Aldo não descarta ação política em protesto contra Copa

Publicação: 2014-01-30 00:00:00
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo estará hoje em Natal para participar da primeira de uma série de reuniões de trabalho sobre planos operacionais para o período da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O encontro vai ocorrer a partir das 9 horas ma Escola de Governo, do Centro Administrativo. Depois da reunião ele vai conhecer as instalações do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública do RN, de onde será realizado o monitoramento dos pontos mais importantes e com maior fluxo de pessoas da cidade. Antes de seguir para capital potiguar, o ministro concedeu uma entrevista exclusiva para TRIBUNA do NORTE, onde falou sobre os problemas de atraso na entrega de alguns estádios e também sobre os protestos que estão ocorrendo por parte de um grupo contrário a realização da Copa do Mundo no país. Aldo Rebelo também se mostrou satisfeito com o resultado final da Arena das Dunas.
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, está em Natal para dar início às discussões sobre os planos operacionais a serem desenvolvidos no RN
Como o senhor avalia os problemas que estão afetando as arenas que ainda estão por ser entregues. Frente ao atraso em algum estádio, o governo já trabalha com a possibilidade de ser obrigado a reduzir o  número de sedes?

A Copa 2014 vai ser disputada em 12 sedes. Os atrasos em algumas obras serão superados. Os dirigentes da Fifa, há poucos dias, em viagem ao  Brasil – estiveram aqui em Natal – manifestaram confiança na superação de todos os problemas.

Existe uma preocupação maior em relação a alguma dessas: Cuiabá, Itaquerão e Paraná? O Governo Federal possui instrumento para  prestar auxílio a essas arenas?
A preocupação é proporcional ao tamanho do evento. Ninguém organiza uma Copa do Mundo de Futebol sem preocupação. Mas a confiança no  êxito dessa empreitada é maior que a preocupação. Eu participei da última inspeção nos estádios de São Paulo e Cuiabá. Em Itaquera, o atraso provocado pelo acidente com o guindaste vai ser superado até abril. Em  Cuiabá, o problema é o gramado, que foi atacado por uma praga. Também  já começou o trabalho de recuperação. A obra da Arena da Baixada, em  Curitiba, vai ser gerida por uma comissão integrada por técnicos da  prefeitura, do governo do estado e do Atlético Paranaense. Vai aumentar o número de trabalhadores, haverá um turno de trabalho à noite e confiamos  que, até o fim de abril, Curitiba estará pronta para a Copa.

O senhor foi um grande incentivador e sempre demonstrou bastante otimismo com relação a Arena das Dunas. Qual a avaliação que o ministro pode fazer sobre a nova arena e sobre Natal?
Eu sempre disse que só quem não conhece o Nordeste e os nordestinos poderia duvidar da capacidade da região de ter estádios como a Arena das  Dunas, a Fonte Nova, a Arena Pernambuco, a Arena Castelão. O estádio  de Natal é um dos mais bonitos. Vai ajudar no desenvolvimento do futebol não só aqui no estado, mas em todo o Nordeste. É um espaço que vai atrair outros grandes eventos de negócios e entretenimento. Vai movimentar a  economia com aumento na arrecadação de impostos, emprego e renda  para os trabalhadores e mais investimentos públicos e privados.

Em Natal, os atos de inauguração da Arena das Dunas — tanto o que  teve a presença da presidenta Dilma Rousseff, como a primeira partida oficial — foram marcados por manifestações contra a Copa, com  tumultos na área externa do estádio e feridos em decorrência destes protestos. Este tipo de manifestação preocupa o Governo Federal e o Ministério dos Esportes? O senhor teme que se repitam, de forma  ainda mais intensa, durante jogos da Copa que serão realizados em  Natal e outras cidades? Que medidas preventivas podem ser adotadas  para evitar problemas mais graves que envolvam as manifestações?
Nos regimes democráticos, manifestações populares são naturais e previsíveis. O que não é normal, nem deve ser tolerado, é a violência, a  depredação, o incêndio provocado até do automóvel de um trabalhador. É  preciso conter os excessos dos manifestantes e da polícia. E os órgãos de  segurança têm condições de fazer isso e garantir segurança para todos, não só durante a Copa, mas em, qualquer circunstância.

O ministro enxerga algum cunho político nessas ações de protestos contra a Copa?
Este é um ano eleitoral. E podem aparecer os aproveitadores. Mas quem imagina tirar alguma vantagem eleitoral promovendo baderna e  praticando violência comete um grande engano. A grande maioria dos  brasileiros – muitas pesquisas mostram isso – quer a Copa e quer a Copa  em paz.

Recentemente tivemos um encontro entre a presidenta Dilma e o presidente da Fifa na Suíça. Qual foi o objetivo dele, o que ficou definido?
A presidenta Dilma foi à Suíça para participar do encontro de chefes de Estado em Davos e foi convidada pelo presidente Blatter para uma visita  à sede da Fifa. Foi uma visita de cortesia e, evidentemente, a Copa foi  assunto da conversa. 

A Fifa tem razão de demonstrar preocupação com os rumos da Copa  do Mundo no Brasil? Esse movimento contrário ao evento no país preocupa o governo?
A Fifa, como o governo brasileiro e todos os envolvidos na preparação do torneio se preocupa com o sucesso do torneio. As declarações de Blatter  e outros dirigentes, sempre vem acompanhadas de manifestações de  confiança no trabalho que está sendo realizado aqui. Não há movimento  contrário à realização da Copa no Brasil. Pelo contrário. Todas as pesquisas mostram um grande apoio e muita confiança dos brasileiros na  realização do evento e no legado que ele vai deixar.