit de vagas no sistema

3.873  é a quantidade de vagas no sistema estadual divididas em 35 cadeias e centros de detenção provisória, conforme o decreto

2.870 presos são provisórios

3.453 sentenciados

1.107 estão no semiaberto

801 em aberto

4.603 é a previsão do número de vagas criadas nos próximos cinco anos de cordo com o Plano Diretor do Sistema prisional
R$ 24 milhões foram devolvidos à União entre os anos de 2008 a 2014

Fugas
212 fugas em 2015
341 fugas em 2016
65 fugas em 2017

Mortes
114 presos morreram sob a custódia do Estado desde 2012. A Polícia Civil investiga  os crimes.

32 presos morreram em 2015, destes, 15 por enforcamento e 10 esfaqueados

30 morreram em 2016

27 morreram em 2017

Facções
3.000 é a média de membros e simpatizantes do Sindicato do RN

700 é a quantidade de filiados e simpatizantes do PCC, espalhados por cinco presídios do RN

Fonte: Sejuc e MPF

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