Cookie Consent
Rubens Lemos Filho
Aleluia, Ranulfo
Publicado: 00:01:00 - 03/06/2022 Atualizado: 21:42:20 - 02/06/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

É indiscutível: a atuação do ídolo Reinaldo Aleluia na noite de 1º de junho de 2000 contra o Palmeiras (SP), pela Copa do Brasil, faz parte da antologia do assassinado estádio Machadão. 

Reinaldo Aleluia, negro espigado e magro, de capacidade técnica admirável, comandou uma improvável reação que levou o ABC – que perdia por 3x1 -, a empatar em 3x3, último gol uma falta batida pelo próprio artista no ângulo do goleiro Sérgio. 

O ABC cumpriu em 2000, brilhante jornada na Copa do Brasil e, antes de encarar o Palmeiras, eliminara o Goiás em Goiânia, nos pênaltis, depois de mandar para casa o Vitória da Bahia ganhando em Salvador. Era um time arrumado e atraente. O estádio tinha em torno de 25 mil pessoas naquela batalha.

Enquanto Reinaldo Aleluia driblava, dava canetas nos marcadores, gingava e fazia cair o volante Tadei, arrancada pelos dois lados do campo e batia do jeito que a bola se apresentava, além de servir seu parceiro Leonardo, um apaixonado alvinegro estava entre a vida e a morte no Hospital Walfredo Gurgel. 

Costumava assistir aos jogos do ABC um ou dois degraus abaixo do policial civil Ranulfo Alves de Melo Filho, ele sempre com um potente rádio de pilha e a loucura pelo Mais Querido.

Éramos amigos há pelo menos 12 anos. Jovem repórter da Tribuna do Norte, obtinha informações quentes e – novidade – via em primeira-mão os retratos falados dos criminosos no traço caprichado de Ranulfo – bom de combate e de bastidores. 

Assalto a banco em Natal era batata: procurar Ranulfo e buscar notícias que só eram liberadas com autorização do Xerife Maurílio Pinto de Medeiros, o maior policial da história do Rio Grande do Norte e de cuja equipe, Ranulfo era peça-chave. 

A expectativa para ABC x Palmeiras crescia à medida em que a data do jogo se aproximava. Os ingressos esgotaram e o mais otimista dos alvinegros aceitava de bom grado a derrota por um gol de diferente. 

Ranulfo era um dos mais animados. Palpitava sobre o placar, apostava na categoria de Reinaldo Aleluia e Leonardo e na boa fase do seu clube de coração.

Torcedor do Fluminense no Rio de Janeiro, resolveu assistir,  na véspera, em um bar de Candelária, Zona Sul de Natal, ao confronto tricolor contra o favoritíssimo Vasco. 

Mandou trazer cerveja à mesa e passou a crer no apenas regular Fluminense de Roger, Yan, Magno Alves e do veteraníssimo goleiro Zetti.O Vasco era uma máquina, mas Ranulfo saiu insatisfeito pelo empate em 2x2. Pudera: o Fluminense abriu 2x0, deixou Edmundo descontar e tomou um gol contra. 

Chateado e já com a cabeça ligada no jogão em Natal, resolveu dar uma volta, o que para ele, significava trabalho. Nas ruas escuras, diminuiu a velocidade do carro e desconfiou de dois homens que seu instinto profissional determinou que parasse e revistasse. Ranulfo podia errar de placar, mas de perspicácia, jamais. 

Ao ordenar que se posicionassem para a vistoria, Ranulfo foi surpreendido. Os bandidos lhe atingiram com nove tiros. Mesmo baleado e combalido, atirou e acertou um deles. 

A ocorrência atiçou Natal. Emocionado, Maurílio Pinto de Medeiros correu ao hospital e, chorando, propôs aos marginais se entregarem “para não acabar na pedra do Itep,”,  Instituto de Medicina Legal. 

Amigos e colegas de trabalho fizeram romaria pela recuperação de Ranulfo. Uma Força-Tarefa foi montada para localizar e prender os criminosos. Um dos tiros atingiu o fígado do policial abecedista, maior preocupação dos médicos. 

Sempre solícito com os repórteres, Ranulfo se viu razão de uma corrente de fé que quebrou formalidades do lado jornalístico e do policial. Seu quadro era gravíssimo  e gerou revolta nos companheiros que esqueceram o sono na caça dos responsáveis, presos  depois.
Dois dias após o crime, 24 horas encerrada a exibição gloriosa do seu time, Ranulfo acordou. Ainda grogue, ouviu um enfermeiro perguntar: “E aí, torce pelo ABC ou América?”. 

Fragilizado, mantinha o coração intacto: “Claro que pelo ABC!”. Ao saber do resultado, esboçou um sorriso cheio de dores no corpo e de renovação da alma. A vida recomeçou no mantra sagrado: Aleluia, Ranulfo. 

Feio 
A presença de um homem com tornozeleira eletrônica no espaço destinado aos treinos do América é ruim para a imagem do clube. 

Intimidação
Se ele pode circular, não deveria estar conversando com os jogadores. Parece intimidação e o América deve cortar logo essas patuscadas. 

Torcida 
A torcida do América, aquela que está com o time em qualquer situação e não parte para intimidações, confia na vitória sobre o Icasa na Arena das Dunas. Não há outro jeito. 

Desfalque 
Adversário do ABC, o Botafogo(PB) perdeu seu lateral-esquerdo Lucas Gabriel, com ruptura do ligamento do joelho direito. O Botafogo vai motivado pela vitória sobre o Volta Redonda e o ingresso vai custar a partir de 5 reais no Almeidão. 

Dupla 
A dupla Henan e Gustavo França do ABC preocupa a defesa do Botafogo. Marcação forte. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte