Alcaçuz: seis meses depois da rebelião

Publicação: 2017-07-16 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Seis meses após a rebelião que escancarou a deficiência do Sistema Penitenciário potiguar para o mundo, o palco da morte de 26 presos que tiveram corpos esquartejados e cabeças arrancadas, parece uma estrutura abandonada. Não pelo estado físico do empreendimento, cuja recuperação emergencial consumiu mais de R$ 3 milhões do Governo do Estado, mas pela falta de ocupantes. Dos cinco pavilhões do complexo Alcaçuz – incluindo a Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga -, o único recuperado e que recebeu transferência de presos foi o pavilhão 3 – a Sejuc informou que cerca de 370 homens ocupam o local.

Os pavilhões 1 e 2 também foram restaurados, mas, por falta de agentes penitenciários, ambos ainda não foram reativados. O destino do pavilhão 4, o mais depredado durante a rebelião que durou quase duas semanas (entre 14 e 27 de janeiro), não está definido: o local pode ser reconstruído ou mesmo demolido. A falta de agentes penitenciários é apontada pelo Gabinete Civil do Estado como a causa da não reativação dos pavilhões. Hoje, aproximadamente 15 mil pessoas – entre homens e mulheres – disputarão as 571 vagas abertas pelo Estado para o cargo de agente penitenciário com vistas à redução do deficit desse tipo de profissional.
Rebelião ocorrida há seis meses, destruiu completamente a maior penitenciária do Estado
Rebelião ocorrida há seis meses, destruiu completamente a maior penitenciária do Estado

Além disso, A Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc/RN) estuda mudar o perfil prisional da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. A pasta analisa a possibilidade de transformar a maior unidade carcerária do Rio Grande do Norte em uma cadeia mista, na qual serão custodiados presos provisórios e condenados de Justiça. Para isso, cogita desativar cinco Centros de Detenção Provisória (CDPs) em Natal e transferir, além dos presos que aguardam julgamento, o efetivo de agentes penitenciários para reforçar a segurança na unidade.

A proposta inclui a possível desativação dos CDPs Ribeira, Potengi, zona Norte, Candelária e Pirangi (Triagem), que juntos somam, em média, 655 detentos - número que é variável de acordo com novas prisões efetuadas. O titular da Sejuc, Luís Mauro, ressaltou que nenhuma medida será adotada antes da conclusão da análise técnica da Secretaria. Sobre a escolha da Penitenciária Estadual de Alcaçuz para supostamente sediar pavilhões mistos, com presos provisórios e em cumprimento de sentença criminal, Luís Mauro declarou que “Alcaçuz é hoje a unidade mais segura do Estado” e afirmou que “o governador está reestruturando Alcaçuz e não irá desativá-la”.    

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários